Com primeira etapa das seletivas concluída, juízes comentam o que avaliaram no CDI 3*

Encerrada a primeira das duas seletivas realizadas no Brasil para a escolha da equipe que representará o País no Sul-Americano 2022, o saldo do CDI 3* realizado de 21 a 24 de julho na Sociedade Hípica Paulista mostrou uma disputa acirrada pela vaga no Time Brasil. À exceção de dois conjuntos pontuando acima dos 69% na média, três estão nos 67%; quatro na casa dos 66%; dois em 65% e os demais abaixo disso. O sueco Magnus Ringmark (FEI 5*), que julgou pela primeira vez no Brasil, afirmou ter visto muitos bons e promissores cavalos e ginetes. E ele não foi o único. Adestramento Brasil conversou com os juízes; conheça a opinião deles sobre o CDI 3* na SHP.

“Os conjuntos que classificaram e os que pontuaram acima dos 70% me parecem muito competitivos [para integrar equipe para o Sul-Americano]”, respondeu Ringmark, após julgar o primeiro dia de competições — prêmio São Jorge e grande prêmio. “Mas é sempre aquilo que você não pode cometer erros, porque os pontos caem. Em alguns momentos, para alguns conjuntos faltou suppleness, o que pode indicar alguns problemas com a boca [contato] e é preciso ter o cavalo mais pelo dorso e engajado para obter as encurvaturas necessárias e sendo suave o suficiente”, acrescentou.

Questionado sobre quais são os erros frequentes que ele mais observa ao julgar ao redor do mundo, Ringmark afirmou que os erros técnicos são os que custam mais notas. Além disso, apontou problemas com o contato e suppleness. “É preciso pensar na escala de treinamento e entender que contato e suppleness são básicos e eles têm de funcionar. Se não funcionam, custam muito caro.”

À CBH, o sueco completou que em small tour houve muitos conjuntos que foram melhor na PSJ que na intermediária 1 — de fato, as notas foram menores no segundo dia de provas. Ele apontou que, às vezes, faltou submissão, especialmente no trabalho lateral, perdendo ritmo e submissão; e destacou, novamente, que o trabalho de base pode ser aprimorado.

Para o português Carlos Lopes, FEI 4*, os conjuntos apresentam qualidade. “A maior parte dos cavalos tem alguma qualidade, inclusive, bastante boa e isso se viu pelas notas, com uma série de conjuntos com bom nível internacional. Depois, tem uma série de coisas onde continuam a perder alguns pontos como na precisão: [devem] ser mais precisos no posicionamento dos cavalos em relação aos exercícios. Isso faz parte do crescimento e do ensino”, ponderou o português.

Lopes já julgou no Brasil várias vezes. Ele disse que observou uma melhora na qualidade da montaria e no número de participantes. “Os cavalos e a criação brasileira têm evoluído e a qualidade da montaria também. Estão de parabéns. O Brasil está em um muito bom caminho, como já vem demostrando há bastante tempo, como os conjuntos que estão na Europa”, ressaltou.

Pela Argentina, Cesar Lopardo-Grana, também FEI 4*, observou que um grupo de cinco conjuntos, mais bem-colocados, se destacaram na disputa do CDI 3*. “Vi ginetes novos, com muito futuro, e alguns de sempre, que já os conheço e que seguem demostrando que são bons no que fazem”, apontou.

A exemplo de Ringmark, Lopardo-Grana explicou que a inter 1 é um salto grande para os cavalos em comparação com a PSJ, com exercícios que exigem maior reunião. “Nem todos os cavalos estão totalmente preparados. É aí que se vê a diferença”, disse.

Equipe competitiva
Na avaliação de Sergio de Fiori, diretor de adestramento da Confederação Brasileira de Hipismo, o CDI 3* da SHP mostrou que os conjuntos estão caminhando para subir um pouco mais as notas. Ele disse acreditar que, quando o processo seletivo terminar, o Brasil contará com uma equipe muito competitiva. “Tivemos um número muito bom de inscritos, o que é importante. O rendimento foi bom e o clima geral foi de muito fair play, algo essencial para formar uma equipe”, ponderou.

Os primeiros resultados consolidados das médias mostram que, à parte do primeiro, que está na casa dos 70%, e do Corsário que, com os três pontos porcentuais, está no 69%, os demais têm pouca diferença entre eles, estando entre 67% e 65%. A disputa será acirrada? Fiori respondeu que sim! “O que torna tudo mais interessante, porque a avaliação é de que vários destes conjuntos têm potencial para subir os seus porcentuais”, avaliou.

Com relação aos dois conjuntos que foram eliminados no kur, eles seguem contando para seletiva, uma vez que o texto do processo observatório para formação da equipe estabelece que o conjunto participe de todas as provas daquele CDI. “Participar é diferente de terminar ou pontuar. Os resultados serão validados sim”, esclareceu o diretor da CBH.

A próxima seletiva será no CDI 3* no Centro Hípico de Tatuí na última semana de agosto. As expectativas? “Fechar a melhor equipe possível!”, ressaltou Fiori.

Lopardo-Grana lembrou que, neste ano, ocorre em toda América Latina provas de seleção de equipes que competirão no Odesur. “Realmente, considero que Brasil tem equipe muito forte e com muita possibilidade de obter a medalha de ouro”, disse.

Como está a disputa
As provas internacionais do CDI 3* foram julgadas por Cesar Lopardo-Grana (FEI 4* pela Argentina), Carlos Lopes (FEI 4* por Portugal), Magnus Ringmark (FEI 5* pela Suécia), Claudia Mesquita ( FEI 4* pelo Brasil), Mercedes Campderá (FEI 4* pelo México) e Natacha Waddell (em H, FEI 4* pelo Brasil).

Adestramento Brasil está compilando em planilha os porcentuais para a seletiva do Time Brasil para Asu 2022, segundo as regras da CBH, e também as notas para compor índices para COC. Acompanhe aqui.

Terminadas as provas de PSJ, inter 1, GP e GPS, Paulo Cesar dos Santos assume a liderança da seletiva com Fidel da Sasa JE e média de 70,250%, seguido de Victor Trielli Ávila com Corsário ISG (69,4125%), Vinícius Miranda da Costa com Biso das Lezírias (67,456%), Eduardo Alves de Lima com Florisbela V.O (67,3825%) e João Paulo dos Santos e Húngaro da Sasa JE (67,206%).

Completam a lista Jeferson Pereira com Ferragamo Crystal (66,956%), Murilo Machado e Jorge V.O (66,7645%), Victor Trielli Ávila e Gabarito HI (66,6765%), Frederico Correa Mandrot com Galileu LS (66,0735%), Roberto de Souza com Fantomen do Pagliarin (65,794%), Raquel Mendonça Maurell de Mattos com Dayfony SMH (65,250%), Micheline Ivette Schulze com Domino (64,1155%) e Fernando Alencar Nunes Rolim com El Sent Global Equus (60,1325%).

Campeã no big tour, Sarah Waddell optou por não participar das seletivas. Leia mais aqui.

Conforme Fiori explicou em entrevista durante o CDI 2* de Tatuí, serão escolhidos indistintamente para o Odesur 2022 conjuntos de small e big tour, respeitando o critério objetivo. Os cinco conjuntos com as médias dos porcentuais finais mais altas embarcam — são quatro titulares e mais o reserva, que também vai ao Paraguai.

Seleção
Segundo o critério objetivo definido pela Confederação Brasileira de Hipismo, valerá a média considerando as provas de São Jorge e intermediária 1 para small tour e grande prêmio e grande prêmio especial (GPS) no big tour — este último acrescentando-se três pontos porcentuais (3 p.p). O CDI 3* em que o conjunto atingir a maior pontuação média será considerado para a seletiva.

Os resultados considerados para a seleção deverão ser obtidos no período 01 de julho a 28 de agosto de 2022. Os conjuntos no Brasil terão dois CDIs 3* observatórios no País: de 22 a 24 de julho na capital paulista e de 26 a 28 de agosto em Tatuí, no interior de São Paulo.

O CDI 3* no qual o conjunto atingir a maior pontuação será considerado para a escalação. Conjuntos de small tour e big tour disputarão as vagas da equipe indistintamente. Confira o documento completo com o processo de seleção.

>>> Programas, ordens de entrada e resultados

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