Com foco no Odesur, Oswaldo Lazzuri estreia Linden Ein no CDI 1* de Ottawa

Morando no Canadá há 14 anos, o brasileiro Oswaldo Lazzuri Neto começou a trilhar seu caminho para as seletivas do Time Brasil nos Jogos Sul-Americanos, durante o CDI 1* de Ottawa no último fim de semana (20 a 22 de maio). O cavaleiro competiu com o hanoveriano Linden Ein, sua montaria há apenas quatro meses, e pontuou acima dos 64% nas três provas de small tour, tendo subido no pódio na segunda colocação ao pontuar 67,558% na inter 1 freestyle.

“Linden Ein foi treinado no haras desde os três anos pela minha treinadora, Simone Williams, treinadora. Ele é uma parceria nova para mim. Só comecei a montá-lo em janeiro. Meu objetivo [neste CDI] era só fazer uma reprise limpa e me acostumar com ele na pista”, contou ao Adestramento Brasil.

Na reprise prêmio São Jorge, a dupla fez 64,804%; na intermediária 1, pontuou 64,559% e fechou a participação no internacional com 67,558% na intermediária 1 estilo livre com música. Com esses porcentuais, o conjunto obteve o primeiro dos dois índices necessários para competir no Sul-Americano de Assunção, no Paraguai (saiba mais abaixo).

O objetivo de Lazzuri é disputar as seletivas para integrar a equipe brasileira. “Quando vi o critério para as seletivas para os Jogos Odesur, eu liguei pra Simone e decidimos declarar para o time. Fizemos nossa estreia em um concurso nacional com média acima de 68%. O CDI de Ottawa é o maior evento perto de casa, por isso decidimos que seria uma boa oportunidade para ganhar experiência”, explicou.

Com pouco tempo de entrosamento, a meta para o CDI de Ottawa, era fazer uma reprise limpa sem erros e tentar aprimorar o conjunto, ele explicou, detalhando que a filosofia de treinamento consiste em trabalhar para objetivos específicos em vez do resultado final. “Fiz uma São Jorge limpa, mas faltou um pouco de elasticidade — exceto nas extensões, porque o Linden sempre dá 100% no trote e galope alongado. Na intermediária 1, eu queria explorar mais a qualidade nas andaduras, mas acabei cometendo erros nas mudanças”, avaliou.

Além de treinar para as observatórias do Odesur, Lazzuri e o Linden estão treinando para subir o cavalo de nível e competir no grande prêmio.

Em conversa com Adestramento Brasil, Oswaldo Lazzuri relembrou sua trajetória, desde quando começou a montar, a oportunidade de trabalhar no Canadá até os seus principais feitos no exterior e como começou a montar Linden Ein.

Vida dedicada aos cavalos
Os cavalos fizeram parte da vida de Oswaldo desde sempre. Seu pai, Vagner Lazzuri, era criador de cavalos lusitanos. “Cresci em meio de exposições e provas, mas demorei muito a começar a montar. Tentei algumas vezes, mas sempre achei que seria um dia criador. Aos 14 anos, decidi que era hora de aprender a montar. O cavaleiro do haras na época, Júlio Almeida, me deu aula de guia até me sentir confortável a pegar as rédeas e montar sozinho”, contou.

Passados seis meses da guia de Almeida, Lazzuri estreou em prova de adestramento montando Oxford Itapuã, à época, um cavalo novo. Ele competiu em uma etapa de adestramento da Copa Abpsl, em São João da Boa Vista. “Eu competi por anos na elementar e preliminar pelas interestaduais da ABPSL. Durante uma das exposições, conheci a amazona Alexandria Lampe (Wilson) que foi uma das maiores influências na minha carreira”, destacou.

Em 2008, Oswaldo Lazzuri buscava se aperfeiçoar na arte do adestramento e vislumbrava uma oportunidade de treinar fora do Brasil. Foi quando respondeu a um anúncio postado por Simone Williams procurando um cavaleiro para dividir com ela as obrigações no Queenswood Stables em Ottawa, no Canadá.

“Desde o começo, a Simone foi uma grande incentivadora. Ela participou dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg com Einstein. Mas, mais importante do que qualquer participação em times, o que eu admiro na Simone é o fato de ter treinado a maioria dos cavalos dela da doma ao grande prêmio”, assinalou. Williams ficou em 10º no Pan de Winnipeg.

Oswaldo Lazzuri conta que, com o suporte de Williams, fez muitos cavalos chegarem aos níveis FEI. “Como a Kumara, que ganhei títulos nacionais na inter A e B; Shamrock, com que competi em GP na Flórida; o Clueseau, que foi campeão regional em big tour; e Percival, que foi campeão regional no small tour”, detalhou.

“Em 2019, a Simone me deu a montaria do cavalo de GP chamado Farley, com o objetivo de tentar qualificar-se para o Campeonato Mundial de Adestramento em Herning. Tivemos uma primeira competição com sucesso, mas, em 2020, o Farley sofreu um acidente e teve que ser eutanasiado”, contou.

Na mesma época, o Linden Ein — apelidado de George no haras — estava emprestado para uma de suas alunas para os Jogos Norte-Americanos, na categoria júnior. O caminho de George cruzaria com o de Oswaldo Lazzuri um pouco mais tarde.

Em dezembro de 2021, a Simone Williams decidiu ir à Flórida, nos Estados Unidos, para focar-se em sua nova montaria, o lusitano Herdeiro Santana. “Foi aí que ela me disse: quer treinar o George esse inverno? Daí pra frente foi só alegria. Eu tinha montado o
George algumas vezes antes, mas nunca por um período longo. A cada dia, o George e eu criamos uma conexão melhor”, explicou.

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Seletivas para Odesur – Asu 2022
Todos os conjuntos competindo no Odesur 2022 devem ter alcançado, entre 01 de janeiro de 2021 e 29 de agosto de 2022, os índices mínimos de elegibilidade (MERs) para obterem o certificado de capacidade (COC). Os conjuntos de small tour têm atingir uma média de, ao menos, 62% entre as reprises prêmio São Jorge (PSJ) e intermediária 1 no mesmo evento.

São necessários dois índices desses em dois eventos distintos para obter o COC. A média nestes dois eventos será a pontuação final. Já os conjuntos de big tour devem atingir 60% de média final em um CDI 2* ou acima em uma reprise de GP.

O COC é pré-requisito para competir nos Jogos Sul-Americanos. Além dele, a Confederação Brasileira de Hipismo fará um processo seletivo para a escolha dos conjuntos que integrarão a equipe brasileira na 12ª edição dos Jogos Sul-Americanos, que ocorre em outubro em Assunção, capital do Paraguai.

Os resultados considerados para a seleção da CBH deverão ser obtidos no período 01 de julho a 28 de agosto de 2022. Os conjuntos no Brasil terão dois CDIs 3* observatórios no País: de 22 a 24 de julho na capital paulista e de 26 a 28 de agosto em Tatuí, no interior de São Paulo.

Os conjuntos competindo em small tour terão calculadas, para cada evento, a média dos seus porcentuais finais das reprises de São Jorge e intermediária 1. O CDI 3* em que o conjunto atingir a maior pontuação média (PSJ + inter1) será considerado para a seletiva. Já em big tour serão consideradas, para cada evento, a média dos porcentuais finais das reprises de grande prêmio e grande prêmio especial, tendo acrescentados 3 p.p.

Serão observados pela CBH para formação do Time Brasil apenas resultados em eventos CDI 3* ou superior e desde que o conjunto participe de todas as provas do CDI em questão. O CDI 3* no qual o conjunto atingir a maior pontuação será considerado para a escalação. Conjuntos de small tour e big tour disputarão as vagas da equipe indistintamente.

Adestramento Brasil está compilando em planilha as notas para compor índices para COC, bem como os porcentuais válidos para a seletiva do Time Brasil, mas considerando apenas os conjuntos de nacionalidade brasileira, aptos a competir em Asu 2022. Acompanhe aqui.

=> Confira o documento completo com o novo processo de seleção.

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