Trabalho de plano: o que não pode faltar no treino diário?

Que o trabalho de plano é fundamental para todas as modalidades, todos sabemos. Mas como deve ser o planejamento dos treinos e o que não pode faltar? Esse é o tema da segunda entrevista com Angela Marchi, amazona, titular do Haras da Essência e professora de adestramento voltada para o plano de salto, para a série que Adestramento Brasil está fazendo para difundir conhecimento sobre como os atletas de salto — de outras modalidades — podem aprimorar sua equitação com trabalho de plano


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Adestramento Brasil — Angela, na primeira entrevista, explicamos o que é o trabalho de plano e a sua importância para os atletas de salto (leia aqui). Entrando mais a fundo nisso, gostaria de saber quais exercícios não podem faltar nos treinos e por quê?  
Angela Marchi — Transições sempre! Em qualquer nível que o conjunto esteja, é necessário focar em transições: trote –passo; passo-trote; trote–galope; galope–trote. Além disso, alongar o trote e reunir (lembrem-se de que reunir não é encurtar), alongar o galope e reunir através da rédea externa e em círculos para facilitar a entrada do posterior interno.

O cavaleiro de salto tem por hábito só partir ao galope do passo, mas, quando você parte do trote para o galope, são outros grupos musculares que você trabalha. É preciso trabalhar todos os grupos musculares do cavalo. Gosto sempre de comentar sobre a Maya Gabeira, surfista recordista mundial de ondas grandes. Ela não trabalha só as pernas. Ela trabalha folego, apneia (que, para alguns especialistas, salvou sua vida) musculação etc.

As transições bem feitas são a chave de uma equitação feliz e saudável para o cavalo. Gosto de ter em mente quando estou trabalhando um cavalo, principalmente, os quatro primeiros princípios da Escola de Treinamento Alemão: ritmo, suppleness, contato e impulsão. suppleness é traduzido como descontração, mas é mais que isso. São os músculos trabalhando relaxados, descontração e elasticidade. O cavaleiro precisa ter ritmo para fazer uma pista de salto, para não ficar puxando na boca do cavalo ou estar lento demais, ou o cavalo dando passadas curtas e não longas (mais desgaste para o animal). Sem ritmo, o cavalo não tem suppleness e vice-versa. Para mim, ritmo e suppleness estão interligados. Um não existe sem o outro. Quando o cavalo tem ritmo e está suppleness, o contato chega e assim por diante.

Os exercícios de plano devem ser planejados segundo a estratégia de treino do salto? Isso é: os exercícios são os mesmos para um cavalo que salta 0,80 m e outro de 1,30 m? Ou a evolução do trabalho de plano independe do quão alto o conjunto salta?
Os exercícios podem ser os mesmos; o nível de exigência é que pode ser aumentado de acordo com o nível de trabalho que está do conjunto e não necessariamente com a prova que o cavalo está saltando.

Na entrevista anterior, você mencionou trabalhar voltas e círculos. Quais são os exercícios e como executá-los? Basta apenas fazer um círculo? O que o atleta tem de observar e buscar na execução de voltas e círculos?
Em primeiro lugar, deve-se ter o ritmo. O nível de trabalho que o cavalo está vai definir o tamanho do circulo, mas, em qualquer caso, lembre-se de não fazer um ovo. Use marcações para ajudar. Um potro de três anos deve começar com círculos de 20 metros; aos quatro, de dez metros, até conseguir ter equilíbrio para um círculo pequeno, quase uma pirueta. Quando se força um potro de 3,5 anos a fazer um circulo de cinco metros, ele vai fazer, só que terá que usar músculos auxiliares para ter equilíbrio e não é essa a  meta. Não se esqueça, cavalos são muito generosos e fazem o que pedimos.

No percurso de salto, saber executar bem avançar e reunir o galope é essencial. Como treinar isso no trabalho de plano? Que dicas você dá para o cavalo não reagir, perder impulsão ou sair em disparada em vez de apenas aumentar?
Faça transições e peça para um treinador que conheça a Escola de Treinamento Alemão olhar uma vez por semana o desenvolvimento do conjunto. Hoje, temos Skype, WhatsApp… uma aula pode ser dada online, o que pode baratear e ajudar no desenvolvimento do conjunto. Mas um treinador in loco dando uma aula é sem duvida é a melhor opção.  

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Fotos: divulgação / arquivo pessoal

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