Estratégias para conter surto de herpes incluem vacinação, cuidados sanitários e novos procedimentos de importações

Medidas preventivas a serem adotadas tanto por proprietários de cavalos quanto procedimentos estabelecidos pelo governo são essenciais para tentar impedir que o surto de uma nova cepa do herpes vírus EHV-1 na forma neurológica se instale no Brasil. Nacionalmente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio do Departamento de Saúde Animal (DSA), decidiu pela adoção de procedimentos adicionais para novas importações de equídeos com origem nos países europeus. Já, localmente, Chester Batista, doutor em medicina veterinária e gerente técnico da linha de equinos da Zoetis, recomenda prover uma nutrição adequada ao cavalo e tomar ações que diminuam o estresse para manter o sistema imunológico fortalecido, além de assegurar que o animal esteja bem hidratado e vacinado contra o herpes vírus.


Apoie_AB

Informação bem apurada, confiável e relevante faz toda a diferença. Enquanto agradecemos a todos apoiadores e anunciantes do site, reforçamos que precisamos da colaboração de pessoas como você para seguir com a produção editorial.

Clique e seja um apoiador via Paypal. Você que escolhe o valor!

Você também pode contribuir fazendo um Pix ou anunciando.


Na segunda-feira passada (8/3), a Federação Equestre Internacional foi notificada de que um cavalo foi sacrificado na clínica em Valência, elevando o número de mortes relacionadas à nova cepa para dez. A FEI também foi notificada de um caso relacionado de EHV-1 em Milão, na Itália. Acompanhe a evolução aqui.

Ainda que as vacinas existentes não sejam contra a nova cepa, ter os animais vacinados contra EHV-1 e EHV-4 é uma medida que tem sido adotada. No Brasil, a Confederação Brasileira de Hipismo emitiu uma nota recomendando que os cavalos recebam um reforço na vacina contra o EHV-1. De acordo com a entidade, mesmo sem a comprovação científica do efeito sobre a imunização contra a nova cepa que se desenvolveu na Espanha, a prevenção com a vacina existente é a melhor solução disponível no momento. A recomendação está alinhada com a determinação da Federação Equestre Internacional (FEI).

Além disso, a aplicação de medidas de biossegurança para prevenção e controle é extremamente necessária, tais como isolamento dos animais doentes e limpeza e descontaminação dos utensílios e das instalações utilizadas no trato e na manutenção dos animais, assim como dos veículos de transporte.

Chester Batista, da Zoetis, disse que a empresa vem fazendo trabalho no campo provendo informações para donos de animais com o objetivo de redobrar a biossegurança. Isso, disse, tem sido reforçado em todos os meios, das hípicas e jóqueis clubes a fazendas e haras. “Estamos vendo a antecipação de calendário sanitário, com a antecipação da vacina contra EHV-1 e 4, que, normalmente, ocorre em julho para animais adultos e de prova. Estamos vendo uma procura forte em relação a esta vacina para animais adultos, de prova, potros e gestantes”, disse. Há, contudo, uma observação. Os A antecipação só funciona se for feita quatro meses ou mais depois da última vacinação.

Com relação à resposta imunológica à nova cepa, ele explicou que, normalmente, quando aparecem novas cepas elas tendem a ser mais agressivas. “Cada vírus ou bactéria tem uma impressão genética e esse vírus novo é similar, mas não é totalmente igual. Ele tem uma impressão gênica que pode variar entre 50% a 70% parecido com as cepas que já existem, do tipo 1 (EHV-1)”, detalhou.

“O que ocorreu foi que tivemos a mutação genética da forma neurológica e tem uma parte que é parecida. Então, a vacina não é de fato a que combate diretamente, mas, como tem grau de similaridade, ela consegue, de forma indireta, reconhecer parte do processo infeccioso e se defender. Se a carga viral for baixa, até pode conseguir controlar 100%”, completou.

Isso porque quando o animal é vacinado, ele entra em contato com o vírus e desenvolve uma resposta imune, ou seja, cria anticorpos. A resposta à nova cepa depende também da quantidade de carga viral a que está sendo exposto, do ambiente no qual ele está inserido. “É uma resposta imune cruzada e a vacina pode auxiliar no controle”, disse.

Para o especialista, a primeira medida básica é dar ao animal uma nutrição adequada para ter sistema imunológico fortalecido e o segundo ponto é diminuir estresse, porque cortisol em excesso é maléfico e prejudica o sistema imune. O terceiro ponto, seguiu Chester Batista, é a hidratação, porque sem hidratação o animal fica propenso aos vírus.

O desenvolvimento de uma vacina contra a nova cepa está no radar da Zoetis. Segundo Batista, o centro de pesquisa da companhia nos Estados Unidos tem consultores em vários países e um comitê foi acionado para entender nova cepa. Com base no resultados dos estudos, a empresa avaliará a necessidade de se atualizar a vacina existente ou criar outra vacina. “A primeira coisa é fazer a impressão genética, saber como o vírus se comporta. Isso não é tão rápido assim, porque precisa coletar material de vários animais infectados.”

Novos procedimentos
Como a porta de entrada da nova cepa é a importação de animais, uma vez que o surto se dá em outros países, após tomar conhecimento do surto de rinopneumonia equina na Europa, nesta semana, o Departamento de Saúde Animal (DSA) colocou procedimentos adicionais para novas importações de equídeos com origem nos países europeus. Ficou estabelecido que, após ingresso em território nacional, os animais deverão ser transportados diretamente ao estabelecimento designado e permanecer isolados, por, no mínimo, 21 dias, sendo vedado o compartilhamento de alimento, água ou quaisquer utensílios e equipamentos.

Neste período, o animal será acompanhado pelo veterinário particular do cavalo. Sinais clínicos que permitam suspeitar de rinopneumonia equina deverão ser imediatamente comunicados ao Serviço Veterinário Oficial naquele estado de localização dos animais, que providenciará a colheita e encaminhamento de amostras para diagnóstico laboratorial.

Ao final do período de isolamento, não havendo manifestação de sinais clínicos, os animais poderão ser liberados e, diante de eventual resultado laboratorial positivo para rinopneumonia, o animal deverá permanecer em isolamento por período adicional de 21 dias.

Em resposta a Adestramento Brasil, o Mapa informou que essas medidas foram adotadas após técnicos do ministério realizarem reuniões com representantes do setor. O Mapa explicou que a rinopneumonia equina é uma doença não zoonótica, causada pelos herpes vírus equino tipo 1 (EHV-1) e tipo 4 (EHV-4), endêmica na maioria das populações de equinos domésticos do mundo. A doença ocorre esporadicamente em surtos nos países europeus, geralmente no final do outono e no inverno. Os agentes da doença causam sinais respiratórios, sendo que o EHV-1 está associado a complicações mais graves, como aborto, natimortalidade e doença neurológica paralisante (mieloencefalopatia equina).

>>> Leia o ofício do Mapa aqui

A atual ocorrência da doença em países da Europa aponta para uma cepa com alta patogenicidade, que resulta na forma neurológica do vírus EHV-1.

O ingresso de equinos no Brasil, a partir da Europa, é reduzido e envolve a adoção de requisitos sanitários específicos. No que se refere à rinopneumonia equina, o procedimento utilizado na importação está alinhado às recomendações da OIE (Código Sanitário para os Animais Terrestres, Capítulo 12.8).

Em 2021, até a primeira quinzena de fevereiro, foram registrados ingressos de 14 equídeos procedentes da Europa, mas nenhum caso dessa doença/cepa foi detectado até neste momento. Em virtude disso, o DSA solicitou aos SISA/SFA a investigação das importações recentes de equinos procedentes de países da região para que verifiquem eventual histórico de sinais clínicos compatíveis com a rinopneumonia equina e, nesses casos, realizem a colheita de amostras para diagnóstico laboratorial.

A transmissão do vírus ocorre, principalmente, por inalação de aerossóis oriundos de secreções respiratórias do animal em fase aguda, de tecidos de fetos abortados e de fluidos placentários de éguas infectadas. Os sinais clínicos de febre, inapetência, depressão e descargas nasais iniciam de dois a oito dias após a infecção. De forma geral, a letalidade da doença é baixa e a recuperação ocorre em até duas semanas. A imunidade protetora é de curta duração, permitindo que animais convalescentes sejam suscetíveis a reinfecções após alguns meses, com novas manifestações de abortamento ou doença neurológica, principalmente.

No Brasil, segundo o Mapa, o primeiro registro da infecção foi em 1966, em Campinas, interior de São Paulo. Desde então, diversos estudos sorológicos publicados demonstram circulação do vírus em vários estados e regiões do país. A doença faz parte da lista 4 da Instrução Normativa MAPA nº 50, de 24 de setembro de 2013, de doenças que requerem notificação mensal de qualquer caso confirmado ao Serviço Veterinário Oficial.

6 respostas para ‘Estratégias para conter surto de herpes incluem vacinação, cuidados sanitários e novos procedimentos de importações’

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.