Após a veiculação de vídeos com acusações de abuso feitas contra Cesar Parra, atleta de adestramento radicado nos Estados Unidos e que integrou a equipe dos EUA em campeonatos internacionais, a Federação Equestre dos EUA (USEF) emitiu uma nota à comunidade equestre afirmando que está documentando as violações e tomará medidas disciplinares ao mais alto nível em parceria com a Federação Equestre Internacional (FEI).
SE VOCÊ PRATICA DRESSAGE, VOCÊ LÊ ADESTRAMENTO BRASIL
E SABE QUE AQUI TEM UMA FONTE CONFIÁVEL E INDEPENDENTE DE CONTEÚDO!
Peça o mídia kit 2024 e coloque sua marca no site mais visitado do adestramento brasileiro! Ou contribua individualmente no valor que quiser para seguirmos com nosso jornalismo – via PayPal (cartão de crédito) ou Pix (contato@adestramentobrasil.com).
“As imagens e vídeos são perturbadores e mostram um total desrespeito pelo bem-estar dos cavalos e não estão de forma alguma alinhados com os nossos valores e crenças como administradores do desporto equestre nos Estados Unidos”, disse a federação na nota que foi assinada conjuntamente pelo presidente da entidade, Thomas F. X. O’Mara, e pelo CEO, William J. Moroney. Leia a nota na íntegra aqui.
O posicionamento da USEF ocorreu após reunião do conselho de administração da Federação Equestre dos Estados Unidos, na última segunda-feira (12/02), com o caso de Cesar Parra em pauta. Segundo reportou o Dressage-News, a frustração aumentou com o silêncio do órgão governamental nacional face às crescentes acusações de décadas de abuso sexual, tráfico de seres humanos e crueldade contra cavalos.
O Dressage-News também reportou que o FBI (Federal Bureau of Investigation) lançou uma investigação sobre alegações de tráfico humano, impondo controles a funcionários estrangeiros com vistos, em violação das leis dos EUA e da Flórida. Cerca de 40 reclamações contra Parra teriam sido relatadas por fontes.
Ainda segundo o site, ex-funcionários estrangeiros teriam relatado às autoridades eao dressage-news.com que Parra impôs regras que implicavam que ele tinha o poder de retirar vistos para trabalhar nos EUA, o que manteve muitos funcionários trabalhando em seus centros de treinamento em Nova Jersey e na Flórida.
Parra foi temporariamente suspenso pela FEI, que afirmou que Parra “foi imediatamente suspenso provisoriamente, enquanto a FEI investiga as imagens e vídeos perturbadores e abomináveis em relação às suas técnicas de treinamento que surgiram recentemente”. Por sua vez, a USEF disse que está fazendo cumprir a suspensão e apoiando a investigação. E que, para garantir a integridade da investigação, adiantou que não pode divulgar mais detalhes.
A federação também fez um apelo: “É imperativo que, como comunidade, continuemos a responsabilizar-nos uns aos outros e a falar quando vemos algo que põe em perigo a integridade do nosso desporto, a saúde e o bem-estar dos nossos cavalos e/ou o bem-estar dos nossos atletas e membros”.
A USEF solicitou ainda aos membros da comunidade que, caso testemunhem abuso relacionado a cavalos, entrem em contato com a federação.
Investigação na Alemanha — A federação equestre alemã emitiu uma declaração de que está investigando o potencial envolvimento alemão no suposto caso de abuso de cavalos relativo a Cesar Parra. A declaração ocorreu após, em dos vídeos que têm circulado, alguns espectadores terem afirmado ter reconhecido dois indivíduos alemães participando e/ou testemunhando chicotadas de um cavalo.
A Federação Equestre Alemã (FN) disse que vai realizar uma investigação. A nota diz que “a Associação Equestre Alemã (FN) também recebeu na noite de sexta-feira uma coleção de vídeos e imagens de diversas fontes que mostram o tratamento chocante dispensado aos cavalos. Presumivelmente, pessoas da Alemanha estão envolvidas. A FN apresentará uma queixa ao Ministério Público e também examinará de perto se estiveram envolvidas pessoas contra as quais a FN possa investigar e iniciar processos”.
Cesar Parra é colombiano e obteve sua cidadania americana em 2009. Desde então, tem representado os EUA, tendo obtido vários títulos nacionais e fez parte da equipe norte-americana que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em 2011. Antes, competiu pela Colômbia nos Jogos Pan-Americanos de 1999 e 2003; nas Olimpíadas de 2004, nos Jogos Equestres Mundiais de 2002 e 2006 e na final da Copa do Mundo de 2005.
Esta não é a primeira acusação que recaí sobre Parra. Em 2012, ele foi acusado de suposto abuso de cavalos, tendo de comparecer em um tribunal de Nova Jersey (saiba mais aqui), mas foi absolvido três anos depois.



Uma resposta para “Caso Cesar Parra: USEF promete mais alto grau de ação disciplinar; FBI investiga alegações de tráfico humano”