Com a abertura do embarque de cavalos para a União Europeia, criadores estão aproveitando o corredor para exportar animais para o velho continente. Na última semana, 25 animais — sendo 23 lusitanos e 18 deles da Fazenda Sasa — chegaram à Europa e foram desembaraçados e aceitos sem qualquer problema pelas autoridades europeias. A primeira viagem para Europa diretamente do Brasil ocorreu há três meses, quando dois animais foram para o Luxemburgo.
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Nuno Miguel Gomes da Costa Brito Eusébio, presidente da Câmara Setorial de Equideocultura (CSE), explicou que, agora, foram 25 animais para Frankfurt (Alemanha), com diferentes destinos finais, como Holanda e Portugal. “Alguns dos animais foram para cavaleiros brasileiros seguirem na competição com os mesmos e representarem a bandeira do Brasil na Europa e no mundo; outros foram para participar de criatórios brasileiros na Europa e alguns foram comercializados e exportados para europeus, destacando assim a criação brasileira como produto de interesse na Europa”, assinalou Brito Eusébio.
Ele classifica a exportação como “os primeiros passos para o desenvolvimento de um importante mercado e de tornar a Europa como escala para outros mercados que se abrem ao Brasil com esta etapa”.
Em agosto de 2024, o governo brasileiro anunciou a autorização, pelas autoridades sanitárias da União Europeia, para que o Brasil exportasse equinos vivos. Isso se deu com o Certificado Zoosanitário Internacional (CZI) sendo considerado válido a partir da zona BR-1 (Paraná e Rio de Janeiro). O Brasil estava, desde 2014, impedido de exportar para a União Europeia devido à detecção de mormo em um animal exportado. Esse embargo foi formalizado na Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Em 2022, com a mudança dos requisitos da União Europeia, o Brasil identificou uma oportunidade de negociação, que levou dois anos para culminar na reabertura do mercado.
Comentando sobre os benefícios da reabertura, o Ministério da Agricultura e Pecuária assinalou ao Adestramento Brasil que os criadores nacionais, anteriormente, enfrentavam altos custos com a necessidade de realizar a quarentena dos animais em outros países antes de exportá-los para a União Europeia. Agora, essa etapa intermediária não será mais necessária, reduzindo custos e simplificando o processo.
O presidente da Câmara Setorial de Equideocultura adiantou que pode existir a possibilidade de algumas companhias aéreas retomarem a partir de março ou abril a operação regular no aeroporto do Galeão e segue a hipótese de pagar desvio de rota (como foi o caso do embarque dos 25 animais).
“Gostaria de dar os parabéns a todos os envolvidos neste processo. Ficou assim demonstrado que é possível ser organizada uma estrutura completa que atenda a todos os requisitos de segurança, bem-estar, normas técnicas, seguro etc”, apontou. “Esta é uma conquista de todos e para todos do nosso setor de equideocultura. Fico muito orgulhoso de ter participado deste processo e desejo que se torne referência para o futuro. Ainda há muita coisa a ser feita: liberar embarque de asininos (apenas cavalos / equinos e não equídeos estão autorizados), liberar embarque de material genético, autorizar outros Estados a embarcar. E temos muito trabalho para liberar novos mercados e trânsitos. Parabéns a todos e obrigado a todos!”, concluiu Nuno Eusébio.
Dos 18 animais da Sasa, 15 são éguas doadoras de embriões jovens e comprovadas da Fazenda Sasa no Brasil. Elas estão a caminho da Quinta da Torre, casa da Sasa Horses em Portugal. Além destas 15 éguas, estão também a caminho do Solar do Zambujeiro três cavalos Sasa, filhos do Único, garanhão referência do haras, para serem montados pelo cavaleiro Mário Freire.

