Em um resultado que marca uma das sanções mais significativas emitidas pelo Tribunal da Federação Equestre Internacional, uma suspensão de 15 anos foi imposta, nesta quarta-feira (6/8), ao atleta de adestramento Cesar Parra, que compete pelos Estados Unidos, por ações que violam os princípios de bem-estar do cavalo. Parra também foi multado em CHF 15.000 e condenado a pagar CHF 10.000 em custas judiciais. “A suspensão de 15 anos envia uma mensagem clara de que, independentemente do perfil ou posição, aqueles que violarem os princípios do bem-estar dos cavalos enfrentarão sérias consequências”, ressaltou, em nota à imprensa, o diretor-jurídico da FEI, Mikael Rentsch.
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Figura de destaque no esporte equestre internacional, Parra compete em alto nível desde 1998. Ele representou a Colômbia, sua nação natal nos Jogos Pan-Americanos de 1999, nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, nos Jogos Equestres Mundiais da FEI em 2002 e 2006 e na final da Copa do Mundo da FEI em 2005. Após mudar de nacionalidade, em 2008, Parra passou a competir pelos Estados Unidos, tendo disputado os Jogos Pan-Americanos de 2011 e na final da Copa do Mundo da FEI em 2014.
Parra estava provisoriamente suspenso desde 2 de fevereiro de 2024, quando foi notificado de que estava sob investigação da FEI, após denúncias de maus-tratos a cavalos enviadas à US Equestrian. A Federação Equestre dos EUA recebeu diversas denúncias, além de inúmeros vídeos e fotografias mostrando Parra praticando comportamentos abusivos e métodos de treinamento envolvendo diversos cavalos.
A FEI, em coordenação com a US Equestrian, iniciou uma investigação imediata sobre as alegações de que Parra havia submetido repetida e deliberadamente a maioria, senão todos, os cavalos que possuía e treinava a abusos recorrentes e graves ao longo de vários anos. A FEI apontou que a investigação envolveu uma análise completa de extenso material em vídeo e fotografia, bem como de diversos depoimentos de testemunhas.
Em 22 de maio de 2024, a FEI iniciou um processo disciplinar formal contra Parra, apresentando três acusações: abuso de cavalo; conduta que desacredita a FEI e/ou o esporte equestre e a FEI; violação do Código de Conduta da FEI para o Bem-Estar do Cavalo.
“Este caso é profundamente perturbador, não apenas pela natureza recorrente dos abusos, mas também pelo número de cavalos afetados”, disse Mikael Rentsch.
De acordo com a Rentsch, “o fato de tal comportamento ter vindo de um atleta de alto nível torna tudo ainda mais preocupante. Espera-se que nossos atletas representem e mantenham os mais altos padrões de equitação. O bem-estar dos cavalos é a base, e não um complemento, do esporte equestre”.
A investigação exigiu tempo e recursos significativos devido ao volume e à complexidade das evidências, que precisaram ser meticulosamente verificadas, destacou o diretor.
Parra está proibido de participar de qualquer competição ou evento ou de qualquer atividade relacionada sob a jurisdição da FEI ou de qualquer federação nacional. Ele também está proibido de treinar atletas e/ou cavalos registrados na FEI. A suspensão provisória já cumprida contará para a sanção de 15 anos, que terminará em 1º de fevereiro de 2039.
A decisão completa e fundamentada será publicada aqui oportunamente. As partes podem recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS) no prazo de 21 dias após o recebimento da decisão completa.
Relembre o caso
Parra já estava suspenso provisoriamente pela FEI em uma decisão depois de vídeos virem a público mostrando ele chicoteando repetidamente dois cavalos. A filmagem mostra um cavalo sendo atingido com chicoteadas no pescoço e na cabeça durante o treinamento e outro sendo chicoteado do chão. O The Chronicle of the Horse publicou o vídeo que mostra o cavaleiro treinando em casa, chicoteando cavalos severamente montado na sela e supostamente ele do chão. O vídeo também foi replicado em outros sites, como no YouTube (e aqui, entre outros).
O Dressage News reportou que a Federação Equestre dos Estados Unidos (USEF) estava na quinta-feira (01/02) trabalhando com a FEI para investigar o que descreveu como vídeo de treinamento “terrível e abominável” do competidor e treinador Cesar Parra. A USEF afirmou ter notificado a FEI e estar trabalhando com eles para iniciar a investigação.
Cesar Parra é colombiano e obteve sua cidadania americana em 2009. Desde então, tem representado os EUA, tendo obtido vários títulos nacionais e fez parte da equipe norte-americana que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em 2011. Antes, competiu pela Colômbia nos Jogos Pan-Americanos de 1999 e 2003; nas Olimpíadas de 2004, nos Jogos Equestres Mundiais de 2002 e 2006 e na final da Copa do Mundo de 2005.
Esta não é a primeira acusação que recaí sobre Parra. Em 2012, ele foi acusado de suposto abuso de cavalos, tendo de comparecer em um tribunal de Nova Jersey (saiba mais aqui), mas foi absolvido três anos depois.
Com informações do press release da FEI.
Imagem: reprodução


