Chefe de equipe, Pia Aragão avalia desempenho dos conjuntos no Mundial de Herning

Chefe da equipe brasileira de adestramento, Pia Aragão acumula conquistas e anos de experiência como amazona e treinadora. Representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, montando BF Phantom, e foi medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos do Chile em 2014 com Zepelim Interagro. Mas Pia Aragão (no canto esquerdo da foto) é mais que isso. Com seu sotaque único, ela é referência entre os cavaleiros. Tanto que diversos atletas de alto rendimento contaram, em diferentes entrevistas ao Adestramento Brasil, que é a ela que eles recorrem quando têm dúvidas ou quando querem pensar a reprise kür. Assim, foi natural quando o nome dela foi anunciado pela atual gestão como chefe de equipe. Desde então, Pia vem acompanhando os conjuntos e esteve em Herning para o Campeonato Mundial de Adestramento. Confira a seguir como ela avaliou a participação brasileira na Dinamarca.

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Adestramento Brasil — João Victor Oliva com Escorial Horsecampline levou pela primeira vez o Brasil para o grande prêmio especial. Como você avalia a temporada?
João e Escorial vieram bem neste ano. Talvez, em Doha, o cavalo deu alguns problemas e alterações por causa das éguas e porque ele é muito usado para cobrir. Mas, quando ele foi para Jerez de la Frontera, já demonstrou que estava bem. Talvez não tão concentrado, porque ainda estava cobrindo. Daí, ele voltou para casa, cobriu mais e foi para Aachen.

Em Aachen, ele ainda estava estressado no passo e fez alguns erros que não são erros dele, porque faltou concentração. De Aachen, ele foi direto para casa do Norbert [Van Laak, técnico do Time Brasil] e lá ele ficou muito mais concentrado e relaxado. Com isso eles conseguiram trabalhar mais os detalhes da montaria e da comunicação.

E em Herning, como foi?
Em Herning, ele veio em uma excelente forma física, segurando o corpo, com a força que ele usa nos três andamentos. Infelizmente ele teve problemas nas mudanças. No primeiro dia [GP], na mudança a um tempo que tem coeficiente dois e isso baixou bastante a nota. Os juízes estavam bem estáveis na pontuação, menos a juíza dos EUA que colocou 70%.

Ir para o GPS foi uma boa boa evolução para o Brasil e o João classificou como reserva para o GP freestyle [passam os 15 conjuntos mais bem classificados no GPS e mais seis são escalados como reservas]. Testamos a música do freestyle e o Escorial também participou do treino, porque, se algum cavalo saísse, ele estaria pronto para entrar. Ele também fez o vet check.

E o Nuno Chaves de Almeida? Ele teve, no Mundial de Herning, um desempenho bastante inferior às notas que obteve para conseguir índice. Como você avalia isso e como foi a apresentação dele?
Da parte do Nuno, ele só recebeu este cavalo em fevereiro e ele precisava rapidamente ir a dois CDIs fazer índice e ele fez. Foi muito puxado. Depois dos CDIs, voltamos um pouco e ele ficou mais em casa para treinar e organizar o cavalo, porque foi tudo muito rápido. Dois, três meses é pouco tempo para conhecer o cavalo

Depois, ele ficou na Alemanha treinando com o Norbert e eles demonstraram grandes evoluções, mas, quando chegou a Herning, o cavalo, que só tem dez anos, nunca tinha entrado em um estádio daqueles. A parte de trote foi boa, mas, quando entrou no galope, ele não rendeu. Foi uma pena.

Mas isso demonstra que, quando for para grandes campeonatos assim, precisa de uma grande preparação. São anos e não meses. Eu acredito que o Nuno e o cavalo têm grande potencial, mas precisam de tempo para um entender o outro. E também o Feel Good já teve vários cavaleiros montando ele, então, não entende 100% a instrução e a comunicação do Nuno. Mas eu acho que para ano que vem, para o Pan, eles estarão bem melhor.

Quais impressões gerais do campeonato?
Uma coisa que eu vi é que muitos proprietários têm muito orgulho dos cavalos deles. Muitos países têm pessoas com boas condições econômicas que têm como ter cavalos e dão para cavaleiros bem bons que trazem resultados. Eles ficam muito satisfeitos em ver os cavalos deles dentro da pista. Esta cultura nós não temos no Brasil. Nós temos criadores que querem ver os produtos deles irem para pista, o que é muito bacana, com certeza, mas estes produtos não temos no momento. Os bons, bons que nós temos são muito jovens ainda, mas lá as pessoas usam cavalos como investimentos. Talvez não tenham retorno grande de dinheiro, mas têm retorno muito grande de satisfação pessoal para ver o cavalo dentro de uma pista tipo Herning, o que é bem legal.

O Mundial de Herning 2022 ficará na lembrança do adestramento como um marco. Pela primeira vez, um conjunto representando o Brasil passou para a segunda fase da competição. O 26º lugar no grande prêmio, com 72,112%%, levou João Victor Marcari Oliva, montando o lusitano Escorial, a competir no GP especial, quando seus 73,313% o colocaram em 21º lugar no geral. “Classificar para o GPS foi uma conquista enorme, um marco muito importante”, avaliou Sergio de Fiori, diretor de adestramento da Confederação Brasileira de Hipismo.

Foto: divulgação CBH / Luis Ruas

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