Claudia Mesquita, juíza FEI 4*: conjuntos harmônicos podem alcançar notas mais altas

Como os juízes atribuem notas às diferentes figuras? Há diferenças nos critérios usados para julgar provas iniciantes e mais avançadas? O que fazer para aumentar a nota? Como fazer para se tornar juiz de adestramento? Essas foram algumas questões abordadas com a juíza internacional FEI 4* Claudia Mesquita em entrevista transmitida ao vivo no canal do Youtube de Adestramento Brasil (veja a íntegra do vídeo no fim da matéria), na última quarta-feira, 1º de julho.


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“A primeira coisa que a gente vê é a qualidade dos movimentos apresentados e depois vemos mais a fundo na figura em si, mas a qualidade é muito importante, qualidade de andaduras, de movimentação do animal, as ajudas: é o conjunto que vai te levar a uma qualidade de figura. Você tem de ter um conjunto mais harmônico para conseguir chegar [a notas mais altas]”, apontou quando questionada do por que os conjuntos, principalmente os amadores, raramente alcançam notas acima dos 67%.

Entre as dicas para melhorar o desempenho na prova, a juíza ressaltou a necessidade de se ler o regulamento e de entender em cada uma das reprises quais são as diretrizes e o que está sendo pedido. Ela também lembrou que as figuras englobam mais que apenas o exercício pedido em si, mas como se entra e sai dele. Muita atenção ao desenho, manter ritmo constante durante a prova e marcar as transições foram alguns dos pontos enumerados por ela.

Com relação ao momento certo de subir de série, Mesquita opinou que o conjunto precisa estar seguro para trocar de nível e destacou que, ainda que não haja nota mínima, os conjuntos precisam avaliar se estão preparados para a mudança e se conseguem atender às exigências pedidas nas diretrizes das reprises.

Plano de longo prazo
Mesquita também respondeu sobre o que poderia ser feito no Brasil para os conjuntos ganharem competitividade no cenário internacional. “Eu, particularmente, acho que, para conseguirmos medalhas, tem de se pensar diferente. Hoje, estamos muito imediatistas”, ressaltou, explicando que o planejamento tem de ser feito com antecedência de um ou dois ciclos olímpicos e englobando um grupo maior de uns 12, 20 cavalos para no final tirar um grupo bom.

“Você tem de pegar um cavalo de quatro anos hoje para daqui a quatro anos ele estar com possibilidade de São Jorge, de small tour, e mais quatro anos, no segundo ciclo olímpico, ele chegar a um grande prêmio. Então, você vai fazendo em um crescente e não imediatista de comprar hoje para entrar amanhã, porque não funciona assim, pelo menos, para você conseguir medalhas. Se quer classificação, no sentido de participação, OK, não há problemas”, apontou.

Hoje, ressaltou, não existe uma quantidade significativa de cavaleiros em níveis mais altos, sendo necessário aumentar a base para ter a possibilidade de maiores e melhores escolhas. “Não é só pensar em small e big tour. Mas olhar para children, júnior e jovens cavaleiros. Se não tiver isto, vamos continuar na mesma história”, disse, completando que atualmente a base da pirâmide está invertida.

Carreira de juiz
Ao início da entrevista, Mesquita explicou o que se deve fazer para começar e seguir na carreira de juiz, começando na esfera estadual e depois passando para nacional. Ela também falou sobre como ingressar no quadro da Federação Equestre Internacional (FEI). Respondendo à pergunta enviada pela audiência, Mesquita comentou como um intercâmbio seria benéfico para os juízes sul-americanos.

A entrevista teve forte participação do público, que enviou diversas perguntas durante a transmissão. Entre os tópicos abordados, Mesquita falou de por que há diferenças de notas entre os juízes em uma mesma reprise, apontou os principais erros cometidos pelos conjuntos, opinou sobre por que os conjuntos brasileiros não alcançam notas mais altas, explicou se a raça dos cavalos influencia ou não nas notas, defendeu que haja um número maior de treinadores e com mais qualificação, enfatizou a necessidade de se entender a técnica, por meio de conhecimento teórico, e não apesar aprendendo na prática, entre outros tópicos.

Assista à entrevista na íntegra:

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