Comunidade equestre do RS reporta como está a situação e o que precisa para enfrentar as chuvas

“Nunca imaginamos que seria pior que setembro, quando uma enchente de proporção menos pior alagou os campos, mas não tinha chegado nas baias. Agora, de 30 hectares, não sobrou nenhum hectare seco”, disse Ana Paula Sena, presidente da ONG Pé de Chulé. “Nunca vi tanta água antes”, afirmou Elisa Müller, do Haras Valência. As chuvas que devastaram o Rio Grande do Sul, deixando, até o momento, pouco mais de 80 pessoas mortas, também afetaram propriedades com cavalos. Adestramento Brasil falou com algumas entidades e relata como está a situação — e conta como você pode fazer para ajudar.

A ONG Pé de Chulé, de resgate e reabilitação de cavalos vítimas de maus tratos, está devastada. Com sete anos de existência, hoje a ONG tem 73 cavalos resgatados que foram vítimas de maus tratos. Com as chuvas e os alagamentos, muitos remanejados para campos próximos cedidos, mas outros ainda estão na ONG. “Os cavalos mais velhos, debilitados ou com problema de locomoção estão na ONG. Estamos numa força tarefa. Perdemos muitas coisas materiais: baias, fiação etc. A situação é caótica”, detalha Ana Paula Sena.

A ONG está com uma campanha para arrecadar fundos para reconstruir tudo que foi devastado. E também para seguir na ativa. Sena contou que estão recebendo muitos pedidos de ajuda com cavalos embaixo d’água. “Estamos tentando fazer o que podemos. A água ainda está subindo em algumas localidades e sabemos que vem mais chuva”, lamentou.

Quatro cavalos da ONG Pé de Chulé foram remanejados no Dama Centro Equestre, localizado no Lami, zona sul de Porto Alegre. “Nosso bairro foi muito atingido pelos alagamentos por conta da proximidade do Lago Guaíba. Nós estamos bem afastados do lago, portanto, não fomos afetados pelos alagamentos; estamos em segurança”, relatou Marta Brack, proprietária do Dama. “Muitos dos cavalos da ONG foram realojados em campos de voluntários, porém, estes quatro que estão conosco precisavam ser encocheirados por estarem em tratamento de feridas nos locomotores. Conseguimos duas cocheiras e nos adaptamos para conseguir abrigar os quatro animais”, detalhou.

Brack acrescentou que a comunidade equestre se juntou para ajudar no que pode a ONG Pé de Chulé, doando quilos de feno e alfafa para ajudar na alimentação destes animais. “Muitos cavalos também já foram realojados, porém, esperamos que a água não continue a subir na ONG, pois eles possuem outros cavalos com mobilidade super reduzida, dificultando o transporte”, apontou Marta Brack.

Cavalos do Jockey Club do Rio Grande do Sul também tiveram de ser remanejados — e passaram a ocupar baias na Sociedade Hípica Porto Alegrense. “A SHPA teve alguns problemas relacionados ao excesso de chuvas ocorridos na semana passada, entretanto, a região é mais alta e os animais estão protegidos. Recebemos cerca de 70 cavalos do Jockey Club. Por enquanto, não tivemos restrições a ração, feno, camas… mas naturalmente podem vir a acontecer”, disse Ana Lúcia Nogueira, vice-presidente-administrativa da SHPA.

O Haras HGG também está em uma situação melhor. De acordo com Clara Machado, que treina e ministra aulas lá, a água chegou perto, mas sem acarretar grandes problemas por ser o local um pouco mais alto em relação ao rio. “Temos um picadeiro coberto de adestramento que entrou água e ficou bastante alagado e as pistas externas que também foram bem comprometidas, porém, todas as pistas tem boa drenagem e já estão dando condições de trabalho. As cocheiras não foram afetadas, mas os piquetes estão sem choque, já que em algumas partes houve alagamento”, relatou

“Estamos lotados de cavalos, então, não foi possível acolher os cavalos que estão em situação precária no Jockey Club que está completamente alagado. Soube que alguns cavalos foram para a SHPA e outros para pequenos centros hípicos aqui da região”, contou Clara Machado.

Também do HGG, Petra Garbade contou que as águas chegaram quase até as cocheiras, alguns cavalos que dormiam fora foram realocados de piquetes para ficarem em locais secos. “Assim que as chuvas pararam, para a nossa sorte, o nível da água baixou antes da alta grande do Guaíba. Com isso, não ficamos com problemas”, detalhou. Por causa do cavalo crioulo, Petra Garbade apontou que existem muitos locais pequenos que estão ajudando no que podem. “Quem tinha lugar, colocou para dentro os cavalos que precisavam”, disse.

Garbade acredita que pode enfrentar problemas de abastecimento de insumos. “Nosso feno, aveia, tudo vem do interior do Estado, das zonas ou, pelo menos, das estradas que foram destruídas. Então, é bem possível que a parte de insumos dos cavalos demore mais tempo”, avaliou. Por enquanto, ela disse que os mantimentos só conseguem chegar pelas vias do litoral. Uma das soluções para o HGG será cortar pasto, já que Garbade avalia que o que tem lá dure por mais dez dias.

Elisa Müller monta em sua propriedade, que fica na zona sul de Porto Alegre, uma área rural. “Minha rua não tem saída; no final da estrada já estamos direto no Rio Guaíba. Nossa propriedade fica longe e em uma área elevada. O nível não subiu tanto assim na região onde moro. Além disso, tem uma reserva ambiental no fim da rua, que tem uma área enorme e acaba contendo a água”, contou a amazona.

No entanto, no primeiro dia de chuvas fortes, foi necessário abrir algumas valetas e conduzir a água para não encher os galpões de água. “Também precisamos fazer valetas na pista, no redondel e no picadeiro para dar vazão ao aguaceiro. Nunca vi tanta água antes. Os animais tiveram de ficar presos até a situação melhorar, mas a gente conseguiu soltar nos campos mais altos”, detalhou.

De acordo com Müller, muitos vizinhos deram abrigo a cavalos que ficaram sem cocheira, o que ela não conseguiu fazer por não ter cocheiras extras.

Como ajudar:
ONG Pé de Chulé
Doe o valor que puder na chave pix: pedechuleong@gmail.com ou CNPJ: 35.030.574 0001-97

Doma Centro Equestre
Chave pix: 51 981451110, em nome de Marta Bercht Brack — segundo ela, o dinheiro será usado para o manejo dos quatro cavalos alojados e, em caso de excedentes, o montante será repassado para a ONG Pé de Chulé.

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