Murilo Augusto Machado está realizando um sonho. Depois de acompanhar João Victor Marcari Oliva em concursos na Europa, agora, eles serão companheiros de equipe. Ambos — ao lado de Manuel Tavares de Almeida Neto e Nuno Chaves de Almeida — vão defender o Brasil no Campeonato Mundial de Adestramento em Aachen. Para Murilo, as seletivas foram um marco de sua evolução e maturidade. Em entrevista ao Adestramento Brasil, ele destacou que o sucesso na conquista dos índices veio da humildade em reconhecer suas limitações e as do cavalo, optando por executar o básico com excelência e foco na harmonia, em vez de tentar manobras complexas além de sua capacidade atual.
Adestramento Brasil —Como foram as provas das seletivas? Achou que o conjunto evoluiu durante o processo? Em que?
Murilo Machado — Para mim as seletivas foram uma virada de chave; foram uma evolução e uma muito grandes, tanto minha como cavaleiro, ganhando experiência, como pelo meu cavalo. Recebi, ao longo do processo, muitas boas dicas de todo o pessoal em volta; então, para mim, foi algo muito importante ter conseguido fazer três índices consecutivos com a mesma nota. Isso me deu maturidade de entender que eu não posso inventar muita coisa, porque eu tenho um cavalo limitado e eu também sou um cavaleiro novo.
Não dá para fazer algo que eu não tenho. Então, foi basicamente fazer o simples bem feito: tentei fazer uma boa apresentação, montar descontraído, feliz e mostrar o que o meu cavalo tem de melhor, que é a regularidade. É fazer um alto bem feito, uma transição bem feita, para que no final fique uma prova harmoniosa, afinal, o adestramento é harmonia entre o cavalo e o cavaleiro. Eu e o Jorge sempre tivemos uma uma harmonia muito grande; tentei demonstrar isso e não dar um passo maior que a perna e inventar algo que eu não tenho capacidade de fazer. Essa maturidade foi muito importante e também é importante a gente ter a humildade de saber até onde a gente pode ir.
Daqui até o Campeonato Mundial, como será seu treino e preparação?
O treino de preparação está sendo muito técnico, muito específico e baseado na dificuldade que o cavalo sempre teve. Estamos trabalhando a base do cavalo praticamente, porque o cavalo já tem todos os exercícios, então, a gente precisa melhorar a qualidade do galope, a qualidade das transições passage-piaffer, a finura do cavalo, ter ele bem curvado, todos esses pontos técnicos que contribuem para aumentar a nota.

Aqui, o João [Oliva] e o [técnico] Daniel [Pinto] têm muita experiência com grande prêmio. Está sendo muito bom poder ter essa visão que eles têm — eles que já chegaram a lugares que a gente sempre sonhou em chegar. Saber qual é o caminho e eles estão me mostrando esse caminho pra eu poder evoluir. Está sendo muito bom pra mim, como cavaleiro profissional, e também para o meu cavalo. Eu tô vendo uma diferença muito grande de mentalidade e de trabalho.
O que significa para você representar o Brasil no Campeonato Mundial?
Representar o Brasil pra mim no Mundial é um sonho, é algo muito emocionante e muito forte, porque eu acho que é representar aquilo que todo brasileiro é: trabalhador, sonhador e que nunca desiste. Meu primeiro contato com uma competição grande foi indo como tratador para Aachen com o pai do Jorge. E, aí, depois do Jorge ser o primeiro cavalo que eu domei, é o cavalo que eu consegui ir pra Aachen. Agora, depois de nove anos, eu volto não mais como tratador, mas como cavaleiro com o filho do cavalo que fui tratador.
Jorge foi o primeiro cavalo que eu domei e fomos crescendo e aprendendo junto. É algo muito emocionante e eu só tenho a agradecer a todas as pessoas que fizeram e fazem parte disso, porque sozinho a gente não chega a lugar nenhum. Representar o Brasil é algo muito emocionante justamente por isso, por representar a história de uma vida e a história de um País; e representar todas as pessoas que ajudaram a chegar até aqui.
Qual é sua meta pessoal e por equipe para Aachen 26?
Para mim, vai ser algo incrível e o maior objetivo pessoal eu acredito que é concretizar esse sonho entrando na pista e fazendo uma boa prova. Por equipe, é também mostrar para o mundo uma boa montaria, mostrar que os brasileiros também sabem fazer cavalos e montar. É fazer uma boa apresentação e dar o nosso melhor. A gente trabalhou muito para isso acontecer, então, ali acho que vai ser o palco onde a gente pode dar o nosso melhor. O objetivo, tanto pessoal como por equipe, vai ser sempre esse: dar o meu melhor e fazer uma boa montaria, uma boa apresentação para que, como o Daniel mesmo disse, mostrar para as pessoas que o Brasil tem uma boa equitação e que as pessoas montam bem.
Adestramento Brasil solicitou entrevista a todos os membros da equipe.
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Fotos: divulgação atleta / acervo pessoal



