Amadores celebram conquistas no Brasileiro; conheça a história dos conjuntos

Conquistar o título de campeão brasileiro é uma meta almejada pelos amadores que não medem esforços para treinar adestramento — seja todos os dias (sonho de muitos), seja algumas vezes por semana ou mês. No Campeonato Brasileiro deste ano, 64 conjuntos amadores entraram em pista, sendo a preliminar a mais concorrida com 16 na disputa, seguida da elementar com dez e média 1 com nove. Adestramento Brasil entrevistou as campeãs e o campeão para contar a trajetória deles com suas montarias e o que eles acharam das provas. 

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Na elementar amador, como o regulamento da CBH não permite que o mesmo conjunto seja campeão em duas diferentes séries, Claudia Benati com Nero CSA acabou se sagrando campeã com média de 65,129%. No entanto, a melhor média final foi de João Gabriel Perdonssini com Orvalho da Boa Nova (69,985%), mas o conjunto optou pelo título na categoria média 2 júnior. O segundo resultado mais alto na elementar foi da Jéssica Forgach Serwaczak com Love Song (68,896%), contudo, a atleta também ganhou a amador top e acabou levando a taça na forte 2 sênior com seu Ideal do Vouga.

O regulamento de adestramento da CBH diz que a classificação no Campeonato se dá pela soma dos percentuais obtidos nas provas obrigatórias para cada categoria, com aproximação de milésimo. Aponta que um mesmo cavaleiro poderá se inscrever em mais de um Campeonato Brasileiro de categorias ou séries distintas em um mesmo ano, mas não poderá sagrar-se campeão e/ou vice-campeão em duas categorias distintas.

Assim, deverá optar, até a reunião de chefes de equipe, em qual das categorias disputará o título. Também é exigido ainda o percentual mínimo para ser outorgado o título de campeão brasileiro de 64% e de 63% para vice-campeão na média final das provas no caso dos amadores.

Com três na disputa, a categoria minimirim teve vitória de Helena Dias que montou Sushi e fechou com média de 69,449%. Pedro Felipe Godoi foi vice com Mustache da Ixia e 68,639%.

Pódio Mirim

Na mirim, Helena Bilhalba Hillesheim com Nobre sa Sasa ganhou ambos os dias e foi campeã com a média de 75,768% na categoria que teve seis concorrentes. “Comecei a montar o Nobre quando a Sasa Horses emprestou cavalos para que nós pudéssemos competir no Brasileiro de 2025. Fui para a Sasa para treinar com ele em outubro de 2025, uma semana antes do campeonato, e fomos campeões do CBA no ano passado. Depois disso ele foi comigo para Porto Alegre”, contou a jovem ao Adestramento Brasil.

Em sua cidade, ela treina de três a quarto vezes por semana, o que levou à evolução do conjunto. “Gostei bastante das minhas reprises, consegui manter ele descontraído e ativo, só acho que preciso melhorar e treinar mais as transições”, avaliou. Ganhar o Brasileiro teve um significado especial para ela. “Treinamos muito duro para chegar a esse resultado; e só tenho a agradecer a Luiza Squeff e ao Paulo César por todo o apoio e dedicação deles ao meu conjunto com o Nobre, sem eles nada disso seria possível. E também agradecer à Sasa Horses, que me deu essa oportunidade de montar e competir com o Nobre”, ressaltou Helena Bilhalba Hillesheim, que agora almeja subir, no próximo semestre para série júnior.

Mais concorrida de todas, com 16 conjuntos, a preliminar amador referendou a Vivian Satie Dias e seu Q-Habil. O conjunto, que treina com Mauro Pereira Junior, vem evoluindo a cada competição e ganhou ambos os dias do CBA, com 69,197% no primeiro dia e 68,030% no segundo. “Fiquei muito feliz com as duas apresentações. O principal para mim foi conseguir levar para a pista o que vínhamos construindo nos treinos. O Q-Habil entrou conectado comigo e isso fez toda a diferença. Ainda temos muitos detalhes técnicos para refinar e, com a maturidade dele, acredito que temos bastante espaço para evoluir”, celebrou.

Vivian Satie e Mauro Jr.

Aos seis anos, o Q-Habil é montaria da Vivian Satie há dois anos em um trabalho que vem sendo feito com objetivo dela entender como ele aprende e como ganha confiança, variando os treinos em pista e os trabalhos no exterior. “Ao longo desse processo, evoluí muito como amazona e acredito que ele também evoluiu comigo. Contar com o meu marido, Mauro Pereira Junior, como treinador foi fundamental para o desenvolvimento do conjunto”, contou.

Conquistar um Campeonato Brasileiro com um cavalo tão jovem deixou a conquista ainda mais significativa. “Mais do que o título, fico feliz por ver que o trabalho diário, a paciência e a confiança no processo deram resultado. É uma conquista que divido com toda a equipe que esteve ao nosso lado”, ressaltou. Depois do CBA, Q-Habil ganha alguns dias de recuperação antes de retomar os treinos com foco na evolução técnica. “Sem pressa. Queremos dar continuidade a esse trabalho e manter boas apresentações nas próximas provas deste ano.”

A média 1 amador teve disputa nos pódios. Enquanto Maria Perez Coelho Bento ganhou o primeiro dia com 67,524% montando Quixote Qarnaval e foi segundo no domingo (64,274%), Mariana Oliveira Belluomini liderou o pódio na reprise nº 2 com Quadrado Da Sasa JE e 64,786%, depois de ser segundo na reprise nº 1 com 66,191%. Na somatória, Maria Bento sagrou-se campeã com média de 65,899%.

“Conhecemos o Qarnaval por acaso, em outubro de 2024, quando procurávamos um cavalo de salto, que tivesse um trabalho de plano bacana, para comprar para uma cliente da Nina. Quando vimos o vídeo, não tivemos dúvidas de que iria ser nosso. Depois, descobrimos que a genética era de adestramento. Como ele passou dois anos como um cavalo de salto, o trabalho dele estava muito comprometido e os treinos dele até hoje são, basicamente, reforçando a base, tentando consertar as deficiências com as quais o cavalo chegou para nós”, relembrou Maria Bento.

A amazona disse ter gostado muito da prova do primeiro dia, apontando que houve evolução em relação a problemas que eles tinham no passado. “No segundo dia, perdi um pouco o ponto dele, e não consegui apresentá-lo da melhor forma”, avaliou. Passando o Brasileiro, Qarnaval vai ter uma folga merecida, já que competiu em duas competições praticamente seguidas — CBA e Aliança SHP e CHSA. “Agora, ele vai descansar para voltarmos a trabalhar na base. Ele era um cavalo extremamente pesado de frente e que vem melhorando bastante essa questão a cada dia que passa. Nosso plano é seguir trabalhando nisso, que é a base para podermos seguir evoluindo e crescendo no esporte. O título de campeões brasileiros é a coroação de um trabalho incansável. Construir um cavalo do zero não é nada fácil, reformar um cavalo que veio com muitas deficiências é ainda mais desafiador. Então, mais do que o título, é a certeza de que estamos andando no caminho certo”, disse.

João Gabriel Perdonssini e Mamboo do Castanheiro

João Gabriel Perdonssini, que fez o melhor resultado na elementar, também se destacou na média 2 júnior, que teve apenas três concorrentes e também registrou alteração de pódios nos dois dias. Com Mamboo do Castanheiro, que monta há seis anos, ele ganhou o primeiro dia com 66,567% e foi segundo com 63,121% no dia seguinte, quando a vitória coube à Giovanna Trivelli Barros e Florisbela VO com 64%, depois de somar 64,767%. Na média final, Perdonssini fez 64,844% e Barros, 64,384%.

“Mamboo é bem diferente de todos os meus outros cavalos e por isso temos que sempre priorizar estarmos conectados antes de tudo. A gente treina diariamente com Roberto Souza (Billy), no Manège Mon Cheval, e, por ele ser muito inteligente e, às vezes, quente, estamos sempre tentando fazer coisas fora do óbvio para ele me esperar e termos uma performance melhor”, avaliou o cavaleiro para quem o título no CBA corrobora o trabalho correto e contínuo.

Ao avaliar as reprises no CBA, disse que a primeira reprise foi muito parelha com as últimas provas. “No segundo dia, as condições climáticas não estavam como eu imaginava e acabei aquecendo ele por pouco tempo, o que acabou deixando ele aceso dentro da reprise e tivemos alguns problemas. Mas estou feliz com a nossa evolução desde o CBA de 2023 que nos consagramos campeões mirim”, contou. Os planos para o segundo semestre são conseguir subir minhas notas aos poucos, analisando com atenção as súmulas.

Na média 2, Bruna Portilho (na foto de JFS que abre a matéria) venceu ambos os dias com Mágico Interagro, que fez campanha na sela de Fábio Lombardo Junior. “O Mágico é um cavalo muito especial para mim e para todo o pessoal do Rancho Cariama. Ele foi um dos primeiros cavalos que adquirimos quando o projeto ainda era voltado para objetivos mais lúdicos. Desde então, acompanhamos toda a evolução dele até chegar ao nível em que está hoje, competindo no GP com o nosso cavaleiro profissional, o Juninho”, contou.

O CBA foi a primeira oportunidade da amazona para competir com Mágico. “Comecei a treinar ele cerca de duas semanas antes do Campeonato Brasileiro, então, ainda estamos no início da nossa parceria. Os treinos têm sido muito focados em nos conhecermos melhor e construirmos essa sintonia, e estou muito animada com tudo o que ainda temos pela frente”, relatou a amazona que fez, respectivamente, 66,397% e 63,465%, fechando com média de 64,931%.

Justamente por ser a primeira prova com o lusitano, a cavaleira contou que entrou na pista bastante ansiosa. “Mas também muito confiante no potencial dele. Felizmente, tudo correu muito bem e fiquei extremamente satisfeita com o resultado. Ao mesmo tempo, essa estreia foi muito importante para entendermos melhor como funcionamos juntos em competição e identificar os pontos que ainda podemos aprimorar. Saio do Brasileiro muito feliz com o desempenho e ainda mais motivada para seguir evoluindo”, ponderou.

No ano passado, Bruna Portilho competiu na mesma série com Pinkerton Interagro, fechando com média de 62,959%. O objetivo para este ano era melhorar o desempenho, almejando conquistar o título. “Conseguir essa vitória, ainda mais na minha primeira competição com o Mágico, foi muito gratificante. Esse resultado representa não só uma evolução em relação ao ano passado, mas também me dá muita confiança como amazona. Saber que consegui formar uma boa parceria com um cavalo novo em tão pouco tempo e alcançar esse resultado é algo que valorizo muito”, avaliou.

Agora, o foco é continuar fortalecendo a parceria com o Mágico, consolidando o que já fizeram bem e trabalhando nos pontos que ainda precisam evoluir. “Também pretendo começar a treinar exercícios de categorias acima da média 2 para nos prepararmos para um futuro avanço. O Mágico é um cavalo extremamente talentoso e muito bem treinado. Meu objetivo agora é continuar aprendendo com ele e desenvolver cada vez mais essa parceria”, finalizou.

Laís Hoeltgebaum e Iluminato VO

Laís Hoeltgebaum ganhou a forte 1 com Iluminato VO depois de ser segundo lugar na reprise nº 1 com 63,816% e vencer no dia seguinte com 65,211%, obtendo média de 64,514%. A amazona tem 20 anos e monta há 13 anos, sendo os quatro últimos no adestramento, modalidade pela qual se apaixona cada vez mais.

“Comecei a montar o Iluminato no início de 2026, mas já o conhecia antes e sempre foi um cavalo que me chamava muita atenção e me encantava. Ao longo dos treinos fomos construindo um conjunto cada vez mais harmonioso. Passei a entender melhor como ele funciona e a adaptar minha equitação às suas características. O Iluminato é um cavalo que confia muito no seu cavaleiro e se entrega completamente ao trabalho. Conforme nossa conexão foi crescendo, tudo começou a se encaixar naturalmente”, relatou.

Para ela, um dos principais pontos fortes durante a competição foi o trabalho de galope, especialmente, os apoios e as mudanças de pé. “No primeiro dia, alguns alongados no galope não saíram da forma que esperávamos, mas conseguimos ajustar esses detalhes para a segunda prova. O mesmo aconteceu no trote: no primeiro dia, os alongamentos e alguns movimentos laterais poderiam ter sido melhores, porém conseguimos evoluir bastante para o segundo dia de competição”, ponderou.

Agora, a dupla foca em evoluir na descontração, na amplitude dos movimentos e na qualidade das andaduras ao passo. “Tenho certeza de que, aprimorando esses detalhes, conseguiremos alcançar resultados ainda mais expressivos. Conquistar o título brasileiro teve um significado muito especial para mim e para toda a equipe que faz parte dessa trajetória. Depois de dois vice-campeonatos brasileiros, finalmente, conquistamos o lugar mais alto do pódio, demonstrando a evolução não apenas minha e do Iluminato, mas de toda a equipe que trabalha diariamente para que esses resultados sejam possíveis.”

Para o segundo semestre, o conjunto do Paraná planeja disputar o CAN que acontecerá no Estado ainda na forte 1 e na busca da classificação para o Prêmio Hipismo Brasil. Além disso, pretende estrear na forte 2 durante o Campeonato Paranaense para avaliar o desempenho na nova categoria e seguir evoluindo como conjunto.

Por fim, a série mais alta entre os amadores — a forte 2 — teve três concorrentes, mas apenas dois conjuntos executando a reprise estilo livre com música. Jessica Forgach Serwaczak com Ideal do Vouga foi segundo lugar na reprise prêmio São Jorge (63,529%), que foi vencida por Victoria Baptista de Oliveira com Francis Drake MT (63,588%), conjunto que não entrou no freestyle. Terceiro lugar na PSJ, Ivana Wagner Carneiro Feres e Bon Romantic passaram de uma pontuação de 58,706% na São Jorge para 68,745% na execução da kür, mas na somatória final ficou perto de 1 ponto porcentual (63,726%) atrás da campeã Jessica (64,765%).

“O Ideal entrou para a nossa família em julho de 2022 e, em 2023, fizemos nossa estreia na categoria amador top. Ele é um cavalo muito especial, daqueles que têm um coração enorme. A gente se entende muito bem, confia um no outro e isso faz toda a diferença, tanto nos treinos quanto nas competições. Nossa rotina de treinos é baseada na constância. Buscamos evoluir um pouco a cada dia, sempre com o acompanhamento do nosso treinador, Vinicius Miranda, ajustando os detalhes técnicos e fortalecendo cada vez mais a nossa parceria”, detalhou ao Adestramento Brasil.

Desde a estreia no Campeonato Brasileiro em 2023, o conjunto da Sociedade Hípica Paulista disputou três edições (23, 24 e 26) e conquistou o título em todas. “É algo que ainda parece difícil de acreditar e que me enche de orgulho. Mais do que os resultados, fico feliz por olhar para trás e ver tudo o que construímos juntos ao longo desses anos, e também por pensar em tudo o que ainda temos pela frente”, disse.

Ao comentar as reprises, Serwaczak avaliou como correta a São Jorge. “Tivemos alguns detalhes para ajustar, como sempre acontece, mas, de forma geral, foi uma apresentação constante, sem grandes erros e com uma sensação muito boa ao sair da pista. Isso me deixou bastante feliz, porque mostra que estamos evoluindo e consolidando o trabalho que fazemos diariamente em casa”, disse.

No segundo dia, no freestyle, a apresentação ficou aquém da distensão. “Infelizmente, quando entramos para competir, tivemos algumas questões que acabaram quebrando um pouco a nossa concentração. Faz parte do esporte, e mesmo não tendo conseguido apresentar tudo o que treinamos, foi uma experiência importante e mais um aprendizado para nós”, contou.

Ela também competiu com sua mais nova montaria, a Love Song. “Teve um significado muito especial, porque foi a nossa estreia em nacionais. Fiquei muito feliz e orgulhosa da forma como ela se comportou. Mesmo com apenas seis anos, entrou em pista extremamente concentrada. Conseguimos fazer duas reprises consistentes e ela mostrou toda a qualidade e o potencial que acreditamos que ela tem. Ver ela correspondendo dessa forma em pista foi, sem dúvida, um dos momentos mais gratificantes da competição.”

Para o segundo semestre, a amazona seguirá buscando a meta de ser “1% melhor a cada dia, sem pressa, respeitando o tempo de cada cavalo e valorizando cada parte do processo”.

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