Alexandro Giordani, veterinário à frente dos casos de EHV-1: todos os cavalos na SHPr serão testados

A forma neurológica do herpes-vírus equino (EHV-1) voltou a preocupar a comunidade equestre brasileira depois de duas éguas serem diagnosticadas com a doença. Adestramento Brasil entrevistou Alexandro Giordani, médico veterinário da Sociedade Hípica Paranaense, que identificou os casos e está à frente do tratamento. Tratam-se de duas éguas que participaram do CSI-W Longines São Paulo Horse Show, na Sociedade Hípica Paulista, entre 20 e 25 de agosto, e que, depois de retornarem à Sociedade Hípica Paranaense, apresentaram quadros da doença. Uma delas foi a óbito.


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“Os dois animais viajaram da Sociedade Hípica Paranaense para o Indoor da Paulista e, quando chegaram de volta ao Paraná, apresentaram quadro de febre, temperatura elevada e evoluíram para o caso neurológico. Um animal foi a óbito e outro está em tratamento, tendo resposta positiva”, relatou Giordani.

Giordani explicou que não tem como saber se o cavalo partiu do Paraná com a doença ou se a contraiu em São Paulo. “Não temos como afirmar onde o cavalo adquiriu o vírus, porque têm cavalos que são assintomáticos”, disse.

Herpes-vírus no Paraná: SHPr fechada e provas canceladas; orientação é inspecionar animais

Ele diagnosticou as éguas com o EHV-1. Ambas apresentaram os sintomas oito dias depois da chegada à SHPR e o exame PCR saiu positivo no último domingo, 8/9, quando ele emitiu um comunicado à comunidade hípica informando quanto ao fechamento temporário da Sociedade Hípica Paranaense em função de dois casos confirmados de herpes-vírus tipo 1.

Por causa disso, diversos concursos já foram cancelados ou adiados — confira o calendário de adestramento atualizado aqui.

Por precaução, os cavalos do Paraná que competiram no concurso nacional de adestramento Rancho Cariama, de 4 a 8 de setembro, foram colocados em quarentena de 28 dias, uma vez que dividiram caminhão com outros animais do Paraná na viagem às competições em São Paulo.

Recomendações
Alexandro Giordani disse que está coletando exame de swab nasal de todos os cavalos estabulados na Sociedade Hípica Paranaense para fazer os exames referentes a herpes-vírus. O clube, hoje, se encontra fechado para entrada e saída de animais.

Por causa da detecção destes casos, a diretoria veterinária da Confederação Brasileira de Hipismo orienta que todos os animais que estiveram em trânsito sejam inspecionados quando chegarem aos seus destinos, realizando controle de temperatura e exame clínico.

“Indico não fazer nenhuma mudança abrupta nos animais, ou seja, seguir o que faz sempre, sem, por exemplo, mudar ração. Como sugestão, pode-se organizar uma vitamina C ou suplemento que ajude na imunidade do cavalo, porque o vírus não tem cura, o que você consegue é manter a imunidade elevada”, assinalou Giordani.

Segundo ele, o vírus é sensível ao cloro, então, uma boa higienização dos locais ajuda na prevenção. “Com cloro, é possível fazer a desinfecção do ambiente de uma forma bem mais fácil e eficiente”, acrescentou. Ele explicou ainda que o herpes-vírus passa pelo ar, por secreções e sangue.

“Após o sinal clínico do cavalo, é preciso fazer, pelo menos, 21 dias de quarentena para observação”, disse Giordani.

Falando sobre os recentes casos do Paraná, a médica veterinária Rachel Worthington ressaltou que a orientação para todos os cavalos em trânsito ou que estiveram recentemente em aglomeração é observar a saúde do animal.

“Veja se ele apresenta quadro de febre ou sintomas que incluem tosse, febre, secreção nasal. Monitorar e, em caso positivo, testar e isolar estes animais dos demais”, apontou. “E o que eu sempre falo é ter o cuidado de não dividir cocho ou material; e isso se estende para manejo em casa”, completou Worthington .

A CBH ressaltou que casos suspeitos de doença infectocontagiosa devem ser imediatamente isolados, assim como os demais animais que viajaram com os mesmos, devendo, inclusive, ser feitos exames complementares. A entidade pede que todos os casos confirmados sejam comunicados a ela para controlar a situação.

Retrospectiva
Em 2021, essa nova cepa do vírus do herpes equino, que causa problemas neurológicos, levou a Federação Equestre Internacional a cancelar concursos em diversos países e a criar um protocolo de melhores práticas, com regras obrigatórias para serem seguidas, incluindo, medidas de segurança a serem tomadas antes de viajar, na chegada ao evento, durante a competição, procedimentos para caso um cavalo tenha de ir ao isolamento, além de indicações para saída do evento e retorno. À época, este noticiário publicou uma série de matérias explicando a doença e como tentar evitá-la.

“Normalmente, a doença na forma neurológica é uma mutação dos vírus pré-existentes. E, quando a gente tem uma mutação, logicamente, este vírus vem com características diferentes na sua contaminação, às vezes, mais agressiva, às vezes, com inabilidade das vacinas já existentes induzirem resposta imune pelo organismo para poder se defender da cepa nova”, explicou o médico veterinário Neimar Roncati, em 2021 — leia aqui.

Em 2023, o EHV-1 voltou a preocupar Europa com novos casos confirmados.

No Brasil, em 2022, foram confirmados diagnósticos de herpes vírus em animais da Sociedade Hípica Paulista.

Foto: divulgação