“Erros individuais de juízes são compensados pelo sistema”, diz Claudia Mesquita

“Os juízes erram, mas os erros individuais são compensados pelo sistema de julgamento de adestramento tradicional”, explicou a juíza FEI 4 * Claudia Mesquita ao começar sua palestra sobre como é feito o julgamento da prova de cavalos novos, realizada na véspera do Concurso de Adestramento Nacional (CAN) de 20/10, no Clube Hípico de Santo Amaro. Isto significa que o que pode passar despercebido por um juiz pode ser visto por outro; e a nota final levará em conta a avaliação de múltiplos juízes, o que acaba balanceando-a e tornando-a justa.

O comentário sobre o julgamento foi apenas a introdução do bate-papo que durou cerca de uma hora e contou com a presença de cavaleiros e amazonas, no qual Mesquita começou explicando as diferenças de julgamentos das provas tradicionais e de cavalos novos. No mesmo dia, a diretora da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e juíza FEI 4*, Sandra Smith de Oliveira Martins, ministrou palestra sobre como ganhar mais pontos nas reprises e evitar erros de base.

Durante sua fala, Claudia Mesquita ressaltou que o objetivo das provas de cavalos novos de 4, 5, 6 e 7 anos é que eles comecem a serem introduzidos nas competições de adestramento seguindo a escala de treinamento para adquirirem experiência de pista ao mesmo tempo em que são avaliados com animais de mesma idade hípica. “É, normalmente, uma prova de criadores, de negócio”, disse.

Para exemplificar como o treino correto, seguindo a escala de treinamento, surte resultados, Mesquita contou que julgou o cavalo puro sangue lusitano Coroado, montado pela portuguesa Maria Caetano, quando ele tinha cinco anos. “Ele já era um cavalo muito interessante; não era top; ficou na casa do terceiro lugar mais ou menos”, lembrou, assinalando que o fato de ele competir nos Jogos Equestres Mundiais tanto no grande prêmio quanto no GP especial demonstra que o treinamento foi correto. O conjunto obteve nota de 71,165% no grande prêmio e 71,018% no GP especial em WEG.

Em cavalos novos, a categoria do cavaleiro não importa: ou seja, amadores e profissionais disputam juntos, o que conta é a série do animal. O sistema de julgamento é semelhante para animais de quatro, cinco e seis anos, com três juízes julgando juntos em C, dando notas de 0 a 10, sendo permitidos decimais. São atribuídas cinco notas: passo, trote, galope, submissão e impressão geral, quando vai apontar os pontos positivos e negativos. Já para sete anos, o sistema é diferente. O juiz em C aborda a parte técnica, julgando os movimentos nota a nota, como nas demais séries do adestramento, e os juízes nas laterais (B ou E) trabalham em equipe julgando a qualidade.

Em CN 4 anos, o mais importante é observar os princípios básicos dos movimentos. Em cinco anos, iniciam-se as andaduras médias, mudança de pé simples, contragalope, recuar e a reunião, mas ainda olha-se a vontade do cavalo reunião. Em seis anos, o cavalo já deve apresentar a capacidade de reunir e com sete anos deve ter uma clara reunião. “Nas provas de cavalos novos olhamos a qualidade das andaduras, o carisma dos cavalos”, explicou.

Os juízes de CN observam se o desenvolvimento do animal segue a escalada de treinamento conforme a idade. “Já posição e ajuda do cavaleiro não são consideradas, mas temos consciência de que o cavaleiro pode atrapalhar o desempenho do animal”, disse.

Com relação ao quesito impressão geral, o julgamento avalia a conformação do cavalo, seu temperamento e seu talento natural para chegar às classes superiores. Também observa se a escala de treinamento está sendo aplicada corretamente, se o cavalo tem facilidade e fluência na execução dos exercícios.

“A avaliação tem de dar um rumo para nortear o trabalho. No julgamento, é importante diferenciar os erros menores, que não são significativos, dos erros fundamentais, que são mais marcantes e podem apontar para treinamento incorreto, como quebra de ritmo e desobediência.”

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