Quando subir de série? Juízes explicam nota-alvo e o que mais considerar

No Brasil, não existe uma nota mínima ou teste para sinalizar ou permitir que cavaleiros avancem de nível, cabendo ao atleta e/ou ao treinador a responsabilidade de fazer esta avaliação. Mas como identificar quando deve ser este momento? Há um porcentual de nota que indica que o conjunto está apto a progredir? O site Adestramento Brasil questionou juízes para entender o que deve ser observado e, assim, ajudar a amazonas e cavaleiros na árdua tarefa de saber quando evoluir de série.

De acordo com Sandra Smith, diretora de adestramento da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e juiza internacional 3*, no passado, o tema chegou a ser conversado entre oficiais CBH, mas optou-se por deixar a critério do cavaleiro e seu treinador. “Ninguém gosta de sair com um porcentual baixo da pista, então, esta nota de corte acaba acontecendo, pois o próprio cavaleiro não se sente bem em receber reiteradas vezes notas baixas. Sem essa exigência uma pessoa pode comprar um cavalo melhor, investir em treinamento e técnica e subir mais rapidamente”, explica.

Para Smith, se você faz, periodicamente, porcentuais em torno dos 65%, você deve considerar subir de categoria e assumir novos desafios. “É importante também levar em consideração a tranquilidade e facilidade com que o cavaleiro e cavalo executam a prova. Você pode ter um cavalo mais adiantado com um cavaleiro mais inexperiente ou um cavalo mais novo ou limitado com um cavaleiro mais experiente”, diz. “As reprises começam com exercícios mais básicos que ajudam a formar os exercícios mais fortes, não adianta querer subir de categoria para uma prova com apoio, se não consegue fazer ainda o renvers e travers”, completa.

Fixar o conhecimento antes de subir de série é necessário, porque as reprises vão ficando cada vez mais difíceis. Para o juiz estadual Sérgio de Fiori, a nota é importante, mas basear-se somente nela é como dirigir olhando somente para o retrovisor. “É preciso conseguir montar o cavalo de acordo com as exigências da próxima série. Para passar da preliminar para a média 1, por exemplo, é preciso reunir o cavalo para conseguir fazer a mudança de pé simples e assim por diante”, acrescenta. Fiori destaca que é necessário montar, de acordo com a escala de treinamento e no nível compatível com a série que pretende iniciar. “Não é possível queimar etapas. Adestramento é como matemática: ninguém aprende logaritmo sem estudar a tabuada.”

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Sérgio de Fiori: Adestramento é como matemática: ninguém aprende logaritmo sem estudar a tabuada.”

Fiori acrescenta que é importante cada um estabelecer uma meta que lhe seja possível, ou seja, de nada adianta estabelecer uma nota-alvo que seja fora da sua realidade, porque a chance de acabar frustrado no dia da prova é alta e a experiência terá sido negativa. “Por outro lado, estabelecer metas com os pés no chão aumenta a chance de êxito no dia da prova, então, a experiência será positiva e você sairá da prova mais contente com seu cavalo, que terá a chance de te surpreender. Tudo isso fará com que no dia seguinte seu treino seja mais produtivo. Assim, ao longo do tempo, você consegue, ao mesmo tempo, treinar melhor e melhorar o desempenho na prova”, sugere.

Ele lembra que, para a nossa realidade, uma nota por volta de 64%, normalmente, quer dizer que o conjunto está realizando adequadamente aquele nível e porcentuais maiores de 66% indicam que o conjunto apresentou-se muito bem. “Notas abaixo de 60% indicam que aconteceram problemas mais sérios na prova”, afirma.

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Dicas para amadores
Para amazonas e cavaleiros que estão montando nas escolas de equitação, conseguir manter um porcentual com o mesmo cavalo pode ser uma dificuldade, um avez que nem sempre competem com os mesmos animais e estes são usados por outros alunos. Neste caso, como fazer a avaliação para saber se está pronto para avançar? Para Sandra Smith, realmente, a situação é mais difícil com cavalos diferentes e sem a oportunidade de treinar diariamente, mas ela ressalta que as notas devem observar o mesmo índice.

“Se, normalmente, tiver notas em torno de 65% ou mais e se sentir tranquilo e preparado nas provas, isso quer dizer, tem tempo na prova de preparar cada exercício, tem domínio sobre o cavalo e os exercícios, tem tranquilidade para fazer a prova, eu já pensaria em mudar. O que tem que se levar em conta é se a escola poderá fornecer cavalos com condição de enfrentar uma categoria mais alta a contento”, pontua.

Entre as dicas para quem está começando para melhorar o desempenho nas provas, a diretora da CBH e também juíza Sandra Smith reforma que é preciso treinar muito e sempre, ter bom preparo físico, ter controle do nervosismo e da ansiedade. “Treinar a reprise a pé, em um tapete retangular, é muito bom ou ficar na letra A imaginando a prova”, indica.

A orientação é passar a reprise não citando as figuras como descritas, mas mentalizando e repetindo para si tudo que é necessário para fazer o movimento. “Por exemplo: toma a direção de A, bem reto e segue ao trote impulsionado, trabalhando o contato. Perto de X, dar meias-paradas para que o cavalo se equilibre e saiba que virá uma transição etc.”, explica Smith.

Na mesma linha, Sergio de Fiori recomenda estudar a reprise — algo bem diferente de simplesmente decorar a sequência. “É preciso ter um plano muito claro de como montar cada uma das figuras, cantos, transições, de forma a antecipar-se a eventuais dificuldades que possam aparecer na hora da prova. Também é importante estudar de que forma, com quais exercícios e em quanto tempo vai aquecer o cavalo.”

Outra dica é observar cavaleiros mais experientes e de bom nível, se possível ao vivo. “Isto é algo muito inspirador para todo mundo e que faz parte do processo de aprendizado de todos os cavaleiros e amazonas, não importando o talento”, aponta Fiori.

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