Natacha Waddell: “Os cantos podem ser seus melhores amigos ou piores inimigos”

Os cantos são um dos espaços mais importantes da pista de adestramento, mas muitos conjuntos não sabem usá-los. “Os cantos podem ser seus melhores amigos ou piores inimigos. E são nestes detalhes que você ganha meio ponto, um ponto ou 1,5 ponto e, no final, a diferença é enorme”, destacou a juíza internacional FEI 4* Natacha Waddell, em entrevista transmitida ao vivo no YouTube de Adestramento Brasil.

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Uma das perguntas mais frequentes é como interpretar as súmulas e como aumentar o porcentual final. Para Natacha Waddell, um conjunto que tirou diversas notas entre seis e sete, por exemplo, não fez nada de errado, porque seis é satisfatório. Mas precisa fazer ajustes para subir a nota.

“Se a prova é só entre seis e 6,5, você tem de pensar que tem de dar mais vida nesta prova, que alguma coisa está correta, mas estão faltando coisas para alcançar notas maiores. E isto pode vir da andadura dos cavalos. Tem de olhar os comentários para ver o que falta, se está acima da mão, se está atrás da vertical… As notas não podem ser interpretadas sem o comentário”, ressaltou. Outra dica é ler as diretrizes das provas.

“Se você tem um cavalo que fica entre seis e 6,5, você pode ver que teoricamente não é um cavalo que vá chegar a 80%, mas um cavalo que tenha diferenças nas notas entre altas e baixas muito grandes, é um cavalo que com trabalho de base bem-feito pode chegar a um porcentual final mais alto”, acrescentou.

Entre os erros mais comuns, Waddell citou o desenho e deu como exemplo a serpentina, que não tem canto — e muitos o fazem. O cavaleiro tem de pensar no desenho e lembrar que depois de cada canto existe um movimento. “O cavaleiro não pode descartar a precisão da entrada e da saída do canto, porque no canto você chama a atenção dele, você vai reengajar, vai colocar mais impulsão”, ressaltou, acrescentando que, para manter um cavalo equilibrado, você tem de manter uma trajetória preparada.

Waddell chamou a atenção para ativar sempre o cavalo, engajar os posteriores, nunca descartar os cantos, fazer transições e preparar os movimentos. “O cavalo é um animal que não gosta de surpresas. Tudo tem de ser preparado e pensado. Você tem de pensar, olhar, preparar”, lembrou.

Na entrevista, Waddell também comentou sobre as dificuldades em cada uma das séries e quais são as principais desafios em subir de nível; e ressaltou que, ao executar uma reprise em prova, o ideal é estar fazendo, em casa, uma série mais forte. “Cada vez que você faz uma série, você tem de ter a capacidade em casa de já montar a série superior, porque, quando você entra na série onde você se inscreveu, o cavalo está super bem. Se você tem uma dificuldade a montar, por exemplo, uma média 2 em casa, pensar que vai ficar mais fácil em prova, está errado”, disse.

Com relação às séries fortes, Waddell avalia que as reprises da forte 1 são de provas bastante técnicas nas quais introduz as mudanças em série e tem o início da meia pirueta, diferente da São Jorge.

Carreira e provas internacionais
Antes de ser juíza, Natacha Waddell fez salto e hipismo completo (CCE). O dressage entrou em sua vida quando se apaixonou por uma potra de 2,5 anos que tinha papel de adestramento; assim, mudou de modalidade. “Comecei a fazer adestramento fazendo a doma dela dentro da hípica de Santo Amaro e fomos até a Prêmio São Jorge e Intermediária 1”, contou.

A carreira de juiz ocorreu quase que organicamente. Ela contou que estava interessada em entender como os juízes atribuíam as notas e para isto secretariou juízes por anos, inclusive, em provas internacionais. De secretaria, fez as provas para virar juíza e, assim, foi subindo nos níveis. Em 2011, passou para juíza internacional FEI 2*; em 2014, passou para três estrelas e, em 2016, para FEI 4*. Mais recentemente, ela também ingressou como juíza FEI para cavalos novos.

Além de julgar no Brasil, Waddell julga também na França, Alemanha e nos Estados Unidos. Ela contou que, com muitos inscritos, as provas nos EUA podem ser divididas entre amadores e categoria aberta, sem diferenciação entre profissionais e não. “As provas abertas podem ter cavalos muito, muito bons, às vezes, excepcionalmente, excepcionais, e montados por cavaleiros excepcionais, mas, no final, das provas, você também tem cavaleiros sempre também que fazem 60%, 61%. Os tops estão obviamente em um nível extraordinário e os últimos não são cavalos e nem cavaleiros excepcionais”, explicou.

“Não podemos falar na Europa ou nos Estados Unidos tudo é maravilhoso. Não. Tem coisas fantásticas e coisas que são bem normais”, frisou.

Na entrevista, Natacha Waddell também falou sobre momento certo de mudar de série, comentou as dificuldades de diferentes reprises; falou sobre como escolher entre colocar um animal em cavalos novos ou nas séries regulares; sobre as escolas francesa e alemã, escala de treinamento, entre outros.

Assista à entrevista na integra:


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