WEG: o sonho que faltava para Leandro Silva

Leandro Aparecido da Silva tinha dez anos quando teve seu primeiro contato com o adestramento. Seu pai havia começado a trabalhar no Haras Itapuã. “Logo que cheguei à fazenda, um cavaleiro espanhol chamado Antônio Cotan estava montando cavalos no adestramento, tirando a passage, piaffe, laterais. Eu nunca tinha visto e aquilo me encantou muito”, lembra. De menino sonhador, Leandro ganhou o mundo representando o Brasil: foi aos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, a três Pan-Americanos (Santo Domingo 2003, Guadalajara 2011 e Toronto 2015, conquistando medalha de bronze por equipe e 6º no individual) e ao Sul-Americano do Chile 2014, quando o Brasil levou o ouro por equipe e ele, o bronze individual. Faltava disputar os Jogos Equestres Mundiais. Em setembro, Leandro realiza mais este sonho.

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O menino, nascido em Mato Grosso, encantado com o adestramento se aproximou do espanhol e passou a ser o tratador de seus cavalos. Em troca, tinha aulas com Cotan. “O espanhol montava no haras onde meu pai trabalhava como administrador. Eu trabalhava na parte das cocheiras, como tratador, mas, conforme fui fazendo aulas, passei a picador”, conta.

Dentro do mundo do cavalo, Leandro passou por alguns haras e chegou a fazer apresentações de autoescola com os animais. Foi depois dos 20 anos de idade que Leandro começou a disputar competições de adestramento. “Fui trabalhar com o José Victor Oliva e lá comecei a me destacar”, lembra. Depois de pouco mais de um ano com Oliva, Leandro passou a trabalhar no Haras Villa do Retiro e lá alcançou a classificação do primeiro lusitano, o Luar, a participar de Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo.

“Eu acreditava que o Luar tinha potencial e achava que podia competir de igual para igual com os alemães. Comecei a trabalhar ele em 2000 e o Pan foi em 2003. Nem a própria raça acreditava que ia para o Pan, todo mundo me achava doido de entrar com ele na seletiva. Era outra época, não havia muita política do lusitano em prol do adestramento. Quando eu consegui o índice foi que começou, teve todo o investimento e vários criadores começaram a investir e trazer técnicos de alto nível”, diz. Se, em 2003, apenas o Luar era lusitano na equipe brasileira (que contava ainda com Isabela Travassos, Martina Brandes e Pia Aragão), hoje é o contrário: apenas a montaria de Leandro, o oldenburgo Di Caprio, não é lusitano.

O cavaleiro de 42 anos mostra-se feliz pelo progresso da raça e pelas conquistas obtidas depois do Pan de 2003. A ida a Santo Domingo, na República Dominicana, abriu também o horizonte para o atleta que, até então, nunca havia viajado para o exterior. “Quando voltei deste Pan fiquei empolgado para ir para fora do País, conhecer mais. Então, fui para os Estados Unidos treinar em Wellington. Fiquei seis meses lá e, quando voltei para o Brasil, e recebi proposta da Fazenda Santa Isabel, que era do Paulo Salles que estava investindo em lusitanos.”

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Àquela altura, a raça já havia ganhado força e juntado criadores para impulsioná-la. Leandro integrava a elite de cavaleiros que treinavam os melhores cavalos de olho em conquistar medalha no Pan de 2007. “Eu estava no grupo de treinamento, mas não fui para o Pan do Brasil. Meu cavalo ganhou as primeiras seletivas, mas teve uma lesão”, lembra. Com Luiza Tavares de Almeida (Samba), Rogério Clementino (Nilo VO) e Renata Rabello Costa (Monty), o Brasil conquistou a medalha de bronze, garantindo uma vaga inédita por equipe para o País nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.

O foco, então, passou a ser Pequim, no ano seguinte. Para se preparar e conseguir os índices exigidos pela Federação Equestre Internacional (FEI), ele foi treinar e competir com Oceano do Top na Europa. Escalado para a equipe nacional, Leandro Silva ficou em 43º lugar.

A montaria mudou para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011. Leandro conquistou vaga no Time Brasil com o sela holandesa L’Acteur. Nos jogos, o País terminou em 5º lugar por equipe contou com time formado por Mauro Pereira Junior com Tulum Comando SN, Luiza Tavares de Almeida com Pastor, Rogério Silva Clementino com Sargento do Top e Leandro Aparecido da Silva com L´Acteur.

Os treinos com Di Caprio, com quem Leandro compete em Tryon 2018, começaram em abril de 2012. Depois do Pan, Leandro passou a integrar a equipe de Patricia Villela Marino, proprietária do oldenburgo. “Comecei a me entrosar com ele; fiquei um ano treinando antes de entrar em competições. Entrei em algumas e logo começou preparação para sul-americano do Chile”, conta, lembrando que o Brasil ganhou por equipe.

“Nosso time era muito superior aos outros, tanto que ganhamos ouro por equipe e, no individual, ouro, prata e bronze. O Sul-Americano teve papel bem bacana e foi preparação para o Pan. A equipe estava bem entrosada, dentro e fora do cavalo”, relata. Além dele, integraram a equipe João Victor Marcari Oliva com Xamã dos Pinhais, João Paulo dos Santos com Veleiro Top e Pia Aragão com Zepelim Interagro. No ano seguinte, a equipe brasileira traria o bronze para casa no Pan de Toronto.

A atenção está voltada para os Jogos Equestres Mundiais. Leandro conta que Di Caprio vem evoluindo conforme planejado. “O plano que a gente tinha era classificar para a olimpíada do Rio 2016, conseguimos os índices, mas não fomos chamados. Di Caprio era jovem de GP. Hoje, ele está bem mais preparado e com experiência; e conseguimos os índices em todas as seletivas e com notas mais altas do que ele estava para Rio 2016.”

Para Leandro, WEG pode ser ainda mais competitivo e difícil que a Olimpíada. O menino que admirava o adestramento viu seus sonhos se realizarem pouco a pouco. Em menos se três semanas, o cavaleiro vai colocar no currículo a única grande competição internacional da qual ainda não participou. O novo sonho? Apresentar-se na kür em WEG.

Este é a quarta e última matéria contando um pouco mais dos atletas que representarão o Brasil em WEG. Adestramento Brasil vai aos Estados Unidos acompanhar os brasileiros de perto e fazer a cobertura completa dos Jogos Equestres Mundiais. Leia as matérias no especial — clique aqui. Tem alguma pergunta para João ou outro cavaleiro do time? Quer saber algo de WEG? Escreva para contato@adestramentobrasil.com.

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