Brasil conquista prata inédita em Pan-Americano; saiba como foi

Quillota, Chile — As cores das medalhas conquistadas pelo Brasil em Jogos Pan-Americanos mudaram. Depois de seis bronzes, sendo um único individual, a equipe formada por Paulo César dos Santos e Fidel da Sasa JE; Manuel Tavares de Almeida Neto e Rosa Belle; Renderson Oliveira e Fogoso Campline e João Victor Oliva e Feel Good VO, com Victor Ávila e Corsário IGS na reserva, conseguiram o feito inédito de subir no pódio em segundo lugar. E, com a medalha de prata no peito, puderam se emocionar e comemorar na Escola de Equitação do Regimento de Granadeiros, sede das competições equestres. E não tinha como ser diferente.

Todos os detalhes
As provas que definiriam os times medalhistas começaram em uma manhã nublada e mais fria que no dia anterior na Escola de Equitação do Regimento de Granadeiros. Os Estados Unidos chegaram na liderança para o segundo dia de provas e final individual somando 224,338%, seguidos do Brasil com 221,151%, Canadá com 214,277%, Chile com 209,920%; México com 202,882%; Argentina com 201,609% e Colômbia com 197,205%. Seguindo a mesma ordem de entrada, mas com 35 concorrentes, já que Carolina Espinosa e Findus K haviam sido eliminados no dia anterior, a intermediária 1 iniciou-se com Santiago Cardona, da Colômbia, com Dostojewski, pontuando em linha com o dia anterior: 65,206%.

Aplaudido desde a entrada, o chileno Mario Vargas subiu o porcentual final com Kadiene para 70,412%. O Chile fechou o primeiro dia 4,357 pontos porcentuais atrás do Canadá e, por isso, elevar a nota final era crucial. Assim como na São Jorge, Christian Simonson tomou a liderança ao fazer 74,971% com o Son of A Lady. Pela Argentina, Maria Florencia Manfredi manteve a média da PSJ na inter 1 com 63,529% com Hands Up Chaparrita Z.

Da mesma maneira que os EUA, o Canadá tem apenas um conjunto small tour. Beatrice Boucher com Summerwood’s Limei não superou a nota de Christian Simonson, mas conseguiu passar Vargas, do Chile, galgando o segundo posto até o momento com 70,471% — o erro na transição galope para trote custou caro, já que ela vinha pontuando mais alto.

23/10: resultados individuais | equipe – finais / medalhas | consolidado PSJ+Inter1 e GP+ GPS

Primeira do México a competir, Carolina Cordoba Wolf e Johnny Cash fecharam com 68,441%, um pouco abaixo dos 69,059% da PSJ. Fechando o primeiro bloco, o segundo conjunto pela Colômbia — único país a levar apenas small tour —, Juliana Gutierrez Aguilera e Flanissimo teve nota final de 66,059%, em linha com a prova São Jorge.

Ainda com reprises intermediárias 1, o segundo bloco teve Maria José Granja e Emiliano AP, pelo Equador, abrindo a rodada com 66,382% também similar ao que pontuou na PSJ. Pela República Dominicana e competindo individualmente, Stephanie Engstrom Koch e Resperanzo baixaram a nota na comparação com São Jorge para 62,794%.

O chileno Carlos Fernandez entrou e saiu aplaudido pela torcida. Ele subiu a nota a São Jorge para 66,147%, levando o Chile ao primeiro posto por equipes, um resultado que mudaria ali à frente, já que Colômbia fecharia sua participação no bloco com os conjuntos de small tour. E, na briga entre Chile e Canadá, naquela altura ainda era difícil prever medalhas, já que o Chile teria dois conjuntos e o Canadá três de big tour ainda por vir.

Último conjunto de small tour do México a se apresentar, Carlos Maldonado Lara com Frans, fez 66,147%, pouco mais de um ponto porcentual em comparação com o dia anterior. E, encerrando a rodada de small tour, da Colômbia, Andrea Vargas também aumentou dois pontos porcentuais a nota, fechando com 67,235% com Homerus P. Coube à Maria Alejandra Aponte Gonzalez fechar o bloco com Lord of the Dance, também subindo os porcentuais em 2 pp para 67,294%.Com isso, a Colômbia encerrou sua participação nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023 somando 397,793 — com as notas de Santiago Cardona com Dostojewski sendo descartadas. >>> Continua após o anúncio.

Definindo as medalhas
Faltando os conjuntos de big tour, o pódio por equipes ainda estava longe de estar definido ao começar o terceiro bloco de conjuntos — na verdade, ele seria mesmo definido apenas com os últimos concorrentes. Disputando individualmente, Patricia Ferrando, pela Venezuela, foi a primeira a competir com Honnaisseur SJ para 68,553%, já com os três pontos porcentuais adicionais — todas as notas reportadas serão com o acréscimo para facilitar a comparação com small tour. José Ramón Beca Borrego entrou na sequência com Darro do Sobral para 60,468%.

Pelo Equador, Julio Mendoza Loor, que chegou como um dos favoritos, diferentemente do GP, não cometeu erros no grande prêmio especial ao montar Jewel’s Goldstrike e elevou sua nota para 78,617%, mais alinhada com o que o conjunto vem fazendo na sua campanha nos Estados Unidos. Ele passou para o primeiro colocado e saiu sob bastante aplausos — parte para ele e parte para a chilena Virginia Yarur com Ronaldo, que veio na sequência e fechou para 68,674% — levando o Chile para primeiro colocado por equipes com 414,479. Quarto lugar no Pan de Lima, Yvonne Losos de Muñiz e a Aquamarijn subiram a nota para 73,277%.

E, então, foi a vez de Paulo César dos Santos, primeiro do Brasil a entrar em pista. Com Fidel da Sasa JE, oo novato em Pans e montando sua quarta competição em big tour, ele fez uma apresentação sem erros e mais parecida com o que vinha mostrando no Brasil, saindo da pista em sétimo com 68,638%. Anna Marek, pelos Estados Unidos, abriu a próxima rodada com 74,489% com Fire Fly e, pela Argentina, Fiorella Mengani terminou com 65,447% com Assirio D’Atela.

Na briga por medalha, entrou a segunda concorrente pelo Canadá, Camille Carier Bergeron, que somou 74,511% com Sound of Silence 4, sete pontos porcentuais acima da nota no GP. Com isso, ela abriu a diferença do Canadá para o Chile e acendeu um alerta para o Brasil. Pelo México, Maria Ugryumova e Impaciente PH pontuaram bem acima do que fizeram no GP: 67,596%, mas àquela altura, o México já sabia que estava longe de medalha.

Depois foi a vez de o Chile ter a Svenja Grimm com Doctor Rossi em pista, última participação do país-sede e a chance de recuperar pontos para tentar brigar pelo pódio. No entanto, os 72,340% não foram suficientes para isso.

Fechando o bloco, Manuel Tavares de Almeida avaliou que a égua sentiu um pouco o cansaço. Ele fechou o bloco com Rosa Belle, pontuando 68,894%, menos do que ele esperava e abaixo do GP. A próxima rodada começou com Codi Harrison, pelo Estados Unidos, ao pontuar 71,957% com Katholt’s Bossco. Naquele momento, os EUA assumiram a liderança e estavam à frente do Chile, que já havia encerrado a sua participação.

Faltando dois pelo Canadá e dois conjuntos pelo Brasil, o país da América do Norte estava colado com o Brasil, somando 356,259 pontos e o Brasil com 358,683, enquanto os EUA, faltando apenas Sarah Tubman para se apresentar, somavam 442,755.

Seguindo o penúltimo bloco, Micaela Mabragaña com Bradley Cooper pela Argentina fez 68,130%. Depois, foi a vez do Canadá competir com a sua penúltima competidora e Mathilde Blais Tetreault fez 71,128% com Fedor, levando o Canadá ao segundo posto por equipe até aquele momento. Carolin Mallmann, pelo Uruguai com Grison, comou 62,766% e Marcos Santiago Ortiz Diez fechou a penúltima rodada com Gentil e 62,447%.

Decisão na reta final
A decisão das medalhas ficou para o último bloco do grande prêmio especial, mas já estava dado como certo que o pódio seria entre os EUA, que estavam com 442,755 faltando uma concorrente; o Canadá com 427,387, faltando apenas um conjunto e o Brasil com 358,683, mas faltando dois para entrar. Cada apresentação seria importante — e emocionante. Enquanto isso, pelo individual, Julio Mendoza mantinha-se na liderança, seguido de Christian Simonson, em segundo, e Camille Carier Bergeron, em terceiro.

Primeiro a competir, Renderson da Silva Oliveira repetiu boa execução do grande prêmio e fechou o GPS com 74,936%, colocando o Brasil com boas chances da medalha de prata. Faltando apenas um de cada país que estava na disputa do pódio para competir, os Estados lá havia tomado a dianteira somando 442,755%; o Brasil estava pouco à frente do Canadá com 430,619% e 430,387%, respectivamente.

Principal atleta dos Estados Unidos, Sarah Tubman e First Apple pontuaram 76,872%, ficando em segundo sem conseguir tirar a liderança do equatoriano. Pela Argentina, Gabriel Martin Armando e San Rio aumentaram a nota para 68,447%, ficando longe da disputa que se travava.

A grande decisão caberia, então, à canadense Naima Moreira Laliberte com Statesman e ao João Oliva com Feel Good VO. Logo após o alto, Laliberte não saiu bem, tirando notas baixas e acabou com um porcentual parecido com o do dia anterior: 72,021%.

Todas as atenções se voltaram ao último concorrente do dia e ele mostrou que veio com o objetivo de conquistar a tão sonhada medalha inédita. Com muitos pontos altos e notas 9 em trotes alongados e na impressão geral, João Victor Marcari Oliva e Feel Good VO terminaram a reprise ovacionados pelo público com 78,362%, mais do que suficiente para a medalha de prata e muito próximo ao Julio Mendonza que ganhou com 78,617%.

Juízes — O júri de campo segue o mesmo, mas em posições diferentes. Magnus Ringmark, FEI L4/5, da Suécia e presidente do júri de campo, julgou em E; Carlos Lopes, FEI L3/4de Portugal, em H; Michael Osinski, FEI L4/5* pelos Estados Unidos, em C; Cesar Torrente, FEI L3/4* da Colômbia, em M; e Cara Whitham, FEI L4/5* do Canadá, em B.

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Foto de Miguel Campos/Santiago 2023 via Photosport