CAN do Paraná marca retomada do Estado com provas nacionais

Promover a realização de concursos nacionais (e até internacionais) fora de São Paulo é um pilar fundamental para a expansão do adestramento no País. Foi justamente esse o desafio de Thiago Henrique Asinelli, diretor da modalidade na Federação Paranaense de Hipismo, ao levar a cabo um CAN em Curitiba. “Queria fazer um concurso com nível técnico que não era visto há mais de 20 anos na região. Para isso, fomos em busca do apoio da Sociedade Hípica Paranaense, que tem piso de última geração e permitiu que as apresentações tivessem um alto nível. Pudemos ter um gostinho dos conjuntos de small tour, graças à Sasa Horses que trouxe nove animais para competir”, conta Asinelli.

O diretor estadual destaca que fazer o CAN foi desafiador. “Não tínhamos nem um picadeiro adequado para um evento dessa importância. Conseguimos alguns patrocinadores, que ajudaram muito a viabilizar esse projeto. A CBH deu todo o suporte técnico e contamos muito com a sorte de termos tempo bom. Até o inverno saiu de férias durante o evento!”

O CAN recebeu 36 conjuntos oriundos do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul em diversas categorias. “Achei o CAN muito bem organizado e conduzido. No geral, os cavalos estavam bem e muito saudáveis. Podem melhorar no quesito elasticidade da moldura de acordo com o nível de reunião ou extensão pedidos nos movimentos”, aponta o juiz nacional André Ganc que integrou o júri de campo.

Também juíza das provas, Cintia Cimbaluk assinalou que as apresentações, em geral, foram boas, com os atletas paranaenses apresentando evolução gradual em qualidade técnica. “Neste CAN, eles mostraram mais um avanço. Já os concorrentes profissionais e amadores vindos de São Paulo trouxeram seu know-how no esporte e mostraram reprises bem executadas, com cavalos bem apresentados”, diz.

Por estar fora do circuito de adestramento, a Sociedade Hípica Paranaense apareceu com um local neutro para os atletas. “Esse foi um ponto importante, pois permitiu aos cavaleiros e às amazonas competirem em condições igualitárias em questão de ambientação e possibilitou expor os cavalos a estímulos diferentes, permitindo o treinamento de habilidades como confiança e submissão”, pontua Cimbaluk, para quem esse ponto talvez tenha sido o maior desafio para vários conjuntos.

“Trabalhar a confiança, a coragem e a calma nos cavalos é essencial no nosso esporte. Participar de eventos em outros Estados é uma ótima oportunidade para treinar essas habilidades. Daí a importância de serem feitos concursos nacionais também fora do estado de São Paulo”, acrescentou a juíza.

Na mesma linha, a diretora de adestramento da Confederação Brasileira de Hipismo e juíza nacional e internacional FEI L3, Claudia Mesquita, diz que viu cavalos que tradicionalmente não vão a São Paulo e que “foi muito interessante poder julgá-los”, ao mesmo tempo em que o CAN contou com conjuntos que já marcam presença em competições e cavaleiros consagrados. “Sempre é muito bom ter um pessoal de renome, porque eles propiciam que as pessoas consigam ver um adestramento melhor e terem vontade de alcançar, de chegar a esse patamar. E terem a consciência de que podem chegar. Ou seja, vão se espelhar”, pondera Mesquita.

Contar com cavaleiros mais tarimbados e experientes participando desses eventos incentiva aqueles que estão iniciando e que almejam chegar a um nível melhor. Além dos cavaleiros da Sasa Horses, o Eduardo Lima ministrou clínica.

Retomada importante
“No início dos anos 2000, Curitiba fazia parte dos grandes campeonatos e CANs, chegando a sediar CBAs. Com o tempo, foi perdendo espaço e acho que faltava acreditar no potencial dos conjuntos paranaenses para sediar novamente grandes concursos”, ponderou Asinelli sobre a retomada de provas nacionais no Paraná. A ideia é fazer com que Curitiba faça parte regular dos grandes concursos e, acrescentou o diretor estadual, “quem sabe até, em curto ou médio prazos, sediar um CDI”.

Claudia Mesquita corrobora a visão. “O CAN foi um sucesso e marca uma retomada do Estado do Paraná em relação ao adestramento, que é fundamental. No passado, o Paraná foi sempre um Estado tradicional nas nossas provas nacionais e internacionais. Temos interesse em retomar todos os Estados que, no passado, faziam nacionais e internacionais para a gente abrir um pouco mais o leque do adestramento”, avalia Mesquita.

Os CANs realizados fora de São Paulo trazem a oportunidade de mais atletas participarem de eventos nacionais e, assim, terem uma experiência mais completa no esporte. “Participar de um CAN estimula ainda mais os cavaleiros e amazonas a evoluírem no trabalho com seus cavalos; e proporciona a oportunidade de observarem concorrentes de outros Estados. Essa troca gera integração e aprendizado a todos”, diz Cintia Cimbaluk.

Claudia Mesquita ressalta que a meta é expandir o adestramento de forma que outros Estados e cidades sediem provas importantes. “Eu, quando fui diretora da CBH há uns anos atrás, deixei um circuito grande, que era Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A nossa intenção de uma forma paulatina, é, chegar a conseguir ter esse circuito novamente e talvez até explorar um pouco mais”, adianta.

Paraequestre — Antes de iniciar o CAN, foi realizada uma etapa do Desafio Brasil no adestramento paraequestre, com julgamento de Mesquita. “Teve a prova e depois a avaliação do vídeo. E acho que foi muito bom”, assinala a diretora da CBH. Somando os dois eventos, Mesquita calcula participação de 46 conjuntos.

O júri de campo do CAN será presidido pela diretora de adestramento da CBH, Claudia Moreira de Mesquita, e tem como membros os juízes nacionais André Ganc (SP), Petra Garbade (RS) e Cintia Cimbaluk (PR). Renan Vicente Prestes Gil é o comissário-chefe do concurso.

Foto: pódio da forte 1 profissional que teve vitória de Carlos Vicente Pereira Cardoso, da Sasa Horses | Crédito da foto: Grace Cambraia / GoJump

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Reveja as provas:

Sábado, 26/7:

Domingo, 27/7

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