“Não é com apenas uma vitória ou uma derrota que se constrói uma carreira”, ensina Leandro Silva

O sonho que faltava para Leandro Silva foi vivido no ano passado, quando ele e DiCaprio representaram o Brasil nos Jogos Equestres Mundiais. Era a grande competição que o atleta ainda não tinha participado e que agora consta no currículo ao lado dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, três Pan-Americanos (Santo Domingo 2003, Guadalajara 2011 e Toronto 2015, conquistando medalha de bronze por equipe e 6º no individual) e do Sul-Americano do Chile 2014, quando o Brasil levou o ouro por equipe e ele, o bronze individual. Agora, Leandro e seu companheiro de longa data DiCaprio estão no Peru, na expectativa de integrar a equipe oficial que entra em pista representando o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019.

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Com medalha do Pan no peito, conquistada em Toronto, Leandro diz que ela dá mais garra, porque mostra que é possível consegui-la novamente. “Estou treinando muito para dar o melhor que eu e Di Caprio pudermos”, contou em entrevista ao Adestramento Brasil antes de embarcar para Lima. Para ele, disputar o Pan não gera estresse, mas uma ansiedade e uma vontade de competir. Na sua preparação, disse que seguiu sua rotina normal. “Trabalhando, treinando, fazendo um pouco de exercícios, apreciando diariamente minha criação de cavalos (estar no meio deles me recarrega a bateria), brincando com meus filhos e vivendo bons momentos com minha esposa, família e amigos.”

Leandro e DiCaprio participaram de todos os quatro concursos de adestramento internacionais CDI 2* realizados no Brasil com objetivo de selecionar o Time Brasil. Em entrevista em vídeo, explicou que gosta de fazer todas as seletivas, porque, além de serem observatórias, é um momento para poder preparar o cavalo, condicioná-lo e ambientá-lo. O cavaleiro também afirmou que foram seletivas com o nível mais alto. “Temos um concorrente melhor que outro; um batendo a nota de outro. E isto dá uma certa tranquilidade no sentido da qualidade. Mas não podemos esquecer que a competição é fora e que lá tem bons cavaleiros e estão se preparando igual a gente.”

Para se preparar para Lima, Silva e DiCaprio mantiveram os treinos como estavam sendo feitos, mas dando algumas lapidadas. “O foco é colocar o Di Caprio cada vez melhor nos movimentos para uma melhor reprise no todo”, explicou. A participação em diversos campeonatos internacionais mostrou a ele que dedicação é tudo. “Temos que treinar muito, nos dedicarmos, focar e acreditar. A lição que fica é que não é com uma vitória ou apenas uma derrota que se constrói uma carreira. Temos que ter um psicológico muito bom pra lidarmos com os dias de glória e os dias de derrota”, ponderou, ressaltando que a construção da carreira está baseada em dedicação diária. “Só dá para entrar em uma competição quem sabe ganhar e perder. Às vezes, tudo dá certo e, às vezes, não. Temos que seguir em frente em busca dos objetivos; tendo isso em mente, facilita muito.”

Para ele, o Brasil levou um time forte ao Pan de Lima. “Todos somos aptos a representar bem o Brasil. O time está forte. Claro que gostaria muito de poder me apresentar, como todos também gostariam”, disse. Questionado sobre como ele lida com a pressão de o Brasil ter de conquistar medalha para garantir a vaga por equipe nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Leandro passou suas dicas. “Meu ritual para lidar com essa pressão é sempre conversar com Deus, pedir sabedoria e que tudo ocorra como tem que ser.”

Trajetória
Leandro Aparecido da Silva tinha dez anos quando teve seu primeiro contato com o adestramento. Seu pai havia começado a trabalhar no Haras Itapuã. “Logo que cheguei à fazenda, um cavaleiro espanhol chamado Antônio Cotan estava montando cavalos no adestramento, tirando a passage, piaffe, laterais. Eu nunca tinha visto e aquilo me encantou muito”, contou em entrevista ao Adestramento Brasil antes de disputar WEG. O menino, nascido em Mato Grosso, encantado com o adestramento se aproximou do espanhol e passou a ser o tratador de seus cavalos. Em troca, tinha aulas com Cotan. “O espanhol montava no haras onde meu pai trabalhava como administrador. Eu trabalhava na parte das cocheiras, como tratador, mas, conforme fui fazendo aulas, passei a picador.”

Dentro do mundo do cavalo, Leandro passou por alguns haras e chegou a fazer apresentações de autoescola com os animais. Foi depois dos 20 anos de idade que Leandro começou a disputar competições de adestramento. “Fui trabalhar com o José Victor Oliva e lá comecei a me destacar”, revelou. Depois de pouco mais de um ano com Oliva, Leandro passou a trabalhar no Haras Villa do Retiro e lá alcançou a classificação do primeiro lusitano, o Luar, a participar de Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo.

“Eu acreditava que o Luar tinha potencial e achava que podia competir de igual para igual com os alemães. Comecei a trabalhar ele em 2000 e o Pan foi em 2003. Nem a própria raça acreditava que ia para o Pan, todo mundo me achava doido de entrar com ele na seletiva. Era outra época, não havia muita política do lusitano em prol do adestramento. Quando eu consegui o índice foi que começou, teve todo o investimento e vários criadores começaram a investir e trazer técnicos de alto nível”, disse à época.

O cavaleiro mostrou-se feliz pelo progresso da raça e pelas conquistas obtidas depois do Pan de 2003. A ida a Santo Domingo, na República Dominicana, abriu também o horizonte para o atleta que, até então, nunca havia viajado para o exterior. “Quando voltei deste Pan fiquei empolgado para ir para fora do País, conhecer mais. Então, fui para os Estados Unidos treinar em Wellington. Fiquei seis meses lá e, quando voltei para o Brasil, e recebi proposta da Fazenda Santa Isabel, que era do Paulo Salles que estava investindo em lusitanos.”

Leandro passou a integrar a elite de cavaleiros que treinavam os melhores lusitanos de olho em conquistar medalha no Pan de 2007. “Eu estava no grupo de treinamento, mas não fui para o Pan do Brasil. Meu cavalo ganhou as primeiras seletivas, mas teve uma lesão”, lembra. Com Luiza Tavares de Almeida (Samba), Rogério Clementino (Nilo VO) e Renata Rabello Costa (Monty), o Brasil conquistou a medalha de bronze, garantindo uma vaga inédita por equipe para o País nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.

O foco, então, passou a ser Pequim, no ano seguinte. Para se preparar e conseguir os índices exigidos pela Federação Equestre Internacional (FEI), ele foi treinar e competir com Oceano do Top na Europa. Escalado para a equipe nacional, Leandro Silva ficou em 43º lugar.

A montaria mudou para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011. Leandro conquistou vaga no Time Brasil com o sela holandesa L’Acteur. Nos jogos, o País terminou em 5º lugar por equipe contou com time formado por Mauro Pereira Junior com Tulum Comando SN, Luiza Tavares de Almeida com Pastor, Rogério Silva Clementino com Sargento do Top e Leandro Aparecido da Silva com L´Acteur.

Os treinos com Di Caprio, com quem Leandro competiu em Tryon 2018 e está escalado para o Pan de Lima, começaram em abril de 2012. Depois do Pan, Leandro passou a integrar a equipe de Patricia Villela Marino, proprietária do oldenburg. “Comecei a me entrosar com ele; fiquei um ano treinando antes de entrar em competições. Entrei em algumas e logo começou preparação para sul-americano do Chile”, conta, lembrando que o Brasil ganhou por equipe.

“Nosso time era muito superior aos outros, tanto que ganhamos ouro por equipe e, no individual, ouro, prata e bronze. O Sul-Americano teve papel bem bacana e foi preparação para o Pan. A equipe estava bem entrosada, dentro e fora do cavalo”, relata. Além dele, integraram a equipe João Victor Marcari Oliva com Xamã dos Pinhais, João Paulo dos Santos com Veleiro Top e Pia Aragão com Zepelim Interagro. No ano seguinte, a equipe brasileira traria o bronze para casa no Pan de Toronto.

Foto: Jane Monteiro


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