Como colocar o cavalo “na mão”?

AB_Pergunte_expert-peq Um dos temas recorrentes a quem está aprendendo adestramento é como colocar e manter o cavalo no contato. Durante todo o trabalho, inclusive no alto, o cavalo deve estar “na mão”. Mas o que é isso e como conseguir? A resposta é dada pelo cavaleiro profissional e juiz André Ganc.

O regulamento da Confederação Brasileira de Hipismo explica que um cavalo está “na mão” quando o pescoço está mais ou menos elevado e arredondado, conforme o estágio de seu treinamento e o alongamento ou reunião da andadura e aceita a embocadura com um contato leve e consistente, macio e submisso. A cabeça do animal deve conservar-se em uma atitude fixa e, em regra geral, o chanfro ligeiramente à frente da vertical, com a nuca flexível e como o ponto mais alto do pescoço. Além disto, o cavalo não deverá oferecer qualquer resistência ao cavaleiro.

Com vasto currículo, o engenheiro agrônomo Ganc é atleta e treinador atuante na disciplina de adestramento clássico com vitórias em diversos CAN, campeonatos paulistas, brasileiros e internacionais e do FEI World Challenge. Ele também foi comentarista da ESPN na Olimpíada de Londres, nos Jogos Equestres Mundiais e na Olimpíada do Rio. Ganc é criador do studbook do cavalo friesian no Brasil; foi diretor da raça friesian no País de 2014 a 2017 e diretor de adestramento da ABPSL de 2008 a 2015. Confira as suas dicas:

“Primeiramente, devemos salientar que o que se procura quando usamos esse termo é um cavalo em um contato adequando para o momento. Um contato adequado gera o arredondamento do pescoço de forma proporcional e harmônica com o nível de reunião e, portanto, impulsão que o animal apresenta no momento.

O contato pode ser definido como a viva expressão da impulsão manifestada sobre uma conexão confiável e elástica. Daí, podemos concluir que, para podermos esperar um bom contato, devemos nos assegurar que nosso cavalo está permeável à ação de pernas gerando, assim, energia vindo de trás, e que somos capazes de oferecer a ele uma conexão com sua boca elástica, confiável e confortável.

A partir disso é uma questão de estratégia para induzir nosso cavalo a experimentar o contato e aceitar a embocadura, entrando no “frame” que todos nós procuramos.

Pessoalmente, faço essa abordagem por meio do ceder à perna por diversas razões. Entre elas, está o fato de que um dos dogmas da equitação diz que o cavalo sempre deve vir da perna interna para a rédea externa — e isto ensinamos no ceder à perna, porque esse exercício, imediatamente, denuncia a displicência do cavalo em relação à perna interna se for o caso.

O cavalo estando à frente das pernas, o fato de recebermos o cavalo na rédea externa já prepara toda base para a reunião, objetivo de topo da escala de treinamento; permite que ensinemos um lado de cada vez, com alternância de sentido o que dá um refresco ao cavalo quando mudamos de direção.

O que não fazer:

– Puxar as rédeas para trás;
– Serrar a boca do cavalo;
– Brincar com os dedos;
– Tentar encurtar o pescoço do cavalo;
– Exagerar na encurvatura.

Bons treinos!

A seção Pergunte ao expert tem como objetivo responder a dúvidas enviadas pelos leitores. Tem alguma pergunta? Envie para siteadestramentobrasil@gmail.com.

 

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