Adriano Soares, do Monsanto: “Seguimos como se as competições estivessem ocorrendo”

Com 18 animais, sendo nove trabalhando, o Haras Monsanto está seguindo a rotina de treinos durante o período da quarentena por causa do surto da Covid-19. “Seguimos com o mesmo empenho e a mesma dedicação como se as competições estivessem ocorrendo. Mas estamos aproveitando essa quarentena também para ensinar mais os cavalos sem a pressão de provas”, contou o proprietário Adriano Soares, na primeira de uma série de entrevistas que Adestramento Brasil publica para entender como as restrições impostas pela pandemia e pela suspensão das competições afetam diferentes coudelarias, amazonas e cavaleiros.


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Adestramento Brasil — Para começarmos, conte um pouco da história do haras.
Adriano Soares — O haras Monsanto começou em 2013, após eu ver uma prova de Equitação de Trabalho (ET) em um canal de televisão. Vi e me apaixonei pela modalidade, pesquisei na internet e o primeiro lugar que apareceu foi o haras dos sonhos. Então, marquei uma visita e depois de 15 dias que eu tinha visto a prova já está indo fazer minha primeira aula. Após dois meses de aulas com meu amigo Almir Marinho, fizemos nossa primeira prova e por sorte do destino acabamos no primeiro lugar. Nosso foco no haras era a ET e o dressage, mas hoje em dia estamos com cavalos mais voltados para o adestramento, ainda que a equitação de trabalho siga como uma paixão.

Quantos cavalos você tem?
Hoje em dia, são 18 animais, entre cavalos atletas, égua e potros, sendo dois desses warmblood e o restante lusitano. Temos nove cavalos em trabalho. Nossa estrutura conta com uma pista oficial de dressage 20 x 60 m, picadeiro coberto 20 x 40 m, pista de obstáculos para ET, redondel e piquetes de descanso

Estamos há cerca de dois meses em quarentena e sem provas. Nesse período, como foi pensado o trabalho dos diferentes cavalos do haras e por quê?
Seguimos com o mesmo empenho e a mesma dedicação como se as competições estivessem ocorrendo. Mas estamos aproveitando essa quarentena para ensinar mais os cavalos sem a pressão de provas. Aproveitamos também para comprar e ir fazendo conjuntos com mais dois cavalos. Todo o foco está nos nossos cavalos para levá-los ao topo, o que para nós significa chegar ao nível mínimo de São Jorge, sendo que o nosso sonho maior e objetivo é o grande prêmio. Muitos dos nossos cavalos, infelizmente ou felizmente, acabam sendo vendidos antes para o mercado americano, pela forma com que são ensinados, ficando uma montaria fácil e prazerosa.

Haras_Monsanto-divulgacao

Como é a divisão dos cavalos por cavaleiros e a rotina de treinamento?
Somos dois cavaleiros, eu e o Diego Fernando, e montamos nove cavalos. Eu monto três e o Diego, seis. Eu monto três vezes por semana (às terças, quintas e aos sábados) e os dias que eu não monto o Diego monta pra mim. Nossa rotina é assim: segunda se faz guia; terça, trabalho na pista; quarta, exterior; quinta e sábado, trabalho na pista; sexta, trabalho em liberdade no picadeiro; e domingo, folga. Os cavalos que estão em uma semana “boa” e os cavalos mais novos têm um dia a mais de folga.

Quais são os prós e contras de ficarmos sem provas? E como que isto afeta o desempenho dos conjuntos?
Acredito a vantagem de estar sem prova é formar mais conjunto, ou seja, conhecer melhor o cavalo, poder ensinar ou aperfeiçoar algum exercício. Quanto mais treino, melhor vai ficando o conjunto. A parte ruim é que o cavalo quando sair de casa, vai se assustar com tudo novamente, e o desempenho fica um pouco aquém, porque se perde a estabilidade de estar em prova, com vários conjuntos, pista diferente etc.

Qual é a filosofia de trabalho no haras?
Nossa filosofia é trabalhar cada cavalo como um ser único, vendo as dificuldades e como podemos melhorá-las, com muita ginástica de guia pra baixo e para frente. Montamos pensando e fazendo muito descontração /ritmo/contato. Para quem está começando, minha dica é não desistir, porque não é fácil, tentar ver provas na internet, falar com vários cavaleiros e pegar as dicas de cada um. O mais importante na equitação é a descontração e a sensibilidade, o resto são exercícios, que com treino são fáceis de fazer. Mas ter o cavalo pronto, preparado e descontraído para se entrar nesses exercícios é o difícil.

Com relação aos campeonatos, qual é o seu foco para 2020, pensando que podemos ter as provas reiniciadas no segundo semestre?
Nesse ano, queríamos fazer todas as etapas do Ranking da Sociedade Hípica Paulista, dos Campeonatos Paulista e Brasileiro. Vamos ver o que irá realmente ter para podermos ir. Temos um cavalo para estrear na São Jorge, que eu acho que será um cavalo com muito potencial para o futuro, filho do olímpico Rubi Ar.

Quais medidas de segurança você tem tomado para evitar o contágio da Covid-19?
No haras, estamos recebendo apenas o necessário, como medicamentos, feno, ração, ferreiro, além de não nos aproximarmos e temos máscaras e álcool em gel. Mas a maior prevenção está sendo nosso isolamento e cuidados dentro do haras.

Fotos cedidas / arquivo pessoal 

SÉRIE ESPECIAL DE ENTREVISTAS — Quando o surto da Covid-19 chegou ao Brasil, as competições pararam e, para tentar frear o avanço da doença, a quarentena foi decretada. Contudo, quem lida com cavalos atletas sabe que o trabalho precisa seguir. Para entender como o período de pandemia está afetando profissionais e haras, Adestramento Brasil preparou uma série de entrevistas com diferentes coudelarias, amazonas e cavaleiros. Esta é a primeira delas; outras serão publicadas nos próximos dias e ficarão reunidas nesta página

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