Como posso, eu mesmo, melhorar o comportamento do meu cavalo?

“Essa é uma pergunta comumente feita pelas pessoas e, na maior parte das vezes, os problemas comportamentais de um cavalo podem ser resolvidos pelo próprio proprietário ou cavaleiro”, respondem Darko Magalhães e Malvina Parré, domadores e especialistas em comportamento equino. Ao participar deste “Pergunte ao Expert”, eles lembram que para começar a trabalhar um problema de comportamento equino, deve-se começar pelos humanos, o comportamento do cavalo é um espelho e dão dicas de como alcançar o resultado com o trabalho de chão e charreteamento.


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Confira a seguir a reposta deles sobre como melhorar o comportamento do cavalo:

“Essa é uma pergunta comumente feita pelas pessoas e, na maior parte das vezes, os problemas comportamentais de um cavalo podem ser resolvidos pelo próprio proprietário ou cavaleiro.

Existem diversos exercícios e trabalhos que podemos fazer para melhorar a nossa relação com o cavalo e, consequentemente, os comportamentos indesejáveis. Porém, é fundamental lembrar que o comportamento do cavalo é um espelho de nós mesmos, uma reação do nosso comportamento e da nossa postura.

Dessa forma, para que ele melhore seu comportamento o primeiro olhar deve ser para nós, seres humanos. O quanto verdadeiramente nos conhecemos? Quanto temos de consciência do nosso corpo e cada movimento que fazemos? Quanto presente estamos, fisicamente e mentalmente, na presença do cavalo? Eles estão o tempo todo ligados em nós e conseguem ler cada gesto, cada movimento. Para começar a trabalhar um problema de comportamento equino, devemos começar por nós mesmos, buscando a cada dia ser uma pessoa melhor para o cavalo. É importante ter em mente o quanto precisamos nos cuidar e trabalhar o autoconhecimento para ter resultados positivos na nossa relação com os cavalos.

Alguns exercícios podem ajudar a melhorar a relação homem-cavalo. Os trabalhos de chão são um bom exemplo, ou seja, sem estar montado o foco volta-se para a comunicação do cavaleiro com o cavalo por meio da linguagem corporal. O exercício de conexão, um dos trabalhos de chão, muito utilizado na doma racional, inicia a comunicação do potro com o ser humano, porém este pode ser utilizado sempre que precisamos afinar a comunicação do conjunto.

Para executá-lo precisamos apenas de um redondel, onde o cavaleiro deve permanecer no centro e o cavalo deve caminhar próximo da cerca. Através da linguagem corporal, sem tocar ou usar guias, o cavaleiro deve conseguir colocar o cavalo para caminhar nos dois sentidos, controlando sua direção e, também, em todos os andamentos, controlando sua velocidade. Da mesma forma que praticamos transições montados, as transições do chão também devem ser suaves, cadenciadas e o cavalo deve estar o tempo todo atento e relaxado. E, sempre que o animal responder corretamente aos comandos, o cavaleiro deve aliviar a pressão e permitir que o cavalo venha ao seu encontro no centro do redondel. Esse é um excelente exercício para trabalhar a coerência da linguagem corporal do cavaleiro e criar uma série de comandos combinados com o cavalo, o que ajuda a afinar o conjunto.

O passo seguinte da conexão é o charreteamento, uma técnica onde utilizamos duas guias, presas no bridão, como se fossem as rédeas, que vêm até as mãos do cavaleiro que está no chão. O mesmo trabalho de ritmo, relaxamento e transições deve ser feito e agora podemos passar para a pista ou o picadeiro, onde existe espaço para trabalhar as mudanças de direção e até mesmo as trocas de mão no galope.

Quando estamos no redondel, a cerca nos ajuda a guiar o cavalo, agora, no charreteamento, a direção é de total responsabilidade do cavaleiro. E, da mesma forma, trabalhamos a coerência de linguagem, pedindo as transições de andamentos e aliviando a pressão quando o cavalo executa o que lhe foi pedido.

Lembre-se que seu cavalo não precisa acertar tudo de primeira, como todo treinamento, as tentativas no começo já valem a recompensa do alívio da pressão mesmo sem estar perfeito. O charreteamento também pode ser uma ferramenta de dessensibilização, com a qual podemos mostrar coisas novas como objetos, obstáculos, lonas e ambientes diferentes ao nosso cavalo de forma segura e clara para ele.

Ambos os exercícios ajudam a deixar os sinais de comunicação mais assertivos e coerentes para o cavalo, clareando o que é ‘sim’ e o que é ‘não’, permitindo que o cavalo relaxe e sinta-se mais confortável e confiante na presença do cavaleiro.

Por fim, e não menos importante, devemos melhorar a equitação sempre! Toda a coerência de linguagem que você adquirir com os trabalhos de chão deve ser levada para cima do cavalo, enquanto montado, no uso das pernas, assento e rédeas. Uma boa equitação utiliza a comunicação coerente o tempo todo, bem como os exercícios de chão. Dessa forma, é possível conseguir um cavalo mais cooperativo e também corrigir aquilo que chamamos de “problemas comportamentais”, que muitas vezes são, na verdade, problemas de comunicação entre as duas espécies.”

Darko Magalhães e Malvina Parré

 

Quem quiser se aprofundar no tema, Malvina Parré e Darko Magalhães têm um curso completo de doma que está disponível neste link. São oito aulas ao vivo (mas ficam gravadas) e materiais de apoio.

 

A seção Pergunte ao expert tem como objetivo responder a dúvidas enviadas pelos leitores. A cada questão selecionamos um atleta profissional para respondê-la. Tem alguma pergunta? Envie para contato@adestramentobrasil.com

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