Em sua segunda grande competição, Giovana Pass garante que continua aprendendo todos os dias

Em setembro, quando os Jogos Equestres Mundiais (WEG, na sigla em inglês) começarem, Giovana Pass, aos 20 anos, disputará sua segunda grande competição internacional de alto nível. Há dois anos, a atual estudante de veterinária integrou a equipe brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e, desde então, dedica-se a alcançar outra meta: representar o Brasil em WEG. “Trabalhei muito sério depois dos Jogos Olímpicos já pensando nos Jogos Mundiais. Não tirei férias. Consegui meus índices e cheguei perto dos 70%, uma nota incrível”, disse, no fim do ano passado.

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A história de Giovana com o hipismo começou quando tinha cinco anos. “Vi a olimpíada de 2004 na televisão e pedi para os meus pais me levarem para fazer aula. Não parei mais.” Foi em Atenas 2004 que Rodrigo Pessoa, montando Baloubet du Rouet, conquistou a prata, que depois seria convertida em ouro devido ao caso de doping no cavalo Waterford Crystaldo campeão, o irlandês Cian O’Connor.

Giovana se encantou pelo esporte e a paixão pelos cavalos acabou transformando não somente a vida dela. “Minha família não tinha contato com cavalos antes de 2004. Fui eu quem começou essa coisa toda. Por minha causa, minha mãe até mudou de profissão. Minha família sempre me apoiou e financiou minha carreira. Sem eles nada seria possível”, conta.

Giovana foi direto para o adestramento e começou montando com ninguém menos que Orlando Facada, o maior nome do adestramento no País. Nascido em Portugal, ele optou por viver no Brasil e tirou a cidadania para disputar os Jogos Pan-Americanos de 1983 na Venezuela. Em Caracas, Facada conquistou para o Brasil a única medalha de bronze de adestramento na categoria individual que o País tem. “O mestre Orlando Facada até hoje é minha inspiração.”

As primeiras competições, na categoria baby riders, foram com uma égua que ela ganhou de Facada. Em seguida, disputou a minimirim e mirim com seu cavalo Sansão Itapuã, que também a acompanhou em parte das provas na categoria júnior, quando passou para o cavalo Black da Prata. “Depois disso, meu plano era ir para young riders, mas vendi o Black e minha família comprou o Zingaro. Então, fui para o grande prêmio”, diz a tetracampeã brasileira.

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Entre o Black e Zingaro, outro cavalo passou pela vida de Giovana. Foi o Assalto. “Depois que eu vendi o Black, eu ainda tinha o Assalto para fazer young riders e tentar uma vaga os Jogos Pan-Americanos de 2015, mas ele se machucou e eu tive que aposentá-lo”, explica. No fim do ano passado, no entanto, Giovana e Assalto voltaram às pistas depois de três anos do garanhão parado no piquete e cobrindo éguas.

Se houve contratempo com Assalto, com Zingaro a história foi diferente. “Foi uma relação engraçada, pois eu já o conhecia de quando ia treinar com o Paulo Caetano, em Portugal, mas nunca pensei que o cavalo pudesse ser meu. Aí, um dia, o Paulo soube que eu vendi o Black e disse para eu ir experimentar o cavalo. Foi amor à primeira montada. Eu me lembro de olhar para minha mãe ainda montada e falar: esse cavalo precisa ser meu”, lembra. O pedido foi atendido e Zingaro veio para o Brasil.

A ideia de adquirir o ganharão lusitano tinha como objetivo que ele fosse o “professor” de Giovana para as provas de grande prêmio. Mas foi além. “Ele superou todas as expectativas. Todo dia ele me ensina coisas novas. Ele foi a melhor coisa que já me aconteceu”, diz, exaltando as características do animal. “O Zingaro é um garanhão incomum. Não se irrita com nada, não dá trabalho em casa. Ele é maravilhoso, em todos os sentidos. Ele parece um cavalo muito fácil de montar, mas na verdade é muito técnico e fino.”

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Giovana Pass e Zingaro de Lyw no CDI de Tatuí em abril de 2018 (Foto: divulgação/Wilson Spinardi Junior)

Os treinos têm sido intensos, principalmente, quando Paulo Caetano vem ao Brasil, o que ocorre nos períodos que antecedem às competições. Zingaro treina seis dias por semana e tem uma folga. “Ele recebe todos os tratamentos de atleta, como gelo e massagens diárias, acupuntura e outras fisioterapias. E, de agora em diante, vamos intensificando aos poucos até WEG”, detalha a amazona.

Giovana diz que representar o Brasil nos Jogos Equestres Mundiais é a continuação de um sonho. O maior deles — disputar uma Olimpíada — já foi alcançado. “É maravilhoso competir com os tops do esporte. No Rio 2016, eu tentava olhar tudo que o pessoal fazia. Até o jeito de caminhar os cavalos na mão eu tentava aprender. Eu cheguei à conclusão que nesse esporte, quando você acha que sabe um pouco, é porque você realmente não sabe nada.”

Conhecida por ter sangue frio nas competições e deixar, pelo menos aparentemente, o nervosismo de lado, Giovana encara o próximo desafio de forma bastante realista. “Sou muito consciente de que eu não estou indo para disputar com os tops. Estou indo para aprender com eles e ganhar experiência para um dia chegar lá”, pondera. A meta pessoal para WEG é chegar à marca dos 70% de média final, mas ela mesma reconhece que é muito difícil. Nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Giovana terminou em 47º (de um total de 60 conjuntos) montando Zingaro de Lyw e nota de 67,700% no grande prêmio.

Cheia de sonhos e com muita vontade de aprender, a amazona profissional e estudante de veterinária embarca em setembro para mais um grande concurso. As provas de adestramento terão início em 12 de setembro. Aos que estão começando, Giovana é clara: “acredite em uma única linha de trabalho e saiba que dressage é sempre no longo prazo; os resultados nunca são imediatos.”

Este é a primeira das quatro matérias contando um pouco mais dos atletas que representarão o Brasil em WEG. Adestramento Brasil vai aos Estados Unidos acompanhar os brasileiros de perto e fazer a cobertura completa dos Jogos Equestres Mundiais. Leia as matérias no especial — clique aqui. Tem alguma pergunta para Giovana ou outro cavaleiro do time? Quer saber algo de WEG? Escreva para contato@adestramentobrasil.com.

Fotos: arquivo pessoal / Luis Ruas / Wilson Spinardi Junior

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