Quanto custa tornar-se apto para participar de provas estaduais e nacionais de adestramento?

Você já parou para pensar em quanto precisa desembolsar por ano para pagar as taxas das federações e das Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) para apenas tornar-se apto a competir em provas estaduais e nacionais? Adestramento Brasil fez as contas e chegou à conclusão que um amador ou profissional de São Paulo e está competindo em série superior à média 1 precisa pagar R$ 1.649 por ano para poder disputar as competições — isto se o conjunto representar uma entidade federativa, caso contrário, o valor será maior.

Ainda que haja incentivos como a isenção do selo da CBH para cavalos novos e conjuntos até a preliminar, as taxas que devem ser pagas parecem incompatíveis com a premiação de apenas medalhas, escarapelas e, em alguns casos, troféus e faixas e com a quantidade de provas, um número muito inferior em comparação com as de salto, cujos competidores pagam os mesmos valores e contam com premiação em espécie em alguns níveis e provas — veja calendário de salto da FPH e CBH.

Tomando por base a Federação Paulista de Hipismo, que reúne o maior número de conjuntos de adestramento, para competir nas provas estaduais, como a Taça São Paulo, o Paulistão e o Campeonato Paulista, e que somam pontos para o Troféu Eficiência, os conjuntos precisam pagar R$ 486,00 do registro do atleta e mais R$ 312,00 do registro do cavalo, totalizando R$ 798 pelo conjunto. Os registros valem por um ano a partir da contratação e são obrigatórios para competir nas provas da FPH.

Além disto, para se federar na FPH, o conjunto deve fazer parte de uma entidade federativa. As hípicas normalmente o são, mas, no adestramento, há muitos cavaleiros que montam em centros pequenos. Neste caso, podem se associar à associações, como a ABPSL se o cavalo for lusitano, ou o centro de treinamento pode entrar na categoria especial da FPH que cobra do lugar R$ 100 por mês e por atleta. Qualquer um dos casos implica em mais uma taxa a ser paga. Caso o conjunto mude de entidade, tem de pagar uma taxa no valor de R$ 486,00 para a FPH.

Confira todos os valores:

Já para se tornar apto a competir nas provas nacionais, como concursos de adestramento nacional (CAN), Desafio Brasil, Campeonato Brasileiro e Taça Brasil, os conjuntos devem estar filiados à CBH e a uma federação estadual, ou seja, pagando os registros de atleta e animal. O registro de cavaleiro na CBH custa R$ 80,00 e vale de janeiro a dezembro.  Se a federação do seu Estado estiver suspensa, o valor sobe para R$ 771, valendo também de janeiro a dezembro. Até 2018, o registro de cavaleiro na Federação Paulista de Hipismo incluía o registro junto à CBH, mas, neste ano, não contempla mais.

Caso o conjunto compita a partir da média 1, deverá também pagar o selo da CBH no valor de R$ 771 e válido por um ano — segundo comunicado nº 01 de 2019 da CBH, para o Desafio Brasil não é necessário selo. Todos os cavalos devem possuir passaporte (R$ 187,00). Ainda existe o registro de propriedade, que custa R$236,00 (vale de janeiro a dezembro do ano), mas, segundo a CBH é apenas aplicado quando por necessidade do proprietário do animal.

Este noticiário enviou, na última quinta-feira 21/2, perguntas por e-mail à CBH e à FPH questionando o valor das taxas, a finalidade de cada uma delas e a disparidade entre salto e adestramento e pediu as respostas até o dia 26/2. Apenas a CBH respondeu à reportagem. A Federação Paulista recebeu a solicitação, mas até a publicação desta matéria, um dia após o prazo solicitado, não respondeu ao site.

De acordo com a confederação (leia abaixo a íntegra da resposta), os montantes arrecadados financiam as despesas com a modalidade, como, por exemplo, a compra das reprises — o Brasil adota os testes dos Estados Unidos para os quais é preciso pagar direito de uso —, o fomento a eventos, eventuais contratações de técnicos e clínicas, premiação específica do Campeonato Brasileiro de Adestramento, cursos para oficiais, palestras etc. “Muitas vezes, valores são investidos para viabilizar a realização de eventos onde o número de inscrições é muito baixo e o custo da estrutura e oficiais é proporcionalmente alto em relação às outras modalidades, assim a CBH consegue fomentar a modalidade”, apontou.

A CBH também ressaltou as medidas que tem tomado para incentivar a modalidade e aumentar o número de inscritos, tais como a permissão para uso de freio-bridão nas séries mais baixas, adequação da exigência de uniforme e casaca para pônei, minimirim e elementar amador, com o intuito de que o cavaleiro participe das provas e antes de ter de desembolsar muito dinheiro.

A entidade explicou ainda que está apoiando Estados que não organizam CAN a realizar pelo menos um evento por ano para que todos os cavaleiros possam fazer parte do ranking da CBH sem ter que viajar muitos quilômetros, o que obviamente tem um custo alto. “Como você pode perceber, a CBH tem procurado incentivar, fomentar e promover o adestramento de diversas formas, mas, no caso do adestramento, onde temos poucos concorrentes e a estrutura da prova é grande, se faz necessário que outras entidades também colaborem para que as provas de nível nacional aconteçam, permitindo que os cavaleiros que queiram cheguem a um nível maior de excelência no esporte e possam se desenvolver a nível nacional e também internacional se for a meta”, assinalou a entidade.

A Federação Paulista de Hipismo não respondeu aos questionamentos de Adestramento Brasil.

Leia a íntegra da resposta da Confederação Brasileira de Hipismo: 

Boa Tarde, Sra. Roberta!!

Primeiramente gostaria de parabeniza-la pelo apoio e contribuição que tem dado ao crescimento do Esporte Equestre no Brasil, especificamente ao Hipismo Clássico aqui representado pela divulgação da Modalidade de Adestramento. Sempre é muito importante uma boa divulgação focada no incentivo e prática do esporte e da modalidade.

Profissionais que buscam a realidade dos fatos e que esclarecem à comunidade esportiva com fatos e informações concretas.

Para falarmos do adestramento e a nossa realidade é necessário conhecermos o momento do esporte.

Aqui no Brasil realmente a modalidade vem crescendo e se desenvolvendo, conseguindo aumento de número de participantes no Ranking da CBH e com mais de 70 inscrições nas ultimas versões do Campeonato Brasileiro, mais importante que inscrições é o fato de que a cada ano estamos conseguindo que mais um Estado participe do CBA.

Além disso o Brasil nos últimos anos despontou como líder e exemplo para os países da América do Sul com relação ao desenvolvimento do adestramento. Vinte anos atrás a realidade era bem diferente.

O Objetivo da CBH no momento com relação ao adestramento é trabalhar para que os Estados que já praticam a modalidade continuem a se desenvolver e progredir. Levar o adestramento para outros Estados que ainda não praticam a modalidade e manter a posição de liderança na América do Sul no small tour continuando o trabalho para se firmar cada vez mais como país classificado para participação nos melhores eventos de big tour internacionais.

Com relação às suas perguntas, primeiramente cabe esclarecer que o atual Caderno de encargos da CBH, é o mesmo das gestões anteriores sendo ele discutido e aprovado em Assembleia Geral composta pelos representantes das Federações Estaduais e do Representante dos Atletas, é nesta reunião que também é aprovado o Orçamento da CBH, que direciona a aplicação dos recursos oriundos das diversas fontes, sejam elas públicas, das federações e dos atletas.

A CBH desde a sua fundação é regida por seu Estatuto, que recentemente foi atualizado trazendo nele novidades e boas práticas de Governança com transparência e ética, com a criação do Conselho de Administração e outros mecanismos de gestão. Pela primeira vez, teremos eleição para os representantes dos Atletas com voto direto dos atletas registrados na CBH.

Hoje, a CBH possui um Portal da Transparência onde consta informações da Execução Orçamentária e Financeira da CBH, dados dos Contratos e convênios. Você poderá também ver informações tais como onde é aplicado os recursos da CBH. Neste Portal você poderá verificar que estamos tornando a Gestão da CBH não só mais transparente como também ética, integra e em conformidade com a normas e legislação vigentes.

Abaixo esclarecemos a finalidade de cada uma das taxas citadas:

– Registro de cavaleiro – habilita o cavaleiro a participar de provas nacionais e brasileiros de todas as modalidades. Esse registro é anual.

– Registro de propriedade – apenas é aplicado quando por necessidade do proprietário do animal

– Passaporte – documento de identificação do animal, onde consta os dados de resenha, chip, vacinas, indispensável, é emitido apenas uma única vez e é obrigatório para todos os equinos conforme definido pelo MAPA,

– Selo – é a licença para o animal participar de provas de nível nacional e Campeonatos Brasileiros. Tem validade de 12 meses.

Com relação aos valores cobrados pela FPH, não podemos opinar, isso deve ser respondido pela própria federação. Cada federação tem valores diferentes de filiação. Algumas tem valor diferenciado para o adestramento.

Especificamente na modalidade de adestramento podemos destacar como principais despesas a compra de direito uso de reprises, fomento a eventos, eventuais contratações de técnicos e clínicas, premiação específica do CBA, cursos para oficiais, palestras etc.

Muitas vezes valores são investidos para viabilizar a realização de eventos onde o número de inscrições é muito baixo e o custo da estrutura e oficiais é proporcionalmente alto, em relação às outras modalidades, assim a CBH consegue fomentar a modalidade.

Outra ação tomada pela CBH para incentivar a modalidade e aumentar o número de inscritos é com relação ao regulamento, com permissão para uso de freio bridão nas séries mais baixas, adequação da exigência de uniforme e casaca para pônei, mini mirim e elementar amador, sempre com o intuito de que o cavaleiro venha para as provas e pratique o adestramento antes de ter que desembolsar tanto dinheiro.

A título de fomento e incentivo também foi criado o Desafio Brasil, que são provas de nível nacional onde o juiz viaja para avaliação dos conjuntos nos diferentes Estados e não o atleta, pois é um gasto muito maior. Infelizmente apenas as federações de Brasília, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro tem apoiado este evento.

A volta das provas Jr, Yr, Small tour, Medium tour e Big Tour para as provas nacionais, mesmo que na mesma data de um internacional, também foi um grande incentivo para que os conjuntos possam participar dessas provas a nível nacional antes de participar de um internacional.

A CBH também está ajudando Estados que não organizam CAN a realizar pelo menos 1 evento por ano para que todos os cavaleiros possam estar dentro do ranking da CBH sem ter que viajar muitos quilômetros e que obviamente tem um custo alto.

Como você pode perceber a CBH tem procurado incentivar, fomentar e promover o adestramento de diversas formas, mas no caso do adestramento, onde temos poucos concorrentes e a estrutura da prova é grande se faz necessário que outras entidades também colaborem para que as provas a nível nacional aconteçam permitindo que os cavaleiros que queiram cheguem a um nível maior de excelência no esporte e possam se desenvolver a nível nacional e também internacional se for a meta.

Esperamos poder dar continuidade neste trabalho agora com o auxílio de um Conselho de Administração e de representantes dos atletas de modalidades diferentes, pois como você mesmo disse, a modalidade Adestramento ainda é pequena, mas precisamos que os atletas tragam suas experiências para dentro do processo decisório da CBH.

Aproveitamos também para parabenizar todos os atletas desta modalidade, que mesmo com as dificuldades, dotado do espírito esportivo vem valorizando o hipismo brasileiro e se dedicando, graças a vocês o esporte no Brasil vem crescendo e novos talentos se destacando.

Atenciosamente;

CBH.

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