A privação do sono tem consequências diretas para o cavalo atleta. Em entrevista em vídeo, Neimar Roncati, veterinário, mestre e doutor em clínica médica de equinos detalhou os resultados de um estudo feito em conjunto com uma equipe multidisciplinar da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Jaguariúna.
Os cavalos repousam cerca de três, quatro horas por dia, de maneira fragmentada — não é de maneira contínua como nós. Durante 24 horas, o cavalo faz meia hora de repouso, depois mais uma hora e que pode ser em pé muitas vezes. “Mas, para o repouso profundo, que é o sono REM, quando você tem relaxamento profundo dos músculos, o cavalo precisa de 20 a 40 minutos a cada 24 horas”, explicou.
Para o estudo, os pesquisadores inibiram o cavalo de entrar no sono REM durante um período de 72 horas. Foram três noites com acompanhamento por câmera. Depois disso, foram avaliados os fatores cognitivos dele, como por exemplo, encontrar o cocho de água, o cocho de alimento, desempenho ao ser montado.
“O que se percebeu nesse trabalho foi que a privação do sono em 72 horas começa a levar a uma perda cognitiva de desempenho deste animal”, disse, explicando que foram notados padrões diferentes de cansaço, como uma irritabilidade maior, perda cognitiva e não desempenhar como desempenhava antes quando estava em um padrão normal de dono.
Neimar Roncati ressalta que é importante falar sobre o tema, porque ainda existe uma crença de que deixar o cavalo sem dormir por um longo período vai deixá-lo mais submisso para montaria. E o estudo mostrou o inverso. “Isso não acontece. Ele começa a ficar mais irritado, ter menor desempenho, começa a entrar mais em fadiga, como os atletas humanos”.
Outra crença é deixar as luzes acesas durante a noite para afastar, por exemplo, morcegos. Ainda que não existam trabalhos mundialmente falando sobre isso, se supõe que o cavalo, como mamífero que é, precisa de escuridão total e ausência de som.
Além da luz, som muito alto, barulho, predadores por perto, muito cachorro latindo: tudo isso pode interferir no padrão de sono. E, muitas vezes, nas competições, quando mais ele precisa descansar bem para desempenhar melhor, o ambiente não propicia o sono profundo e reparador. “Hoje, em provas da Federação Equitação Internacional, da meia-noite às 6 horas, a luz tem que ficar apagada”, reforçou.
Assista à íntegra da entrevista:


