6 perguntas e respostas sobre cuidados com os cavalos no inverno

As temperaturas já começaram a cair no Sul e Sudeste do Brasil. Com a chegada do frio, alguns cuidados são essenciais para manter a saúde dos cavalos. A médica veterinária Aura Chaves Rosauro responde a seis perguntas feitas por Adestramento Brasil para ajudar proprietários, tratadores e treinadores dos animais a mantê-los saudável nesta época do ano.

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1 – Com a chegada do outono e inverno o que deve ser feito para que os animais se sintam mais confortáveis com as temperaturas mais baixas?
O cavalo por natureza faz a troca de pelo quando chega a mudança de temperatura. A pelagem fica mais espessa e mais longa para formar uma barreira de proteção contra temperatura mais fria. Em animais encocheirados é importante garantir uma cama limpa (com higiene diária com retirada de urina, devido ao acumulo de amônia no ambiente fechado e à umidade), de boa qualidade e sem muito pó e em boa quantidade para o maior conforto do animal. Além disso, quando o animal é tosado, em caso de animais de esporte e competição, uma boa capa que proteja contra o frio durante a noite seria recomendado.

2 – Em São Paulo, além do frio, temos uma oscilação grande de temperatura entre o meio do dia e a madrugada. Esta alternância é prejudicial? Por quê? Como proteger os animais?
Os cavalos sentem muito o choque brusco de diferença de temperatura. Quando essa oscilação é gradual, como, por exemplo, para animais que ficam soltos no pasto, não é muito prejudicial. No entanto, para os animais de cocheira, é importante cuidar para que eles não tenham choques térmicos. Por exemplo, evitando trabalhar muito cedo da manhã (quando está dentro da cocheira fechada) e, quando possível, trabalhar quando o dia é mais quente, principalmente, para que ele consiga se secar e não entre úmido na cocheira. Em locais onde o frio é mais intenso, os cavalos de esportes trabalham durante o aquecimento e o desaquecimento com mantas leves que cobrem a musculatura de dorso e garupa, justamente para tentar evitar o máximo esse choque térmico.

3 – No tempo frio, a quais doenças os animais estão mais susceptíveis? O que fazer?
As estações de outono e inverno na região Sudeste do Brasil são mais secas. Consequentemente, o ar está mais seco e com mais poeira. Os cavalos são mais sensíveis a doenças respiratórias alérgicas, como a doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC ou asma dos cavalos, e virais, como adenite equina (garrotilho) e influenza equina (gripe). É importante ter a vacinação em dia e manter o ambiente ventilado e com menos poeira possível, escolhendo bem a cama do animal.

Existem suplementos vitamínicos que visam a aumentar a imunidade do animal e que ajudam bem nessa época do ano. Além disso, o feno estocado acumula mais poeira e fica mais ressecado, podendo causar cólicas por impactação. Como alternativa, o feno pode ser molhado antes de ser oferecido para o cavalo para tirar um pouco da poeira que é aspirada enquanto o animal mastiga o feno.

A saúde dentária também é muito importante para que o cavalo possa mastigar bem a forragem que esta mais ressecada, produzindo mais saliva e quebrando a comida em partículas menores diminuindo assim a chance de impactação intestinal. A vermifugação deve estar em dia devido a larvas de vermes que se alojam nos pulmões dos animais e que podem piorar um quadro clinico respiratório. Associado a tudo isso é muito importante observar se o animal está bebendo água adequadamente, porque nessa época do ano a água pode estar mais gelada e alguns animais tomam menos água, ficando predispostos à desidratação.

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4 – Os cavalos de esporte suam ao trabalhar, devemos dar ducha inteira, não dar ou dar meia?
A pelagem de inverno em cavalos de esporte atrapalha na troca de calor durante o exercício. Por isto, muitos deles são tosados nesta época. A questão da ducha cai novamente no bom senso do choque térmico. O ideia seria trabalhar em horário mais quente do dia para que o animal possa ser banhado por inteiro, o suor seja retirado e que haja tempo hábil para que ele seque e não entre molhado dentro da cocheira. Em dias mais frios, mais cedo pela manha ou no final do dia, o ideal e não molhar o animal por inteiro ou até mesmo não banhar, se o animal não tiver trabalhado muito. O importante é sempre seguir o bom senso observando o choque térmico e a umidade.

5 – Tosquiar ou não os animais? Em que situações é recomendado?
Nos animais de esporte de alta performance, a pelagem de inverno pode atrapalhar a troca de calor corporal. Por essa razão, a tosa pode beneficiá-los nesse aspecto. Além disso, animais de exposição de morfologia também são tosados por uma questão de estética. Os animais que ficam soltos não devem ser tosados, pois podem sentir mais com as temperaturas baixas e não estarão protegidos, podendo ficar doentes.

6 – Quais são os sintomas de doenças de inverno que, ao observar os sinais, os proprietários/cuidadores devem acionar o veterinário?
Qualquer sinal de apatia, anorexia (falta de apetite), secreção nasal, tosse e desconforto abdominal devem ser observados de perto. Os tratadores devem ser instruídos para observar sempre as fezes dos animais quanto a consistência (ressecamento), quantidade (diminuição), odor (fedido) e a presença ou não de muco, pois podem indicar precocemente a presença de impactação intestinal, além da ingestão de água.

AuraAura Chaves Rosauro se formou em 1999 pela USFM – RS e atua na área de medicina esportiva, clínica médica, ortopedia e neonatologia equina. Trabalhou no Jóquei Clube de São Paulo, CHSA e SHP e agora mora no interior atuando na região de Campinas, Atibaia e São José dos Campos.

Foto abre: cedida por 4 Horses & People; capa waldhausen, Euro Horses  

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