Devido à pandemia, Interagro adapta rotina e suspende ranking interno

A Interagro Lusitanos teve sua rotina adaptada para assegurar que seus funcionários cumprissem boas práticas de segurança para evitar a propagação e a contaminação de Covid-19. Em quarentena, o haras, localizado em Itapira, no interior de São Paulo, suspendeu o Ranking Interno de Adestramento da Fazenda Interagro (RIFI) já que a presença de juízes oficiais fica impossibilitada. Em entrevista à série especial que Adestramento Brasil está conduzindo com objetivo de entender como as restrições impostas pela pandemia e a suspensão das competições afetam haras e atletas, Rafaela Meibach Montora e Martina Irene Brandes, respectivamente, gerente e treinadora responsável na Interagro explicam as mudanças.

Adestramento Brasil — Para começar, conte brevemente um pouco do haras.
Martina Irene Brandes e Rafaela Meibach Montora — A Interagro localiza-se em Itapira (SP) e dedica-se à criação do puro sangue lusitano desde 1974. São 450 hectares divididos em piquetes que circundam o centro do Haras onde estão localizadas as instalações. O plantel atual é de aproximadamente 450 animais, dentre eles éguas e garanhões idosos já aposentados; cavalos de atrelagem, lida e adestramento; 141 matrizes; 20 garanhões; e potros e potras a campo com idades entre a desmama e os três anos.

Como a pandemia afetou a Interagro?
No princípio, estavam todos perdidos já que os prefeitos falavam uma coisa e governadores, outra. Teve a Medida Provisória 927 nos auxiliando com as antecipações de férias e feriados, o que nos possibilitou preservar nossos colaboradores que residem fora da fazenda a ficarem em suas casas. Até o momento foi o único período mais confuso e que exigiu adaptação e alteração de rotina. Por exemplo, paramos a atrelagem e todos foram para o campo para podermos contar com a essencial ajuda dos condutores de atrelagem que aqui residem para rodar cavalos à guia, ajudar nos turn outs — soltar os cavalos no piquete por algumas horas diariamente — e banhos.

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Rafaela Meibach Montora, gerente da Interagro 

O que mudou na rotina mudou por causa da pandemia?
Os passeios estão mais frequentes, pois é uma boa saída para o distanciamento recomendado, evitando-se assim de trabalhar mais de um animal por picadeiro. Somos privilegiados com uma boa estrutura: são dois picadeiros cobertos, dois redondéis, pistas de adestramento, de equitação de trabalho e de atrelagem em medidas oficiais, seis pavilhões de cocheiras, pavilhão de atrelagens, centros veterinário e de ferrageamento e administração; então, dificilmente falta espaço para trabalhar os cavalos, se não estiver chovendo. A rotina dos cavalos segue a mesma, aos domingos não trabalham, aos sábados costumam fazer exterior (passeios) e treinam de segunda a sexta-feira.

Com relação aos campeonatos, qual é o foco do haras para 2020, pensando que podemos ter as provas reiniciadas no segundo semestre?
Sentimos muito não poder dar continuidade ao nosso Ranking Interno de Adestramento da Fazenda Interagro (RIFI) com a presença de juízes oficiais. Fazemos quatro etapas durante o ano, onde os cavalos jovens podem ser iniciados em concursos e os mais treinados manter o condicionamento físico e mental de prova (saiba mais aqui). As provas do RIFI são de extrema importância no treinamento dos equitadores e dos animais, já que os equitadores devem se preparar adequadamente para as provas, saber reprises de diversas séries, controlar o tempo de aquecimento de cada animal e se apresentar para serem julgados por uma juíza ou juiz. Os animais são colocados em uma situação de competição, onde passam por diversas preparações e mudanças em seu ritmo de trabalho, que são de extrema valia em seu treinamento.

A atrelagem talvez seja a mais prejudicada, pois não é fácil e nem barato organizar uma prova desta disciplina, dependendo também de local que comporte, já que a pista é maior e necessita-se de uma área para aquecimento. Os treinos em casa seguem a mesma rotina, com novos animais aguardando para estrear! Na atrelagem, estamos evitando sair com as quadras, apenas parelhas. Só que eles ficam próximos no carro, por isso, a indicação de usarem máscara para se prevenir.

O treinamento para equitação de trabalho nunca parou, contamos com pista exclusiva montada com os obstáculos que são muito utilizados no treinamento dos cavalos recém- desbastados. É muito bom para eles passarem pelos obstáculos e irem se acostumando com porteiras, ponte, redil etc. Cavalos de todas as modalidades treinam lá e adoram!

Martina Brandes arquivo pessoal
Martina Irene Brandes, treinadora responsável na Interagro

Quais medidas de segurança para preservar a saúde das pessoas foram tomadas no haras para evitar o contágio da Covid-19?
As determinadas pela Secretaria da Saúde Municipal de Itapira que consistem basicamente em distanciamento, higiene das mãos e equipamentos. De certa maneira, não mudou muito a rotina já que cada profissional tinha seu material de trabalho (sela, cabeçadas, mantas, luva, capacete etc.) que não é compartilhado. A higienização do material dos cavalos segue a mesma rotina e o de uso pessoal também — já borrifávamos Lysol nos capacetes após o uso. As mantas e ligas são lavadas em área separada e há anos temos uma pessoa que se dedica exclusivamente a isso.

De novidade mesmo, as visitas ao haras que estão suspensas até segunda ordem; frascos de álcool em gel em todos os setores e cocheiras e a adição do mesmo e sabonete às cestas básicas oferecidas aos colaboradores. Os funcionários estão bem conscientes e aplicados quanto ao distanciamento; a maioria mora com os pais (grupo de risco) aqui na fazenda e sabem que devem proteger suas famílias. Todo mundo tem suas máscaras, que foram feitas pela mãe do professor de inglês que dá aulas para a equipe. Ela é costureira e fez com as sobras e retalhos das decorações de leilão que era tudo algodão de trama fechada; ficaram uma graça com motivos de cavalos!

Créditos fotos: abre e Martina: Tupa | Rafaela: Martina Irene Brandes

SÉRIE ESPECIAL DE ENTREVISTAS — Quando o surto da Covid-19 chegou ao Brasil, as competições pararam e, para tentar frear o avanço da doença, a quarentena foi decretada. Contudo, quem lida com cavalos atletas sabe que o trabalho precisa seguir. Para entender como o período de pandemia está afetando profissionais e haras, Adestramento Brasil preparou uma série de entrevistas com diferentes coudelarias, amazonas e cavaleiros. Todas as entrevistas publicadas nos próximos dias estão reunidas nesta página

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