Pedro Almeida: “O aprendizado ao longo do caminho é o mais valioso”

“Minha mãe amarrava a gente com lençol na sela e nos puxava de outro cavalo”, conta Pedro Tavares de Almeida, 24 anos, que, em setembro, representa pela segunda vez o Brasil nos Jogos Equestres Mundiais. A paixão pelos cavalos o acompanha desde sempre. A família de sua mãe, Thereza, criava cavalos e ela praticava hipismo na modalidade salto. Não tardou muito para que seu o pai, Manuel, que, até então, não tinha relação com o animal, começasse a criar lusitanos. De lá para cá, passaram-se 21 anos e todos os quatro filhos do casal envolveram-se no hipismo de forma bem-sucedida.

tryon_2018_patrocinadoresPedro começou nas competições, aos nove anos, pela equitação de trabalho, modalidade típica do lusitano. Depois fez salto e adestramento, competindo nos dois, e chegando a disputar provas de 1,30 m. Por fim, o dressage venceu. Nesta jornada, Pedro conta que monta todos os dias desde os 12 anos de idade. A dedicação ao esporte não pode parar, principalmente, quando se chega ao nível das grandes competições internacionais. Atualmente, formado em administração e marketing pela ESPM, ele concilia os treinos cedinho pela manhã na Sociedade Hípica Paulista com o trabalho no grupo Tavares de Almeida.

Tal empenho foi fundamental para que as notas com o lusitano Aoleo subissem e eles conquistassem a vaga no time que vai representar o Brasil em WEG. Agora, o caçula da família olímpica treina para melhorar sua pontuação e chegar perto dos 69% com Aoleo nos Jogos Mundiais.

“Meu cavalo tem possibilidade de fazer boas notas, e isto está relacionado a dois movimentos: a passage e o piaffe. Se eu conseguir realizá-los bem dentro da pista, acho que dá para chegar aos 69%. Os outros movimentos do cavalo são bons, mas não extraordinários. No piaffe é onde pode sair a nota”, analisa, lembrando as avaliações que teve com os juízes estrangeiros no CDI de Tatuí em abril, quando o alemão Peter Holler, FEI 5*, deu 69,565% e o português Carlos Lopes, 69,783%.

O brasileiro vem acumulando experiência em grandes eventos mundiais há anos. Além de temporada em circuito de competições na Europa, Pedro integrou a equipe brasileira nos Jogos Equestres Mundiais de 2014, na Normandia (França), quando ficou em 91º com Samba e teve nota de 61,529% no GP. Já nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a nota subiu. Montando Xaparro do Vouga, criação do haras da família, a Coudelaria Rocas do Vouga, Pedro ficou em 52º com 65,714%.

Ainda que seja difícil enumerar todos os cavalos que mais o marcaram, Samba e Xaparro tiveram papel fundamental na carreira de Pedro. Compreensível, uma vez que eles foram seus companheiros nas duas competições internacionais mais importantes do hipismo. “O Xaparro nasceu em casa e foi uma experiência muito bacana competir com ele em temporada na Europa e na Olimpíada”, conta, destacando que quem treinou o cavalo foi Edneu Senhorine.

Além deles, Pedro lembra com carinho do Voraz do Vouga com quem ganhou o FEI World Dressage Challenge 2009 na série advanced, e do Toleirão da Broa, primeiro cavalo com quem competiu uma prova de grande prêmio. “Minha irmã [Luíza] competia com o Toleirão e passou ele para mim. Eu tinha uns 17, 18 anos e foi o primeiro cavalo que eu levei para o GP. Ele me marcou bastante; era um cavalo difícil, mas que, depois de pronto, ficou muito prazeroso de montar”, lembra. Com Toleirão, Pedro competiu provas seletivas para os Jogos de Londres 2012, disputando com Luíza, que montava Pastor.

Já sobre a sua atual montada, o Aoleo, pode-se dizer que foi um animal que passou por todos os irmãos. Comprado em Portugal quando tinha três para quatro anos de idade, ele foi treinado primeiro por seu irmão gêmeo. “Manuel pegou o cavalo na média 2 e ensinou todos os movimentos de GP para ele. Ele construiu o cavalo”, conta.

Na preparação para Rio 2016, os quatro irmãos embarcaram para a Europa para competir e buscar os índices exigidos pela FEI para disputar a Olimpíada. Depois que eles alcançavam os índices com os cavalos principais, os irmãos trocavam os animais e entravam em algumas provas. Foi assim que Pedro competiu e obteve índices om Aoleo, que era a montaria principal da irmã Thaisa, convocada como segunda reserva do time Brasil para Rio 2016.

Quando a Olimpíada passou, Pedro aposentou o Xaparro das grandes competições e se concentrou no Baluarte do Mito, um cavalo que ele fez desde os cinco anos de idade e que também levou para o circuito europeu.  Pedro e Baluarte foram convocados como conjunto reserva para o Pan de 2015 em Toronto.

Aoleo, por sua vez, ficou com a Luiza. No entanto, os irmãos acabaram trocando as montarias no ano passado. “O perfil do Aoleo é para um cavaleiro com um pouco mais ‘punch’ e a Luiza pegou o Balu, que é um cavalo mais fino e encaixa melhor com a montada dela. Fizemos esta troca e deu super certo”, explica.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Jornada compensadora
O aprendizado ao longo da jornada para conseguir uma vaga nas grandes competições internacionais é, na visão de Pedro, o mais valioso. “É o caminho para chegar lá que te dá toda a experiência e é nele que você faz todo o sacrifício”, diz, lembrando que foram sete meses de competições em cinco países diferentes para tentar vaga na equipe brasileira para Rio 2016. O mesmo aconteceu nos preparativos para WEG de 2014.

“O que mais me marcou foi ir para Europa e ficar treinando e competindo por lá. Sempre naquela briga saudável, mas intensa, para saber quem estará no time. Daí, quando você chega para, de fato competir, parece que toda a pressão desaparece. O ambiente das grandes competições é muito bom e gostoso. Você entra em um estádio daquele e não quer sair”, conta.

Estar ao lado dos grandes nomes do adestramento mundial traz uma sensação mista para Pedro. “Ao mesmo tempo em que você consegue enxergar que você não está tão distante deles e que não são ‘deuses’, por outro lado, você vê o quanto tem de evoluir para alcançar o nível deles. É uma caminhada longa, mas não impossível”, pondera. Observar os melhores do mundo montando, principalmente nos dias que antecedem as competições, é a parte principal do aprendizado.

Daqui até setembro, Pedro diz que o mais importante é administrar os treinos. Ele está seguindo um programa de intercalar os movimentos para evitar repetições. Assim em um dia dedica-se a treinar as figuras do trote, em outro faz passeio usando apenas bridão para o cavalo relaxar caminhando na raia e em outro dia treina o galope — além, claro, do merecido descanso para Aoleo.

Para ele, o time que representa o Brasil em Tryon está melhor comparado ao que competiu na Normandia, há quatro anos. “Os conjuntos estão melhores, aumentou nossa pontuação”, diz.

Para quem está começando, o atleta olímpico recomenda buscar clínicas e professores que deem aulas em cavalos professores, que mostrem e ensinem os movimentos.

Este é a segunda das quatro matérias contando um pouco mais dos atletas que representarão o Brasil em WEG. Adestramento Brasil vai aos Estados Unidos acompanhar os brasileiros de perto e fazer a cobertura completa dos Jogos Equestres Mundiais. Leia as matérias no especial — clique aqui. Tem alguma pergunta para Pedro ou outro cavaleiro do time? Quer saber algo de WEG? Escreva para contato@adestramentobrasil.com.

Fotos: divulgação CBH 

 

Anúncios

Uma resposta para “Pedro Almeida: “O aprendizado ao longo do caminho é o mais valioso””

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.