Cavalos novos: o desafio dos 7 anos

A preparação do cavalo novo deve respeitar os limites do animal e seguir uma escala correta de treinamento. Os movimentos exigidos precisam ser adequados para cada idade, tomando por base a estrutura física para evitar lesões e conseguir tirar o melhor do animal. É por isto existem competições separadas para os cavalos novos. Lançada em 2016, a categoria cavalos novos 7 anos preenche uma lacuna que existia entre a reprise dos seis anos e o prêmio São Jorge.

Ao mesmo tempo em que complementa a formação dos animais na fase em que se tornam adultos, a reprise de 7 anos também orienta os profissionais na educação correta dos cavalos, de forma a preservá-los e a não avançá-los incorretamente. Por exemplo, nas provas de cavalos novos de 4 e 5 anos, as reprises têm muitos movimentos no trote e no galope de trabalho. Já nas de 6 e 7 anos, busca-se mais a reunião.

Esta diferença mostra como os programas são desenvolvidos e pensados para cada idade, uma vez que a estrutura de massa muscular precisa de tempo para se desenvolver. Outra diferença é o julgamento. Enquanto em 4, 5 e 6 anos os juízes dão pontos para trote, galope, passo, submissão e impressão geral, em 7 anos, além deste julgamento, há também o julgamento é técnico com pontos por exercício.

“É preciso cuidar muito da educação dos cavalos para não ir rápido demais, porque, se começar a reunir antes de o cavalo estar pronto e musculoso, vai perder andadura e provavelmente o cavalo terá lesões lá na frente”, ressalta a amazona Pia Aragão. Ela explica que o cavalo novo não precisa fazer as provas de 5 e 6 anos antes de fazer a de 7 anos, mas lembra que a Federação Equestre Internacional (FEI) recomenda passar por estas etapas. Além disto, no Brasil e em outros países, existem programas nacionais para cavalos 4 anos para que eles iniciem os trabalhos de maneira correta.

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Pia Aragão e Fellini Interagro

Mini São Jorge
De acordo com a amazona, a reprise de cavalo novo 7 anos é como se fosse uma mini prêmio São Jorge e ela foi elaborada para os cavalos se prepararem para as competições FEI Small Tour, que compreende as reprises de prêmio São Jorge, intermediária I e intermediária I estilo livre (freestyle) — entenda o que são os concursos de small e big tours.

No programa da FEI, há duas reprises — a FEI Preliminary test for 7-year old horses e a FEI Dressage test for 7-years old horses, final. “O programa de cavalos novos é menor, mas as figuras são bem similares. E há algumas diferenças, como, por exemplo, em vez de ter cinco mudanças de quatro tempos, tem três”, explica Pia Aragão, que vem disputando a temporada 2017 em cavalos novos 7 anos com o lusitano Fellini Interagro.

A reprise de 7 anos começou a ser usada no Brasil em 2017. Até o momento, Fellini Interagro é o único animal competindo. Filho de Nirvana Interagro e Batina Interagro, que é uma filha do Ofensor (MV), o garanhão nasceu em 1º de setembro de 2009 e é criação e propriedade da Fazendas Interagro.

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“Um cavalo que faz a reprise de 7 anos, naturalmente, está pronto para seguir carreira internacional, competindo em FEI small tour quando tiver oito anos, que é uma boa idade para começar essas provas. Acredito que ele deva permanecer no small tour de um a dois anos e depois provavelmente seguir para grande prêmio”, explica.

Nas provas, a maior vantagem em separar cavalos novos de maduros está no fato de eles serem julgados com outros da mesma idade e, assim, nas mesmas condições. Entrando em outras séries, como preliminar ou média, o cavalo novo acaba competindo com animais adultos e por vezes mais bem-preparados, tornando a competição desigual.

Internacionalmente, a preparação de cavalos novos é levada muito a sério. Todos os anos o campeonato mundial de cavalos novos (ou WBCYH, de world breeding championships for sport horses) é realizado na cidade de Ermelo, na Holanda, pela WBFSH, a federação internacional de studbooks (livros genealógicos) para cavalos de esportes.

Na edição deste ano, 39 animais disputaram a categoria 7 anos, 43 a de 6 anos e 39 a de 5 anos. Montada pelo espanhol Severo Jurado Lopez, a égua DWB Fiontini sagrou-se campeã nos 7 anos. A prata ficou com o castrado KWPN Sultan des Paluds, apresentado pela holandesa Kirsten Brouwer, e o bronze foi para Kipling, um castrado TRAK.

Para saber mais sobre as exigências em cada nível, recomenda-se a leitura do documento de diretrizes da Federação Equestre Internacional (FEI), no qual a entidade assinala o que os juízes devem considerar na avaliação.

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Este conteúdo foi produzido por Adestramento Brasil e tem o patrocínio da Fazenda Interagro.

Fotos: divulgação Interagro

 

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