Rédeas de fora e dentro: como usá-las e a função de cada uma

AB_Pergunte_expert-peq“Perna interna e rédea externa”. Todo mundo que pratica a equitação clássica já ouviu este mantra. É este tema que o cavaleiro profissional Sergio de Fiori aborda em mais uma participação na seção Pergunte ao Expert. Fiori responde a um leitor de Adestramento Brasil que quer entender melhor a ação das rédeas.

Fiori explica qual é a função da rédeas, como e quando acionar a de fora e de dentro. Economista de formação, ele profissionalizou-se como cavaleiro ha 12 anos, quando fez parte da equipe do cavaleiro Jan Brink, na Suécia. Treinou ainda com Hasse Hoffmann, fellow do IDTC, e, atualmente, treina com Ralph Schmidt, juiz de grande prêmio na Alemanha.

“Quero propor aqui um ponto de partida: enquanto estamos nos estágios mais iniciais do aprendizado (seja do cavalo, seja do cavaleiro) é mais eficaz definir um ‘lado de fora’ e um ‘lado de dentro’ — eis o motivo pelo qual trabalhamos tanto tempo em círculos, onde temos o cavalo encurvado.

Na teoria, o cavalo deve aprender a mover-se cedendo à pressão da perna interna na região das costelas, o que coloca uma pressão maior na rédea externa. A partir deste ponto a rédea externa pode ter um papel ativo de duas formas:

1) limitando o quanto o cavalo é deslocado para fora, evitando, junto com a perna externa, que o cavalo inicie um ceder à perna ou, como bem dizem alguns treinadores, “controlando o lado de fora”

2) completando uma meia-parada para evitar que o cavalo aumente a velocidade ou comece a projetar seu peso sobre as espáduas. A ideia é sempre ‘abastecer’ a rédea externa a partir da ação da perna interna, para, então, usá-la de uma dessas duas formas.

A rédea interna não pode ser dominante, mas é usada para indicar uma curva (especialmente para cavalos muito novos) ou para manter a flexão nos momentos em que a rédea externa está com muita tensão. Mas, veja, sempre que há uma encurvatura correta, o cavalo alonga a musculatura externa e recolhe a interna. Esta imagem deve ser suficiente para compreender que a rédea externa tem uma tração maior que a interna.

Essa situação simples de montar um cavalo com adequada encurvatura e flexão repete-se, de formas variadas, inclusive, em movimentos tão complicados como apoios e piruetas, por exemplo, ou os cantos do picadeiro, em qualquer nível.

Nada disso funciona, evidentemente, se o cavaleiro apresenta tensões indevidas nos braços, ombros ou punhos, ou se seu equilíbrio na sela é deficiente a ponto de ser necessário apoiar-se nas rédeas a fim de conseguir parar na sela. Como o resto do corpo do cavaleiro, os braços devem absorver movimento, criando harmonia com o cavalo.

Finalmente, para colocar a discussão sobre ação de rédeas em perspectiva, acrescento uma colocação da Isabell Werth (que dispensa apresentações) em entrevista à revista Dressage Today: “em uma situação ideal, o cavaleiro deve influenciar seu cavalo da seguinte forma: 40% com as pernas, 40% com assento e 20% com as rédeas”.

A seção Pergunte ao expert tem como objetivo responder a dúvidas enviadas pelos leitores. Tem alguma pergunta? Envie para siteadestramentobrasil@gmail.com com seu nome, idade e onde pratica equitação.

Foto: divulgação  

2 thoughts on “Rédeas de fora e dentro: como usá-las e a função de cada uma”

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