Julio Mendoza Loor, ouro individual: “Há que sonhar muito grande”

Quillota, Chile — A primeira vez que o equatoriano, radicado há 18 anos nos Estados Unidos, Julio Mendoza Loor montou Jewel’s Goldstrike ele gostou tanto que decidiu comprá-lo. Pagou um valor simbólico de USD 20 para fins de contrato, sendo mais um gesto de patrocínio da antiga dona e hoje sua amiga, Eliane Cordia-van Reesema. Desde então, a dupla tem escalado sonhos maiores e, na última quarta-feira (25/10), conquistou o maior feito até agora da carreira: a primeira medalha de ouro de adestramento de seu país nos 72 anos de história dos Jogos Pan-Americanos e uma vaga individual para a Olimpíada de Paris 2024.

“Há que sonhar muito grande, nunca percam o sonho de ser algo. Em meu país, eu era tratador até que um dia meu pai teve uma escola própria. Eu sempre gostei de montar adestramento e nunca perdi a meta de sair do país e montar melhor”, disse em entrevista em vídeo (assista abaixo).

O Pan classifica dois países para competir por equipes e duas nações para vagas individuais. Além de Mendoza Loor reivindicar uma para o Equador, a outra foi para o Chile, depois que Svenja Grimm e Doctor Rossi terminaram em oitavo na competição de GP estilo livre com música.

Antepenúltimo a entrar em pista, Mendoza entrou para buscar o ouro. Ele chegou ao Chile como favorito, depois de ter feito campanha com notas altas nos EUA. No entanto, no primeiro dia de provas, cometeu erros no grande prêmio e terminou em quinto lugar. No dia seguinte, no GP especial, mostrou que o páreo seria duro, ao subir o porcentual final e tomar a liderança.

>>> Resultados individuais

Na final individual, no GP estilo livre com música, Jewel’s Goldstrike mostrou todo o seu potencial. “Principalmente depois da minha última pirueta/piaffer, direto da pirueta para o piaffer, o que é muito complicado, Goldie estava realmente pronto para isso. Depois disso tive que conter as lágrimas, porque só queria chorar!”, disse. >>> Continua após o anúncio; assista à entrevista feita na zona mista.

Vida no pasto
Longe das baias, Jewel’s Goldstrike vive uma vida de liberdade. Ele mora em piquete 24 horas por dia, sete dias por semana, sai de cavalgada três vezes na semana, tem tratamentos como massagem, quiropraxia e acupuntura uma vez na semana e vai para a pista trabalhar quatro vezes na semana. “É um cavalo que tem botas de gelo todos os dias, acupuntura, está mais cuidado que eu”, relatou. “Era cavalo muito sensível, por isso que vive fora; eu descobri que quando o soltava no piquete ele ficava melhor”, acrescentou.

Em entrevista ao Adestramento Brasil na zona mista e com o ouro no peito, o equatoriano disse que os erros no GP foram como um momento de despertar-se e tratar de fazer melhor no GPS. “A preparação vem sendo longa, treino online com David [Hunt, o atual presidente do British Dressage e do International Dressage Trainers Club]. Falamos quatro vezes na semana e fazemos um treinamento muito cauteloso. Não imaginei que chegaria ao Chile como um dos favoritos. Quando cheguei, começaram a me dizer que era… muita pressão”, contou o medalha de ouro.

Depois do recorde pessoal dele e de Goldie, o castrado holandês warmblood ganhará dois meses de descanso, fazendo passeios ao campo. “Mas sem treinar na pista para que se tranquilize mentalmente e saiba que não tem de ir trabalhar na arena. Me vale mais ter cavalo com cabeça e corpo saudáveis”, destacou.

Foto: Miguel Campos/Santiago 2023 via Photosport

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