Diante da tragédia pela qual passa o Rio Grande do Sul, médicos veterinários e a comunidade hípica estão juntando esforços para enviar doações aos animais. De São José dos Campos, um grupo de veterinários viaja para fazer atendimentos; sócias do CHSA se juntam para enviar aviões com doações; e de Ibiúna partem doações para animais. Conheça algumas das iniciativas e saiba como ajudar.
Nesta quarta-feira (08/05), o médico veterinário Ricardo Godoy sairá do interior de São Paulo na companhia de 15 colegas rumo ao Rio Grande do Sul. Eles irão trabalhar com os animais resgatados e no intensivismo. O número de veterinários voluntários está aumentando, conforme ele contou ao Adestramento Brasil. “A gente sai na quarta à tarde de São José dos Campos, onde me formei. O assunto surgiu em um grupo de WhatsApp, a ideia tomou corpo e a prefeitura de São José dos Campos vai nos ajudar junto com a iniciativa privada de Taubaté”, disse. “Até o momento, somos 16 veterinários, mas este número está aumentando. Tenho sido muito procurado por gente querendo ajudar. A ideia é que façamos um rodízio”, acrescentou.
Os veterinários têm especializações diversas, como cavalos, bovinos, animais silvestres (um pedido vindo do RS, já que houve resgates nesse sentido) e animais de pequeno porte, como cães e gatos. Eles irão em ônibus acompanhados por dois caminhões repletos de doações recebidas, além de medicamentos e mantimentos para animais comprados com o dinheiro arrecadado por meio de uma campanha liderada por Godoy. Como os veterinários permanecerão no RS, em esquema de rodízio, ainda é possível ajudar. Para fazer doações, a chave Pix é ricardogodoyvet@gmail.com.
Os veterinários, em princípio, serão alocados em Gravataí e Canoas e farão os atendimentos voluntários em 15 postos, incluindo diversas ONGs e locais cedidos pelas autoridades. “A ideia é manter sempre veterinários lá”, disse Godoy. Até o momento, o grupo conseguiu arrecadar medicamentos equivalentes a R$ 20 mil e 1400 fardos de feno.
No Clube Hípico de Santo Amaro, um grupo de voluntários se juntou para arrecadar mantimentos e equipamentos para cavalos. Dois aviões estão programados para sair de São Paulo rumo a Belém Novo nesta quinta-feira (09/05), segundo Daniela Miró de Campos. “Estamos em contato com a ONG Pé de Chulé, que está organizando também a distribuição entre as instituições que estão cuidando dos cavalos”.
Para quem quiser contribuir, o ponto de coleta é no pavilhão Sandro no CHSA. “A ideia é conseguir mandar outro avião ou caminhão na semana que vem! As doações não podem parar”, reforçou Daniela Miró. Ela acrescentou que também serão adquiridos diversos medicamentos. “Fiquei muito feliz em ver o mundo hípico ajudando, arrecadamos muito dinheiro. Agora estamos organizando e comprando tudo para poder levar para as ONGs de cavalos que estão precisando muito”, completou a amazona.
Pets — Em Ibiúna (interior de São Paulo), veterinários se juntaram para arrecadar e enviar suprimentos essenciais às áreas afetadas e aos abrigos que estão cuidando dos pets resgatados. O objetivo, segundo o veterinário Rafael Mide, é garantir que esses animais tenham acesso aos cuidados e à nutrição que precisam. A clínica veterinária Animale, que possui unidade em São Roque e em Ibiúna, está recebendo doações de ração, sachês de comida úmida, cobertores, produtos de higiene, água potável, entre outros.
O grupo também conseguiu parceria com produtores rurais, que colocaram à disposição caminhões para levar o que foi arrecadado — um caminhão sai nesta quinta (09/05) e outro está programado para sair na próxima terça (14/05). Para participar, leve as doações à unidade de São Roque (rua Mathias Leme de Barros, 109, centro) ou à de Ibiúna (rua coronel salvador Rolim de Freitas, 500, centro).
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Situação
As chuvas castigaram a ONG Pé de Chulé, de resgate e reabilitação de cavalos vítimas de maus tratos, que, segundo a presidente Ana Paula Sena, ficou devastada. Com sete anos de existência, hoje a ONG tem 73 cavalos resgatados que foram vítimas de maus tratos, além de outros animais, chegando a cerca de 250 bichos. Com as chuvas e os alagamentos, muitos cavalos remanejados para campos próximos cedidos, mas outros ainda estão na ONG.
“Os cavalos mais velhos, debilitados ou com problema de locomoção estão na ONG. Estamos numa força tarefa. Perdemos muitas coisas materiais: baias, fiação etc. A situação é caótica”, detalha Ana Paula Sena. A ONG está com uma campanha para arrecadar fundos para reconstruir tudo que foi devastado. E também para seguir na ativa. Sena contou que estão recebendo muitos pedidos de ajuda com cavalos embaixo d’água. “Estamos tentando fazer o que podemos. A água ainda está subindo em algumas localidades e sabemos que vem mais chuva”, lamentou.
Quatro cavalos da ONG Pé de Chulé foram remanejados no Dama Centro Equestre, localizado no Lami, zona sul de Porto Alegre. “Nosso bairro foi muito atingido pelos alagamentos por conta da proximidade do Lago Guaíba. Nós estamos bem afastados do lago, portanto, não fomos afetados pelos alagamentos; estamos em segurança”, relatou Marta Brack, proprietária do Dama. “Muitos dos cavalos da ONG foram realojados em campos de voluntários, porém, estes quatro que estão conosco precisavam ser encocheirados por estarem em tratamento de feridas nos locomotores. Conseguimos duas cocheiras e nos adaptamos para conseguir abrigar os quatro animais”, detalhou.
Como ajudar:
ONG Pé de Chulé
Doe o valor que puder na chave pix: pedechuleong@gmail.com ou CNPJ: 35.030.574 0001-97
Doma Centro Equestre
Chave pix: 51 981451110, em nome de Marta Bercht Brack — segundo ela, o dinheiro será usado para o manejo dos quatro cavalos alojados e, em caso de excedentes, o montante será repassado para a ONG Pé de Chulé.



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