Manuel Rodrigues Tavares de Almeida Neto, 32 anos, está otimista com o adestramento brasileiro. Com um histórico de compor equipes nacionais, o cavaleiro titular da Coudelaria Rocas do Vouga encara seu segundo Campeonato Mundial, desta vez, no lusitano Hermes (Rico x Xale por Noitibó). Sua estreia foi no então nos Jogos Equestres Mundiais (WEG, na sigla em inglês) na Normandia, França, em 2014, quando montou Viheste e teve como parceiros de equipe os irmãos Luiza e Pedro, além de João Victor Oliva, que também será companheiro de equipe em Aachen 26.
Manuel foi medalha de prata por equipe nos Jogos Pan-americanos de Santiago 2023. Também foi reserva nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e nos Pan-americanos de Guadalajara 2011 e Toronto 2015. “Da maneira como eu projeto a evolução do dressage brasileiro, os conjuntos que quiserem compor a equipe nacional terão de lutar não mais por índices qualificatórios, mas sim por vitórias e pódios em palcos importantes”, destacou em entrevista ao Adestramento Brasil.
Adestramento Brasil — Como foram as provas das seletivas? Achou que o conjunto evoluiu durante o processo? Em que?
Manuel Rodrigues Tavares de Almeida Neto — Sem sombra de dúvidas, houve muita evolução. Afinal, partimos de completos desconhecidos para um binômio qualificado para os Jogos Mundiais. Em cinco meses, fizemos a adaptação e seis provas internacionais qualificatórias.
Nesse período, tivemos que cumprir em pouco tempo seis etapas: (i) entendimento nos treinos diários, (ii) treinos-provas em casa, (iii) adaptar o treino e performar em casa, (iv) reconhecimento do comportamento do animal em provas oficiais, (v) adaptar o treino com base nos insights das competições, (vi) repetir iv e v buscando melhores resultados.
Se não fossem os limitadores de tempo, o planejamento teria sido muito mais espaçado, mas fizemos o que foi possível na tentativa de compor uma equipe com quatro conjuntos para o Mundial, algo que não foi possível na última edição dos jogos.
No geral, fiquei muito feliz com o que o Hermes me ofereceu na temporada e o que pudemos atingir como conjunto.
Daqui até o Campeonato Mundial, como será seu treino e preparação?
Estamos em concentração na França, focados em ajustes finos — não é hora de revolução; e, sim, de consolidação. Temos sorte de ter um técnico do Brasil com uma filosofia de treino como a do Daniel Pinto. Além disso, temos o luxo de ter uma equipe composta por amigos. Nessa atmosfera fraternal, todos acabam tendo um papel nas análises e sugestões de melhora dos conjuntos, competindo e treinando lado a lado desde as qualificatórias.
O que significa para você representar o Brasil no Campeonato Mundial?
Representar o Brasil é sempre uma honra e uma responsabilidade. Esse é um sonho que eu não me canso de sonhar. Espero cumprir um bom papel e, mais do que isso, me preparar para continuar representando o País no futuro com mais expressividade no cenário internacional.
Afinal de contas, da maneira como eu projeto a evolução do dressage brasileiro, os conjuntos que quiserem compor a equipe nacional terão de lutar não mais por índices qualificatórios, mas sim por vitórias e pódios em palcos importantes.
Já vimos isso acontecer em um passado recente, em casos isolados: conjuntos que brilharam em palcos internacionais, pontuando mais de 72%-73% em grande prêmio, como foi o caso do meu irmão Pedro Almeida e Famous do Vouga, João Oliva com Escorial e Feel Good, e Renderson e Fogoso.
Porém, nunca tivemos uma continuidade de performance de três ou mais conjuntos fortes em uma mesma equipe ou ciclo. Acho que esse momento está próximo.
Temos uma gama de cavalos e atletas brasileiros muito qualificada que vai aparecer nos GPs internacionais nos próximos 18 meses. Essa matéria-prima, guiada pela CBH, que vem fazendo um belo trabalho, pode trazer muitas alegrias para o dressage brasileiro.
Qual é sua meta pessoal e por equipe para Aachen 26?
Minha meta é entregar o máximo com a consciência de que é um início de trabalho deste conjunto. Sinto que o cavalo tem muito mais a oferecer, mas essa etapa leva tempo. Quero aproveitar a minha segunda participação em Mundial para ganhar experiência com o Hermes e tentar garantir a continuidade na equipe.
No ciclo seguinte, o Brasil deve disputar medalha nos Pan-Americanos e, quem sabe, buscar nas Olimpíadas o melhor desempenho por equipe das últimas edições.
Adestramento Brasil solicitou entrevista a todos os membros da equipe.
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Fotos: divulgação ABPSL




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