Como fazer linha quebrada ao galope sem que o cavalo faça mudança de pé?

AB_Pergunte_expert-peqNa série preliminar aparece a figura da linha quebrada ao galope. Um dos desafios para os atletas amadores é executar o movimento sem que o cavalo faça mudança de pé ao mudar de direção. Outro desafio é o desenho em si da figura. A amazona profissional Isabela do Valle se encarregou desta edição de Pergunte ao Expert e dá dicas de como fazer o movimento.

A amazona, que é também estilista de moda equestre, monta desde a infância, tendo primeiro praticado salto e competido até altura de 1,20 m, na cidade do Rio de Janeiro onde nasceu. Ao se mudar para São Paulo, decidiu seguir o sonho de praticar adestramento. Já treinou com Ingrid Borghoff Troyko e Orlando Facada; montou na Coudelaria Rocas do Vouga e teve clínicas com Dolf Keller e Joyce Heuytink

Confira as dicas de Isabela do Valle de como fazer a linha quebrada no galope sem que o cavalo faça mudança de pé:

“A linha quebrada ao galope é um dos primeiros exercícios que trabalham a introdução ao contragalope. É um exercício muito interessante, pois, quando executado corretamente, traz muitos benefícios ao cavalo e também ao cavaleiro. Uma das maiores vantagens, na minha opinião, é que também trabalha a consciência corporal e a precisão das ajudas do cavaleiro, que precisa se posicionar corretamente conforme o pé do galope que o cavalo está se dirigindo. Estas são ajudas básicas e essenciais que farão toda a diferença, se o cavaleiro desejar, um dia, treinar seu cavalo para as séries mais fortes, pois para isso a precisão das ajudas e consciência da função das mesmas é fundamental.

O jovem cavalo, e também o cavaleiro iniciante, devem se habituar à posição e peso correto do cavaleiro para o pé direito ou esquerdo do galope. É muito importante que o cavaleiro, sempre que esteja trabalhando ao galope, seja em qual exercício for, mantenha sua posição correta, para não confundir o cavalo, e também para executar ajudas cada vez mais claras e, mais para frente, executar as mudanças de pé, apoios, piruetas etc.

Portanto, o cavaleiro deve sempre ter seu peso mais no ísquio para o qual está se dirigindo, assim como seus ombros devem estar paralelos às espáduas do cavalo. A perna interna, sobre a barrigueira, e a externa levemente atrás. O cavalo se encurva ligeiramente sobre a perna interna, em direção à rédea externa. Executando bem essas ajudas, é apenas questão de tempo para que o cavalo se habitue e entenda o movimento, em cima do qual serão sustentados vários exercícios seguintes. Porém, sem essa base correta, dificilmente os exercícios seguintes serão bem executados.

Sempre que o cavaleiro galopa, numa direção ou na oposta, deve estar nessa posição correta para o lado que se dirige. Isso com o tempo faz com que o cavalo perceba e entenda com muito mais facilidade os movimentos, conforme eles vão avançando na escala de treinamento. Isso também traz um controle muito maior das espáduas do cavalo pelo cavaleiro, facilitando todos os movimentos seguintes.

Como em todos os exercícios, o princípio básico é a qualidade da andadura no qual ele está sendo executado. Ou seja, a qualidade do galope durante a linha quebrada é essencial. O cavalo deve manter um galope claro, em três tempos com tempo de suspensão, estar relaxado sob o cavaleiro, sem perdas de ritmo durante as mudanças de direção, atento e com a energia fluindo de trás para frente, sendo recebida de forma elástica no contato, com uma moldura correta ao seu nível de trabalho, sem que o cavaleiro se “agarre” na sua boca para manter seu equilíbrio, que deve estar sempre sobre o seu assento, com a sustentação dos músculos “core”, das costas e da barriga, deixando as pernas também relaxadas, abraçando o cavalo com delicadeza.

Tendo esses pré-requisitos estabelecidos, a linha quebrada ao galope será facilmente executada, com um pouco de tempo e paciência para que o cavalo entenda o exercício e aprenda a se equilibrar nele. O cavalo já deve executar corretamente de forma equilibrada as linhas retas e círculos, e assim, já está pronto para essa iniciação ao contragalope.

Podemos iniciar este trabalho com uma “alça” da linha quebrada bem pequena, digamos a cinco metros da cerca. O cavaleiro pode vir ao galope, por exemplo no pé esquerdo, e após H, no lado maior da pista, “entrar” cinco metros ou menos, em direção a X, em seguida voltando para a cerca. Conforme o cavalo vai entendendo o exercício, criando força e equilíbrio, o cavaleiro vai aumentando a alça da linha quebrada e indo mais em direção a X.

A figura deve ser executada sempre de forma fluida, arredondando-se ligeiramente as curvas. O corpo do cavalo deve ser mantido organizado e alinhado, não se deve ver os posteriores aparecendo antes dos anteriores. Os anteriores e posteriores devem seguir o alinhamento, de forma alguma lembrando um trabalho em três pistas, com o cavalo mantendo ligeira encurvatura para o pé de galope no qual está se dirigindo, a qual deve ser maior nos cantos e ângulos e mais suave no contragalope. A linha quebrada deve ser simétrica no desenho, montando-se sua primeira metade com desenho similar à segunda.”

A seção Pergunte ao expert tem como objetivo responder a dúvidas enviadas pelos leitores. Tem alguma pergunta? Envie para contato@adestramentobrasil.com

 

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