O adestramento mundial tem muito a ganhar com nações como o Brasil chegando ao topo. A opinião é do treinador e chefe da equipe brasileira, Daniel Pinto. “Penso que, para a agenda mundial, é muito importante que amanhã uma nação como o Brasil esteja no topo, porque são muitos milhões de pessoas que poderiam ingressar no esporte, se o Brasil estiver um dia entre os dez melhores. Isso daria muita visibilidade”, explicou.
Treinador e chefe de equipe, Daniel Pinto: O sucesso de um é de todos; e faz publicidade para o país
Um dos pontos dele é que, atualmente, o adestramento centra-se na Europa e expandir a modalidade para países mais populosos fomenta o esporte. “Todos têm muito a ganhar com isso”, assinalou o português que começou a montar criança e ingressou aos 16 anos na Escola Portuguesa de Arte Equestre. Fez espetáculos a várias personalidades, como a rainha da Inglaterra, e depois conheceu o universo da competição. Emigrou para outros países da Europa buscando se aperfeiçoar no adestramento. Morou na Bélgica, Itália e França.
“Para mim, a dressage é clássica e está preocupada com o bem-estar do cavalo e é um esporte que põe-se à crítica e a crítica faz a evolução, portanto, para mim a opinião dos juízes é importante para a evolução”, comentou. Foi esse pensamento que o incentivou a competir. “Um dos motivos que me levou para a competição foi ter a possibilidade de ter pessoas que me pudessem dar indicações para que eu melhorasse o meu próprio trabalho. A competição faz esse propósito e isso eu acho muito interessante”, apontou.
Nas pistas de competição desde meados da década de 1990, Pinto participou de Campeonatos Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos. Foi também à Final da Copa do Mundo da FEI em Las Vegas. “O primeiro cavalo que eu ensinei para ir aos Jogos Olímpicos era um alemão. Só que depois, quando voltei para Portugal, montei cavalos lusitanos outra vez. Porque fiz minha formação com lusitanos, depois fiz muita competição com cavalos alemães e depois voltei outra vez a lusitanos.”
Kyra Kyrklund foi quem mais influenciou sua equitação. Foram, conta Pinto, 20 anos trabalhando com ela e seu esposo, Richard White, que o acompanharam nos Jogos Olímpicos. “Foi aí que eu senti e percebi que dressage tem muito mais complexidade do que ensinar um cavalo; biomecânica é realmente muito importante. Tenho esse privilégio de ter trabalhado durante tantos anos com eles e é um pouco do meu ponto de referência e o que procuro transmitir a todos os meus alunos.” Seguir aprendendo sempre tem sido um lema dele.
Potencial brasileiro
Para Daniel Pinto, o Brasil tem um potencial para ser forte na dressage, tanto do ponto de vista dos cavaleiros quanto da criação. Ele ressalta o talento de cavaleiros brasileiros com sensibilidade para montar. Também aponta o potencial econômico de proprietários de cavalos.
“Pessoas que estão interessadas na disciplina, se investirem, como deve ser, podem bem chegar rapidamente a uns patamares fortes, porque o mais importante é criar uma base onde as pessoas aprendam realmente a montar a cavalo no intuito de ensinar um cavalo dentro da escala de treino, dentro daquilo que são os conceitos que a FEI quer e daquilo que é preciso mostrar a nível mundial”, assinalou.
O técnico ressaltou que cavalos novos precisam desenvolver o físico, o que requer um plano de trabalho com objetivo de chegar à qualidade pela longevidade e não só pela rapidez. “Tem que desenvolver o físico, o corpo e os exercícios vêm por acréscimo, porque tem de pensar na longevidade do cavalo de desporto. A FEI já autoriza os cavalos que vão até aos 20 anos”, disse, acrescentando que é necessário educar os cavaleiros para pensarem a longo prazo, de maneira que tenham tempo de construir as coisas com uma base sólida, dando credibilidade ao trabalho que vai aparecer depois dentro das pistas.


