“O cavalo tem de se sentir bem quando você se aproxima”, diz João Victor Oliva

Quem acompanha João Victor Marcari Oliva no Instagram tem a certeza de que ele vive para os cavalos. Ele compartilha com os 70,3 mil seguidores parte de seus treinos, passeios pelo campo e rotina de competições. João mora na Europa há quatro anos. Mudou-se para Alemanha com objetivo de treinar e estar perto dos melhores. A localização lhe dá a oportunidade de disputar diversas competições de níveis nacionais e internacionais. Era de se esperar, portanto, que o cavaleiro de 22 anos, integrasse o Time Brasil para os Jogos Equestres Mundiais (WEG, na sigla em inglês).

tryon_2018_patrocinadores

Na última edição de WEG, João foi o brasileiro mais bem-classificado, ficando em 85º com Signo dos Pinhais (63,843%). Nos Jogos Olímpicos, o feito se repetiu. O jovem terminou em 46º no individual, com Xamã dos Pinhais (68,071%). A expectativa para Tryon é ficar perto dos 68%. “Não vou lá para ganhar, mas para mostrar uma boa montaria e que o Brasil tem um time jovem e com futuro. Acho que devemos ser uma das equipes mais jovens”, pontuou.

O cavalo é um velho conhecido de João. A paixão pelo animal ele herdou do pai, José Victor Oliva, criador de lusitanos. E a inspiração veio de outro cavaleiro: Rogério da Silva Clementino, medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007. “Comecei a treinar o adestramento por causa dele, que recebia prêmios e viajava para fora. Queria ser igual”, contou. Clementino, que trabalhava na Coudelaria Ilha Verde, de Victor Oliva, foi seu treinador. João também fez aulas com Mauro Pereira da Silva Junior, que disputou o Pan de 2011 em Guadalajara.

João começou a carreira com o lusitano Trunfo (vídeo acima). “Foi o primeiro cavalo com quem competi; era pequeno, bem típico lusitano”, lembra. Foi campeão brasileiro minimirim, mirim e júnior. Com Portugal, João amadureceu a montada e iniciou nos movimentos avançados. “Foi um dos cavalos que mais marcou, aprendi muita coisa com ele, como mudanças a tempo, piaffe, passage. O Roger [Clementino] me falava: ‘tenta aí fazer GP e vê o que vai dar. Comecei a aprender os movimentos mais fortes”, lembrou.

As disputas no grande prêmio foram com outro animal: Signo dos Pinhais. Com ele, João disputou na Europa as seletivas para WEG de 2014. O conjunto integrou a equipe brasileira e somou 63,843%. No entanto, o cavalo mais importante da vida, João diz que foi outro: Xamã dos Pinhais. “Conquistamos a medalha de bronze no Pan de Toronto, fomos para a final da Copa do Mundo FEI de Adestramento em Omaha (EUA) e competimos nos Jogos Rio 2016. Devo muito a ele”, contou. O conjunto conquistou também medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos de 2014 com 70,781% na freestyle e medalha de ouro por equipe, ao lado de João Paulo dos Santos e Veleiro Top, Leandro Silva com Di Caprio e Pia Aragão com Zepelim Interagro.

O parceiro atual chama-se Xiripiti TVF, de propriedade de Paulo Caetano. Já com índices para WEG obtidos com Xamã, João estreou com a montaria que fez carreira com a amazona portuguesa Maria Caetano Couceiro. O conjunto deu certo e acumulou cinco índices para embarcar para Tryon 2018. “Consegui índices com Xamã, mas eu não preciso provar mais nada com ele; ele já mostrou tudo, cheguei ao topo que ele podia me dar, então, não queria mais forçar. Coloquei ele à venda para algum júnior ou jovem cavaleiro para que ele tenha uma vida mais tranquila, sem muita pressão ou esforço”, disse.

João estava buscando um cavalo quando encontrou Xiripiti. “Estava precisando de um cavalo como ele, tive muita sorte. Dez dias depois que montei, já estávamos fazendo prova em Portugal. Encaixei bem nele.” João descreve Xiripiti com um animal de muito caráter e que requer bastante atenção do cavaleiro.

O lusitano ficou com ele na Alemanha para treinamento. Em Tryon, João espera bater seu recorde pessoal e apresentar uma boa montaria, fazendo uma prova fluente e bonita para o público. No CDI 3* de Cascais, em 18 de maio último, o juiz FEI 5* Leif Törnblad deu nota de 72,28% para o conjunto. “Em WEG, nota acima dos 67,5% e 68% já estou contente.”

 

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Preparo físico e mental
O treino para WEG inclui não apenas as aulas na pista, mas momentos para deixar o Xiripiti feliz. “Ele é um cavalo de idade, minha prioridade é ele estar feliz e são. Claro que também preciso deixar ele com físico de atleta, mas não pode chegar lá cansado. Então, precisa estar em forma, são e feliz”, resumiu.

Para tanto, o cavalo fica na rotina treinamento e depois baia. “É trabalhar mais de uma vez por dia e não apenas com sela, mas sair, soltar o cavalo, deixar comer uma graminha. É chegar às cocheiras e ele relinchar; é ele se sentir bem quando você se aproxima.”

Depois de WEG, João segue na sua jornada europeia. Ele foi para Europa para treinar para os Jogos Mundiais da Normandia e se estabeleceu na Alemanha. Desta forma, enfrenta mais concorrência e fica também mais perto dos melhores do mundo. “Posso treinar com o treinador aqui. Em termos de competições, são mais fortes e com mais pessoas. Por exemplo, tem centenas de pessoas na júnior e young riders, além do número de competições. Temos um CDI a cada semana.”

João monta outros animais além de Xiripiti. Para ele, treinar mais de um cavalo é importante para se manter sempre aprendendo. O cavaleiro também vem exercendo algumas funções na Ilha Verde, como seleção de éguas, escolha de reprodutores e direcionamento do treinamento dos animais e da equipe. “Escolho os cavaleiros, quem monta qual animal. Temos um time bacana e estamos com projeto de ter mais animais subindo de base”, contou.

Aos amadores, João reforça a importância de se começar pelas séries de base, seguir o cronograma e montar cavalos que passem confiança, porque muita gente para de montar por medo. “Eu fui um precoce nisto, tive de acelerar um pouco [por causa das competições internacionais]. Se eu voltasse no tempo, até teria esperado mais. Na Europa, vejo que cavaleiros da minha idade estão na under 25. Se eu fosse europeu, estaria nesta categoria”, disse.

Este é a terceira das quatro matérias contando um pouco mais dos atletas que representarão o Brasil em WEG. Adestramento Brasil vai aos Estados Unidos acompanhar os brasileiros de perto e fazer a cobertura completa dos Jogos Equestres Mundiais. Leia as matérias no especial — clique aqui. Tem alguma pergunta para João ou outro cavaleiro do time? Quer saber algo de WEG? Escreva para contato@adestramentobrasil.com.

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