Joyce Heuitink: montar requer plano com objetivos claros

Independentemente do nível do conjunto, ter um plano de trabalho é fundamental para alcançar as metas, destacou Joyce Heuitink, amazona holandesa de grande prêmio, treinadora e atual técnica do time holandês de adestramento paraequestre. Em entrevista em vídeo ao Adestramento Brasil, Heuitink, que integrou a equipe nacional da Holanda dos 16 aos 21 anos, competindo em provas internacionais de jovens cavaleiros e júnior, e que também atua como juíza de adestramento, destacou a melhora no nível da competição no paraequestre, deu dicas para amadores e profissionais, falou sobre os lusitanos, sobre seu anos com Anky van Grunsven, entre outros tópicos.

Hoje, Heuitink compete com um cavalo de nove anos — Gaudí Vita — em grande prêmio e tem o objetivo de conquistar uma vaga no time holandês para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Ela também treina cavalos de clientes e dá aulas. “Todos os dias quando eu trabalho meu cavalo eu tenho um plano do que vou fazer”, disse Joyce Heuitink.

“Claro que o plano pode mudar, segundo o que sinto do cavalo, mas apenas subir e fazer algo não vai melhorar o trabalho”, completou. Ela disse que gosta muito de focar no básico e entender detalhes que possam ser aperfeiçoados. “Se eu tento duas vezes e não consigo, eu sempre tento algo diferente e pode ser algo completamente fora da caixa e diferente do que fiz antes”, ensinou.

Para ela, é importante treinar, pelo menos, um nível acima do que está competindo no momento. A explicação é que, se estiver competindo e achar que está bom o suficiente para mudar de série, se não tiver os exercícios, vai enfrentar dificuldades e problemas na pista. “Leva de três a seis meses para confirmar os resultados. Por exemplo, se você consegue fazer as mudanças de pé em casa, isto não significa que conseguirá fazer na competição. Isto leva tempo. É por isto que começo a treinar antes”, detalhou.

Desta forma, o plano ao qual a técnica se refere tem de ser traçado pensando tanto no que será executado na semana, quanto no mês e no ano, visando às séries que deseja competir e aos níveis aos quais quer chegar. “Eu também traço planos para as competições. Quando entrar no local, vou à direita ou à esquerda, ao trote, galope ou farei um alto para acalmar meu cavalo. Para ter um bom resultado, não se pode apenar entrar na arena e decidir ali o que fará, porque sempre ocorrerão coisas não esperamos.”


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Durante a entrevista, Joyce Heuitink falou da sua experiência no time holandês e ressaltou a importância para os cavaleiros jovens competirem nas categorias de base e disputarem provas internacionais em suas respectivas séries assignadas pela Federação Equestre Internacional (FEI). “É muito importante competir em provas internacionais quando você é jovem até para sentir como é representar o seu país. Você aprende muito, tem pressão, especialmente, se você é o último conjunto da equipe a entrar e você tem de assegurar que faz o melhor, porque todos sabem que pode depender de você o ouro, a prata. E isto também contribui para quando começa a competir representando o seu país em grande prêmio”, disse.

Para ela, a mudança mais difícil de série é entre small e big tour. “Tem cavalo que pode ser um supercavalo de small tour, mas nem sempre será um bom cavalo de grande prêmio. E uma coisa é fazer em casa e outra em uma competição com toda a pressão.” Questionada sobre o que é necessário um animal ter para dar o salto de small para big tour, Heuitink explicou que a primeira coisa que ele deve ter um grande coração. “Para mim, esta é a coisa mais importante. Se pede muito para eles e claro que tem de ser razoável e prezar pelo bem-estar, além de entender que leva tempo para desenvolver tudo”, apontou.

No ano passado, Heuitink ficou em segundo lugar com Gaudí Vita no CHIO de Aachen tanto em prêmio São Jorge (72,471%) quanto na intermediária 1 (73,265%), ficando atrás de Charlotte Fry que apresentou Glamourdale. “Eu fui convidada, o que é bem raro, e me deixaram competir lá para mostrar a mim e a meu cavalo para a audiência, o que foi uma honra enorme”, disse, acrescentando que Charlotte Fry a venceu com diferenças grandes, mas que para ela isto não é um problema. “Ela monta extremamente bem e o cavalo é extremamente bom. Se alguém é melhor que você, você tem de aceitar. Você pode fazer o seu melhor individual, mas outro faz o recorde mundial. Você tem de aperta. Para mim, eu foco em fazer minha melhor performance”, ressaltou.

Adestramento paraequestre
Falando sobre diferenças e similaridades entre o paraequestre e o adestramento convencional, a técnica do time da Holanda de paradressage frisou que montar, em ambas as modalidades, tem de parecer igual, ou seja, harmônico, ativo, com bom contato e os exercícios que você faz têm de ser o melhor possível, com transições fluentes.

“A maior diferença é que as pessoas têm deficiências e para mim a maior diferença é que eu não posso treinar alguém dizendo exatamente o que ele tem de fazer. Eu não posso dizer coloque mais sua perna para ir para frente, porque, se alguém não tiver perna, é complicado. O que eu faço é dar a minha direção ao atleta e ele sabe o que fazer e, se ele não souber, eu dou sugestões. Por exemplo, para ir mais para frente pode usar assento ou a voz. Há sempre algo para se fazer”, explicou.

Falando sobre os graus da FEI para classificação dos atletas no paraequestre, ela disse que acha o sistema justo e que, sim, podem aparecer um ou outro atleta de quem se possa duvidar, mas que nestes casos é necessário acreditar no sistema, caso contrário, não é possível trabalhar. “Depois dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, todo o sistema de classificação vai mudar. Eu não sei exatamente como, apenas sabemos no ano que vem”, disse.

Heuitink teceu elogios aos para-atletas brasileiros, dizendo que são muito competitivos e que apresentam nível bastante alto de equitação. Para ela, uma dificuldade geral é encontrar bons cavalos para o paraequestre.

Atuando no paraequestre desde 2013, a técnica afirma que houve muita evolução desde então. “Quando comecei, para fazer parte da equipe holandesa, você tinha de alcançar notas entre 68% e 71%. Hoje em dia, meus melhores seis a sete atletas, somam, consistentemente, acima de 73% — em todas as competições, sendo que em muitas acima dos 77% e no estilo livre acima de 80%”, explicou, reforçando que o nível de atletas e cavalos melhorou muito ao longo dos anos a nível mundial.

Comentando sobre as medalhas olímpicas que o Brasil vem ganhando no individual, Heuitink disse acreditar que, se o País encontra um terceiro integrante para equipe no nível dos atuais — Rodolpho Riskalla e Sergio Froes Oliva — é provável que ganhe medalha por equipe. “Isto é o quão bom o Brasil ficou! E é incrível.”

Lusitanos
Joyce Heuitink afirmou que gosta de montar cavalos compactos como os animais da raça puro sangue lusitano, muito populares no Brasil. “Normalmente, trabalhamos com cavalos warmbloods e eles não têm automaticamente a técnica para reunião para o que é requisitado para piaffe e passage”, disse.

Com relação ao desenvolvimento e à competitividade dos lusitanos, a holandesa contou que sua primeira experiência com bons lusitanos foi no Brasil quando ministrou aula para Thereza Almeida e que na Europa, atualmente, tem o mesmo treinador de Maria Caetano (assista à entrevista com a portuguesa) e ela tem acompanhado os resultados da colega. “É muito interessante ver como estes cavalos se desenvolveram ao longo dos anos, que ganharam mais autossustenção, mais descontração (suppleness) e movimentos que saem mais do chão.”

Apesar de não montar lusitanos frequentemente, a amazona e técnica disse o mais difícil com a raça é colocar os cavalos apoiando na rédea para ter um bom contato — e que isto ocorre porque eles são bastante compactos.

Anky van Grunsven
Heuitink trabalhou com Anky van Grunsven por 8,5 anos, muitos dos quais exerceu funções administrativas no escritório. “O que eu mais aprendi lá foi de manter as coisas simples. Então, se você quer explicar algo ao seu cavalo, explique claramente e de uma maneira amigável; e não brigue, porque isto não vai funcionar. Sempre que você perde a sua paciência, você faz algo errado”, contou. Ela disse que também gosta de manter comunicação verbal com os cavalos e de montar sem rédeas.

Confira a entrevista (em inglês) na íntegra:

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