Contaminação em ração da Nutratta já matou 245 cavalos; Mapa diz que caso é inédito no País

A contaminação de rações equinas da empresa Nutratta Nutrição Animal já provocou a morte de 245 cavalos nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas. Desde o recebimento da primeira denúncia, em 26 de maio, por meio da ouvidoria oficial, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tem conduzido investigações dos fatos. Em junho, o Mapa determinou o recolhimento, em todo o território nacional, dos produtos destinados a equídeos com data de fabricação a partir de 21 de novembro de 2024. O caso ganhou repercussão nacional.

A Nutratta Nutrição Animal está sob investigação, e a comercialização dos produtos foi suspensa por risco à saúde animal. O Mapa informou que, em todas as propriedades investigadas, os equinos que adoeceram ou vieram a óbito consumiram produtos da empresa. Já os animais que não ingeriram as rações permaneceram saudáveis, mesmo quando alojados nos mesmos ambientes.

Os resultados das amostras coletadas e analisadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) constataram a detecção de alcalóides pirrolizidínicos, substâncias tóxicas, chamada de monocrotalina, e incompatíveis com a segurança alimentar animal.

Em nota à imprensa, o secretário de defesa agropecuária, Carlos Goulart, disse que se trata de um caso inédito. “Nunca, em toda a história do Ministério, havíamos identificado a presença dessa substância em ração para equinos. É a primeira vez que isso acontece”, afirmou, acrescentando que essa substância, mesmo em doses muito pequenas, pode causar problemas neurológicos e hepáticos graves.

Goulart ressaltou ainda que a legislação é clara de que a substância não pode estar presente em nenhuma hipótese.

A investigação aponta que a contaminação ocorreu por falha no controle da matéria-prima, que continha resíduos de plantas do gênero crotalaria, responsáveis pela geração da monocrotalina.

Processo administrativo – Diante das irregularidades constatadas, o Mapa instaurou processo administrativo fiscalizatório, lavrou auto de infração e determinou a suspensão cautelar da fabricação e comercialização de rações destinadas, inicialmente, a equídeos. Posteriormente, a medida foi estendida para rações de todas as espécies animais.

Mesmo com a interdição determinada pelo Ministério, a empresa obteve na Justiça autorização para retomar parte da produção não destinada a equídeos. O Mapa já recorreu da decisão, apresentando novas evidências técnicas que reforçam o risco sanitário representado pelos produtos e a necessidade de manutenção das medidas preventivas adotadas.

O Ministério informou que “permanece atento a qualquer nova denúncia e manterá a sociedade informada com total transparência”.

Também destacou que as ações de fiscalização seguem reforçadas, com foco na proteção da saúde animal e na segurança da cadeia produtiva. O Mapa reiterou que empresas de alimentação animal devem seguir rigorosamente os protocolos de controle de qualidade.

“Estamos acompanhando de perto. Precisamos garantir que todo o lote contaminado seja recolhido e que nenhum novo caso aconteça”, concluiu Goulart.

Repercussão nacional – Uma reportagem do Fantástico deu a dimensão de uma tragédia. A reportagem mostrou que, no interior de São Paulo, um haras, que comprava ração da Nutratta há cinco anos, perdeu 46 cavalos em apenas dois meses. Também revelou que, em Alagoas, uma propriedade que comercializa cavalos de milhões de reais viu 70 animais morrerem desde maio, incluindo Quantum de Alcateia, um garanhão premiado.

A matéria também explicou que a crotalária, identificada como fonte da contaminação, cresce naturalmente em pastagens e é valorizada por sua capacidade de fixar nitrogênio no solo, agindo como um “adubo verde”. Ela é usada entre as safras para enriquecer a terra, garantindo uma melhor qualidade para plantações futuras de soja ou milho.

Adestramento Brasil procurou a Nutratta, mas ainda não obteve retorno.

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