Cristiano Augusto da Silva começou a montar aos 17 anos, quando se mudou para morar com seu irmão Mauro Júnior, que trabalhava na Coudelaria Ilha Verde. Ali se entranhou no mundo dos cavalos e, em especial, do adestramento. Passado 1,5 ano, foi trabalhar no Haras Juliana, onde permaneceu por seis anos e de lá foi para o Haras Cachoeira. “Comecei no Ilha Verde, com meu irmão e fui para o adestramento por influência do meu irmão que já fazia adestramento na época e competia. Me despertou muito interesse na época e eu sempre gostei de cavalos, gostava muito principalmente do adestramento, que eu achava muito bonito, muito diferente de tudo. Ele acabou me inspirando muito”, contou em entrevista ao Adestramento Brasil o escalado para o Time Brasil para os Jogos Sul-Americanos.
Cristiano montará Beethoven no Odesur, um cavalo que chegou ao Haras Cachoeira com três anos, oriundo da Alemanha. Era meados de 2020. A estreia do conjunto se deu em 2022 na série elementar. “Ele foi o cavalo que começou com essas notas mais altas; sempre acima de 70%”, orgulha-se. “Já cheguei a fazer com ele 78% em uma prova em Tatuí na época da elementar ainda, quando o [juiz] Carlos Lopes deu 82%”, lembra. A prova em questão foi um concurso nacional realizado junto com internacional em agosto de 2022 nas seletivas para o Odesur de Assunção.
No ano seguinte, na preliminar, as notas altas seguiram, inclusive com Cris montando outros animais. “Desde sempre, Beethoven foi um cavalo muito talentoso e, como todo cavalo que é muito talentoso, também é um pouco difícil; é ansioso, tem um temperamento forte e muita energia, que é o que a gente precisa. Mas foi um cavalo sempre que demonstrou desde potro muito talento e muito potencial, haja vista sempre as notas que ele fazia desde a elementar”, reflete.
Falando sobre o processo seletivo para ser escalado para a equipe, Cris avalia que foi bastante difícil, complicado e duro. “Foi a seletiva de Sul-Americano mais disputada de todas as seletivas. Se você pegar os cinco cavaleiros que classificaram, eles ficaram muito próximos com uma diferença de 1% e alguma coisa do primeiro ao quinto. Então, foi uma seletiva muito difícil, muito concorrida.”
Para o conjunto que representa há 14 anos o Haras Cachoeira, houve mais um elemento no processo: ele estreou Beethoven em CDIs em uma etapa da seletiva, já valendo como observatória. “Fiquei muito focado na seletiva, sempre buscando manter uma boa regularidade, que é o que realmente aconteceu, porque isso é o que ia nos colocar na equipe. Mas isso foi muito difícil e complicado, porque o cavalo não tinha experiência, estava, até então, novo na prova e eu também tinha feito acho que uma três provas só com ele no passado na São Jorge.”
Como cavaleiro, Cristiano também não tinha muita experiência em small tour. “O grande desafio foi literalmente estrear em um CDI já em uma seletiva. Mas deu tudo certo e ele veio evoluindo a cada etapa da seletiva”, disse. Ponderando todas as etapas, ele apontou que, na última, houve uma queda de rendimento, com maior oscilação, mas as três primeiras foram marcadas por ascensão. “Nós fomos ganhando experiências e aprendizados durante a própria seletiva.”
Depois da convocação, houve uma maior aproximação com o técnico do Time Brasil, o Daniel Pinto. Além das clínicas, cavaleiro e treinador se comunicavam por WhatsApp para ajustar exercícios e treinos, com foco na descontração, conexão e a busca por um contato mais estável. “Descontração e conexão são o que ele mais precisa, porque é um cavalo que ele tem muita energia, de temperamento forte e tem uma certa tensão natural”, avalia. “Até agora, os treinos estão sendo focados nisso, na descontração e conexão. Ele é um cavalo ativo, que tem mostrado seu potencial, e manter uma boa conexão e uma boa descontração para ele é essencial — na verdade, para todos os cavalos, né?”
Os cavalos, após o período de quarentena, viajam no dia 8 para a Argentina. Na quarentena, os conjuntos escalados se reuniram com Daniel Pinto, treinando todos juntos. “Nossa equipe é muito top, é muito boa, é muito entrosada. O dia a dia é muito leve, muito gostoso e divertido. Então, nós estamos sempre nos ajudando, conversando sobre os cavalos, compartilhando opiniões”, contou.
Para ele, integrar a equipe é um sonho que nutre desde o início da carreira há mais de 20 anos. “Sempre tive esse sonho de representar o meu país numa competição internacional. E agora chegou essa oportunidade. Estou bem confiante na equipe, que está sólida, muito boa e todos ali são amigos e se ajudam muito. Estamos numa boa sintonia entre treinador e chefe de equipe, o Daniel, também com a nossa diretora de adestramento, a Cláudia, o pessoal da CBH. Está tudo muito sincronizado para a gente poder desempenhar o melhor possível na Argentina. Estou muito confiante e vamos fazer o nosso melhor para trazer um grande resultado para o nosso país.”
Foto: CBH


