CBH deve investigar denúncia de maus-tratos em pônei

ATUALIZADA – Após vídeo vazar na internet do cavaleiro Leandro Silva montando um pônei, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) emitiu uma nota, nesta terça-feira 14/7, mas sem explicitar o nome do atleta, afirmando que recebeu as denúncias de maus-tratos e as encaminhou para os setores correspondentes que, na forma da Lei e do Estatuto da CBH, promoverão os procedimentos cabíveis no âmbito administrativo e da Justiça Desportiva. Após a publicação desta matéria, a Federação Paulista de Hipismo, à qual o atleta é federado, emitiu uma nota afirmando que repudia quaisquer atos de maus tratos e atitudes de abuso com risco a integridade física ou emocional de qualquer animal.


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A CBH escreveu em nota que não concorda com nenhuma prática que atente contra o bem-estar e a integridade física de qualquer animal, repudiando qualquer ação neste sentido.

Em nota, a FPH afirmou estar ciente sobre as denúncias.  “Reafirmamos que repudiamos quaisquer atos de maus tratos e atitudes de abuso com risco a integridade física ou emocional de qualquer animal. Diante do comunicado da CBH divulgado nesta data, informamos que estamos alinhados com o mesmo princípio de bem-estar e confiantes que os órgãos responsáveis caminhem com os procedimentos necessários no âmbito administrativo e desportivo”, diz a nota.

Leandro Silva representa o Brasil em grandes competições internacionais há anos. Em 2019, foi medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima, mas, antes disto, foi aos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, a outros três Pan-Americanos (Santo Domingo 2003, Guadalajara 2011 e Toronto 2015, conquistando medalha de bronze por equipe e 6º no individual) e ao Sul-Americano do Chile 2014, quando o Brasil levou o ouro por equipe e ele, o bronze individual. Ele também compôs o Time Brasil nos Jogos Equestres Mundiais em Tryon 2018.

Questionado por Adestramento Brasil, Leandro Silva enviou um texto explicando que o pônei havia atacado sua filha de dois anos e que na hora ficou muito indignado. “Do jeito que eu estava, no mesmo momento, montei ele para tentar mostrar que ele não deveria mais ter aquele tipo de atitude. Eu estava sem chicote, sem botas ou esporas e com bridão”, escreveu.

posicionamento_Leandro_ponei“Não é dessa maneira o correto de corrigir, mas no momento que ele machucou tão feio ela, diante do jeito que ela trata ele, que é com todo carinho, agi errado. Gostaria de me desculpar. Durante toda minha carreira, nunca tive nenhum episódio de má conduta e devo tudo na minha vida aos cavalos. Quem me conhece sabe como cuido dos meus animais e como eles são importantes para mim e para minha família”, finalizou. Ele compartilhou o mesmo texto no Facebook  (imagem).

O vídeo de aproximadamente um minuto vem sendo compartilhado em diversas contas nas redes sociais desde, pelo menos, o último domingo (12/07). Nele, o cavaleiro está montando um pônei e dá trancos na boca do animal.

Pelo regulamento veterinário da CBH (veja aqui), é configurado como abuso dos cavalos o fato de agir de uma maneira que provoque ou de não agir para evitar a provocação de dores ou desconfortos inúteis. Os maus-tratos podem incluir, sem limitações, chicotear ou bater excessivamente em um cavalo; submeter o cavalo a qualquer tipo de equipamento provocando choque elétrico; usar esporas excessiva ou persistentemente ou executar paradas bruscas e trancos na boca do cavalo com o freio; competir usando um cavalo obviamente exausto, manco ou lesionado; barrar um cavalo em qualquer lugar dentro ou fora do local do evento; sensibilizar ou dessensibilizar anormalmente qualquer parte de um cavalo; deixar um cavalo sem comida, bebida e exercícios adequados.

Em 2018, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) publicou a Resolução nº 1.236, que instituiu o regulamento para conduta do médico-veterinário e do zootecnista e apontou conceitos claros e diferencia práticas de maus-tratos, de crueldade e de abuso. A resolução define que maus-tratos são atos ou até omissões que provoquem dor ou sofrimento desnecessários aos animais. Já crueldade é submeter o animal a maus-tratos de forma intencional e/ou de forma continuada. E abuso é qualquer ato intencional que implique no uso despropositado, indevido, excessivo, demasiado, incorreto de animais, causando prejuízos de ordem física e/ou psicológica, incluindo os atos caracterizados como abuso sexual.

Para o Canal Hipismo, a médica veterinária Francielly Luiz, especialista em clínica e cirurgia de equinos, esclareceu que abuso no âmbito do esporte equestre é, portanto, “tudo aquilo que gera, consciente ou inconscientemente, dor, sofrimento, desconforto, medo ou estresse ao cavalo”. Na plataforma Medium, o canal fez um texto especial sobre como identificar práticas abusivas no universo equestre — vale a pena ler (aqui).

Matéria atualizada às 19:38 de 14/07 para inserção da nota de repúdio da FPH. 

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