CBH: 7 CDIs são para atletas escolherem e visam a qualificar cavalos novos para Mundial

Começando em fevereiro, neste ano, o Brasil vai sediar sete concursos internacionais de adestramento — todos em São Paulo — e o recado da Confederação Brasileira de Hipismo é que a quantidade serve para que os atletas possam escolher os eventos que querem participar e montar seus próprios calendários. Além disso, as provas nos eventos da CBH de cavalos novos, assim como as de mirim, júnior e jovens cavaleiros, serão realizadas nos CDIs e não mais em CANs. O objetivo é fomentar a modalidade, tanto abrindo caminho para que cavalos brasileiros se classifiquem para o mundial, como para incentivar os mais jovens a crescer na disciplina, conforme explicaram, em entrevista ao Adestramento Brasil, a secretária-geral, Tatiana Gutierrez, e o diretor de adestramento da CBH, Sergio de Fiori. A seguir, um resumo dos principais tópicos abordados.


SE VOCÊ PRATICA DRESSAGE, VOCÊ LÊ ADESTRAMENTO BRASIL

E SABE QUE AQUI TEM UMA FONTE CONFIÁVEL E INDEPENDENTE DE CONTEÚDO!

Peça o mídia kit 2024 e coloque sua marca no site mais visitado do adestramento brasileiro! Ou contribua individualmente no valor que quiser para seguirmos com nosso jornalismo – via PayPal (cartão de crédito) ou Pix (contato@adestramentobrasil.com).


Alta performance e CDIs
Serão sete CDIs no Brasil em 2024. A ideia da quantidade de internacionais é que os conjuntos possam escolher em qual ir; e montar seus próprios calendários. Trata-se também de uma preparação para o próximo ciclo olímpico, já mirando os Jogos de Los Angeles 2028.

“Estamos olhando para frente. Vamos começar um novo ciclo e o mais importante é saber quais são os cavalos que poderemos ter para 2026, pensando no Sul-Americano e no Campeonato Mundial de Adestramento. Esta é a relevância de manter um calendário tão ambicioso como o deste ano, com sete CDIs”, reforçou Sergio de Fiori, quando questionado sobre perder a vaga por equipe e os próximos passos.

“Vivemos em um esporte que nada é imediato. Precisamos de pensamento de médio e longo prazos, para preparar os cavalos para 2026 e, se não começarmos a mapear os cavalos agora, se parar de movimentar, a gente vai pecar de novo e cair no mesmo erro. A gente vem em uma crescente”, acrescentou Tatiana Gutierrez. “A ideia não é que você vá nos sete CDIs, mas que possa escolher onde você vai. Estamos dando um calendário para você construir o seu calendário; ter oportunidades para trabalhar”, completou a secretária-geral.

Cavalos novos nos CDIs
As provas de cavalos novos de cinco, seis e sete anos lideradas pela CBH migrarão de concursos nacionais (CANs) para internacionais (CDIs). É uma forma de trabalhar os cavalos novos desde cedo, buscando qualificação para obter vaga no Campeonato Mundial de Cavalos Novos, além de responder a uma demanda dos competidores, já que a entidade escutou muita desconfiança dos atletas por parte dos julgamentos.

Tatiana Gutierrez explicou que, como os cavalos brasileiros radicados no País não competem em CDIs, o Brasil acaba não qualificando os cavalos e não usando as vagas no Mundial. “E é muito importante fomentar a participação, propiciando que os cavalos consigam MERs para se qualificarem no Brasil para o Mundial”, disse a secretária-geral da CBH. Sem competir em CDIs, não é possível buscar os requisitos mínimos e os cavalos nacionais ficam de fora.

O Brasil pode ter uma vaga por cada categoria (5, 6 e 7 anos) e a CBH está desenhando a regra para a escolha de qual animal poderia representar o Brasil em caso de vários alcançarem MERs. O regulamento do Mundial de Cavalos Novos, efetivo em 1º de janeiro de 2023 (não saiu ainda versão atualizada), diz que o MER tem de ser alcançado como combinação atleta/cavalo em teste preliminar ou final, sendo pontuação total mínima de 75% para cavalos de cinco e seis anos e 70% para sete anos.

Com relação à idade, é possível que haja alguma alteração na tabela, assim como houve na modalidade salto. Mas a ideia, segundo Fiori, é seguir o regulamento atual da Federação Equestre Internacional e do Mundial. “A gente continua iniciando a idade hípica no dia 1º de agosto. Em geral, nos últimos anos, nas provas nacionais de agosto a dezembro, vinha escrito no programa que os cavalos novos têm mais seis meses, além de 1º de agosto, e isso mantém os cavalos na mesma categoria”, detalhou o diretor.

O regulamento do Campeonato Mundial de Cavalos Novos estabelece que os cavalos nascidos no Hemisfério Sul entre 1º de agosto e 31 de julho do ano seguinte enquadram-se na mesma faixa etária. Se o Campeonato Mundial acontecer depois de 1º de agosto, os cavalos nascidos no Hemisfério Sul competem na mesma categoria de idade em que se classificaram.

Além disso, a CBH deve sediar o Campeonato Brasileiro de Cavalos Novos à parte do das outras séries e da Taça Brasil.

Formando o futuro
Na mesma linha de preparar os cavalos novos para os principais campeonatos, a CBH expandiu os CDIs para mirim (children), júnior e jovens cavaleiros, como uma maneira de preparar a nova geração para grandes competições. São também categorias para as quais não há tantas exigências da FEI em termos de documentação e taxas, o que facilita a inscrição no internacional.

“O principal motivo de colocar essas séries no CDI é oferecer uma experiência melhor, dar mais experiência a estas pessoas”, diz Fiori.

Ao serem julgados pelos juízes estrangeiros e dentro de um CDIs, promove-se o desenvolvimento dos jovens e os aproxima do alto rendimento, já que, no médio e longo prazos, serão os futuros cavaleiros olímpicos.

Amadores
Questionados sobre o que está sendo planejado para a base do hipismo, ambos dirigentes afirmaram que o Desafio Brasil está confirmado na temporada 2024 com a participação de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Brasília. Além disso, adiantaram que estão trabalhando para desenvolver circuitos satélites a SP, terminando Campeonato Brasileiro com objetivo de fomentar provas em outras regiões.

Caderno de encargo
Até agora, o caderno de encargos da CBH era apenas um, geral, mas a meta passou a ser elaborar cadernos focados nas diferentes modalidades com objetivo de fomentar cada uma das disciplinas dando mais autonomia ao processo e sendo mais realista para cada realidade. Após sair o caderno de encargos de salto, foi lançado o de adestramento. “É um passo importante para a profissionalização da modalidade”, disse Fiori.