O que fazer quando o cavalo fica “batendo a cabeça”?

AB_Pergunte_expert-peq O que fazer quando o cavalo fica “batendo a cabeça”, ou seja, reage demais e fica com a cabeça para cima e para baixo, muitas vezes sem parar, durante o treino ou as provas? A situação causa desconforto e pode sinalizar desde condução errada, hábitos antigos até algum problema de saúde do animal. Isabela do Valle dá dicas sobre como lidar com esta situação.

A amazona, que é estilista de moda equestre, monta desde a infância, tendo primeiro praticado salto e competido até altura de 1,20 m, na cidade do Rio de Janeiro onde nasceu. Ao se mudar para São Paulo, decidiu seguir o sonho de praticar adestramento. Já treinou com Ingrid Borghoff Troyko e Orlando Facada; montou na Coudelaria Rocas do Vouga e teve clínicas com Dolf Keller e Joyce Heuytink. Frequentou vários cursos de juiz de adestramento, com nomes internacionais como Stephen Clarke e Cesar Lopardo Grana. Tem títulos de campeã brasileira e paulista, além de Troféus Eficiência e Prêmio Hipismo Brasil. Atualmente, treina no Haras Vale do Aretê.

“Antes de tudo, deve-se checar a saúde do cavalo com um bom veterinário para saber se há algo errado com não só os dentes, como muitos pensam, mas também com outras partes do corpo do animal, como as costas, o pescoço e a nuca. O comportamento do cavalo pode ser uma reação a uma lesão nova ou antiga, que se transformou em um hábito. O material também deve ser checado, principalmente, a embocadura e a cabeçada. Muitas vezes, o problema é uma focinheira muito apertada ou uma cabeçada que pressiona demais a nuca e as orelhas do cavalo, que são muito sensíveis. Também deve ser checada a sela.

Às vezes, o comportamento foi adquirido há muito tempo, como, por exemplo, por ocasião de uma lesão antiga que o cavalo teve e que se curou, porém, o comportamento não foi eliminado pelo cavaleiro que o montou na época.

Após ter certeza que o animal se encontra saudável e confortável, deve-se começar a analisar o cavaleiro e suas ajudas. Geralmente, as reações de cabeça são uma forma de o cavalo se comunicar, mostrando que está desconfortável com as mãos do seu cavaleiro. Porém, às vezes, as mãos são apenas o reflexo de um cavaleiro que está tenso, contraído, não acompanha bem o movimento do animal, travando a musculatura e as articulações, tornando-se desconfortável o exercício.

O cavaleiro deve “apoiar-se” no cavalo, principalmente pelo seu assento, que deve ser independente, e jamais se utilizar-se das mãos e das rédeas para isso. Caso contrário, se tornará um verdadeiro martírio para seu cavalo, desencadeando diversas reações. As mãos do cavaleiro devem “respirar“ com o cavalo. Mãos, braços e ombros devem ser elásticos, acompanhando o movimento do animal.

Muitas vezes, o cavalo já vem com esse comportamento, aprendido de um cavaleiro que o treinou no passado. Entretanto, um bom cavaleiro, com muita paciência e sensibilidade pode eliminar o problema. Dependendo da gravidade, pode levar meses e até anos para desaparecer.

Um bom cavaleiro deve tornar o contato do cavalo com a embocadura uma questão prazerosa ao animal e uma relação de extrema confiança, principalmente, aos animais mais sensíveis. Trancos na boca do animal podem estragar meses de um bom trabalho, destruindo a confiança do cavalo no cavaleiro. Para citar um clássico do adestramento, como já dizia Xenofonte na Grécia Antiga “nada que é forçado pode ser belo”.

O cavaleiro deve ter em mente que o cavalo precisa aprender a vir “de trás para frente”; e que a reunião deve ser uma consequência disso. Jamais o cavalo deve ser “forçado” a se arredondar pelas mãos do cavaleiro e por outros artifícios. As mãos apenas recebem elasticamente a impulsão criada pelo assento e pernas do cavaleiro, regulando sua intensidade. Muitas vezes o cavaleiro quer corrigir o cavalo por meio de uma “briga” com ele, dando trancos de volta na sua boca, o que só piora o problema, criando um ciclo vicioso.

O que deve ser ensinado é que o contato com a embocadura é prazeroso, assim como o trabalho, e a correção deve ser feita com pernas e assento, e jamais com as mãos. O cavaleiro deve ensinar o cavalo, por meio da impulsão, a ir cada vez mais encostando na embocadura. O cavalo deve ser colocado para frente ao repetir o comportamento. Além disso, é claro, deve se seguir de modo geral com um bom treinamento, no qual toda a musculatura do cavalo seja trabalhada corretamente o que, consequentemente, também vai eliminado bloqueios e tensões. Geralmente, o mau hábito vai desaparecendo gradualmente com a evolução do trabalho.

A seção Pergunte ao expert tem como objetivo responder a dúvidas enviadas pelos leitores. Tem alguma pergunta? Escreva para Adestramento Brasil.

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Foto: arquivo pessoal 

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