A partir de 1º de dezembro, passa a ser proibido, nos Estados Unidos, o uso de rédeas duplas do tipo freio-bridão antes da série equivalente no Brasil à forte 1 (fourth level). Antes, era permitido montar em provas usando freio-bridão a partir do equivalente à média 2 (third level). A mudança levada a cabo pela Federação Equestre dos EUA (USEF) gerou discussões naquele país. Em nota publicada pela USEF, Mike Osinski, membro do Comitê de Adestramento da USEF, juiz credenciado pela USEF (categoria “S”) e pela FEI/L4, explicou que até o terceiro nível, ainda se está trabalhando os fundamentos; os cavalos estão apenas começando a entrar na fase de reunião e pela, primeira vez, se exigem apoios e mudanças de pé. “Exigir demais de um cavalo em desenvolvimento de uma só vez é sobrecarregá-lo, além de não ser funcional”, apontou.
O Conselho da US Equestrian aprovou alterações na norma DR121 (Arreios e Equipamentos) — especificamente a proposta 144.25 —, que elimina a opção de utilizar freio-bridão e rédea dupla (double bridle) no terceiro nível, após uma discussão que se arrasta há pelo menos 15 anos, de acordo com Mike Osinski membro do Comitê de Adestramento da USEF e juiz credenciado pela USEF (categoria “S”) e pela FEI (nível 4, anteriormente classificado como cinco estrelas). “Não se trata de uma reação precipitada”, afirmou Osinski.
A proposta de mudança na regra originou-se no comitê de adestramento, cujos membros incluem cavaleiros, treinadores, juízes, amadores, organizadores de competições e proprietários. A força-tarefa da USEF sobre ética e bem-estar equino no adestramento — que elaborou diretrizes para a progressão de níveis (Dressage Riding Standards Guidelines) e vem revisando as normas sobre equipamentos — também recomendou alterações no uso do bridão duplo e rédea dupla.
Todas as propostas padrão de alteração de regras, incluindo esta, passam por um período de consulta — que começa em setembro e termina em maio — aos membros, oportunidade para expressar opiniões. Os comentários dos membros são anexados à proposta de mudança e analisados pelos comitês competentes da USEF e da USDF durante as discussões e votações sobre a alteração. Comitês de ambas as organizações podem recomendar a aprovação ou rejeição da medida; além disso, o Conselho da USDF também vota a proposta antes que ela siga para os Conselhos da USEF e, finalmente, para o Conselho Diretor da USEF.
Osinski explicou em nota publicada na USEF que todas as pessoas que integram os comitês são cavaleiros, treinadores ou organizadores de competições. Ele enfatizou que o Comitê de Adestramento adotou uma abordagem multifacetada e avaliou as tendências atuais ao discutir e propor essa alteração na regra.
Segundo ele, a decisão levou em conta os fatores como o fato de que os cavalos de adestramento de hoje são mais sensíveis e leves do que aqueles criados há 50 anos; a evolução na equitação e no treinamento; as exigências da categoria de cavalos novos da FEI, que não permitem o uso de bridão e rédea dupla nas provas internacionais para cavalos menores que seis anos, equivalente ao terceiro nível; as propostas de alteração de regras da FEI em análise, indicando o desejo de eliminar a opção de uso de bridão e rédea dupla nas provas da categoria júnior da FEI, também equivalentes ao terceiro nível; as discussões em curso sobre o bem-estar dos cavalos; e a escala de treinamento.
Em nota, a USEF argumentou que, embora a idade do cavalo tenha sido um fator considerado, ela representou apenas uma pequena parte da equação. Osinski destacou a importância do treinamento progressivo dos cavalos nos níveis iniciais — fase em que aprendem, cometem erros e aprimoram o equilíbrio — como um aspecto fundamental. A questão central, disse, é determinar em qual estágio de desenvolvimento do cavalo ou do cavaleiro o bridão e o freio-bridão com rédea dupla se torna a ferramenta adequada.

