Rodolpho Riskalla obtém as únicas medalhas do Brasil nos Jogos Equestres Mundiais

O cavaleiro paralímpico Rodolpho Riskalla conquistou as duas únicas medalhas do Brasil nesta edição dos Jogos Equestres Mundiais, realizada em Tryon, nos Estados Unidos. Montando Don Henrico, depois da prata na prova individual grau 4, no dia 18/9, Riskalla conquistou outra medalha de prata na prova individual estilo livre grade 4, no dia 22/9. No freestyle grau 4, Riskalla fez 77,780% de nota final. 
tryon_2018_patrocinadores

A prata de Riskalla foi confirmada pela Federação Equestre Mundial após o júri de campo indeferir a apelação do chefe de equipe brasileiro, Rodrigo Bezerra Braga, que emitiu um protesto reclamando que a holandesa Sanne Voets executou uma sequência de mudanças de quatro tempos e não de cinco, como está no artigo 8421.2.4.7 do regulamento FEI.

Em nota à imprensa, a entidade afirmou que o júri analisou as imagens do vídeo oficial da prova de Voets com Demantur N.O.P. e concluiu que não houve nenhuma tentativa por parte de Sanna Voets em uma sequência deliberada de mudança de quatro tempos, mas que ela, de fato, cometeu um erro no final do movimento que foi levado em consideração na aplicação da pontuação.

Como resultado, o protesto foi negado e as colocações permaneceram inalteradas, com ouro para Sanne Voets, Rodolpho Riskalla com a prata e Kate Shoemaker (EUA) com o bronze.

De acordo com a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), a duas medalhas de prata no individual e o 7º lugar por equipe foram o melhor resultado do adestramento paraequestre em Jogos Equestres.

Além de Riskalla, o time brasileiro contou com medalhista paralímpico Marcos Fernandes Alves (Joca), montando Vladmir, no grau 2, e, no grau 1, o também medalhista paralímpico Sérgio Fróes Ribeiro de Oliva montando Coco Chanel M e Vera Lúcia Martins Mazzilli com Ballantine.

Apesar de ser o melhor resultado do Brasil, o sétimo lugar não garantiu vaga para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. As vagas ficaram com Holanda, que faturou o ouro com 223,597%; a Grã Bretanha, prata com 222.957%, e a Alemanha, que medalha de bronze com 219.001%. Para o Brasil ainda há outras chances de classificação para os Jogos.

Sérgio Oliva com Coco Chanel M, no grau 1, foi, segundo a CBH, o segundo melhor resultado do Brasil em WEG. Campeão Mundial em 2007 e dono de duas medalhas de bronze na Paralimpíada do Rio 2016, o brasiliense de 36 anos atingiu 70,036% na prova técnica dia 19/9 e 70,786% na segunda reprise com resultado válido para a classificação por equipe. Oliva não participou do freestyle.

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Sérgio Oliva com Coco Chanel

 

Também competindo no grau 1, a brasiliense Vera Lúcia Martins Mazzilli montou  Ballantine e registrou 65,357% na prova técnica no dia 19/9 e fez 62,607% na prova qualificatória válida para a equipe, resultado que acabou sendo descartado. A amazona de 67 anos não participou do freestyle.

O brasiliense Marcos Fernandes Alves, mais conhecido por Joca, competiu montando  Vladimir no grau 2. Dono de dois bronzes na Paralimpíadas de Pequim 2008, Joca, 57 anos, registrou 64,412% na prova técnica e 65,636% na reprise qualificatória para equipe. O conjunto se classificou para a prova estilo livre e fez 65,413%.

O adestramento paraequestre foi a última modalidade a integrar os Jogos Equestres Mundiais, na edição de 2010 em Kentucky (EUA), quando o Brasil ficou em 13º lugar e contou com representantes nos graus 1A (hoje grau 1) e 1B (hoje grau 2).

Na Normandia, em 2014, a equipe ficou em 15º (de 17 times) com Marcos F. Alves com Win Du Vieux Logis; Davi M. Salazar com Balthazr; Vera Mazzilli com Ballantine;  Sergio Oliva com Emily e Elisa Mellaranci/Zabelle.

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Riskalla com Don Henrico

Riskalla e Don Henrico
Riskalla está com Don Henrico há pouco mais de um ano com objetivo de competir em WEG. De propriedade de Ann Kathrin Linsenhoff e Klaus Martin Rath, o animal foi emprestado a Riskalla para disputar o mundial e, conseguindo vaga, os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

Em entrevista em vídeo ao Adestramento Brasil dias antes da competição, Riskalla falou que sua preparação para a disputa no adestramento paraequestre em WEG-Tryon 2018 envolveu provas de paradressage e provas de São Jorge e intermediária 1. “No paraequestre não tem a mesma quantidade de provas que no regular e também queria voltar a fazer o circuito de adestramento”, contou.

Estreante em Jogos Equestres Mundiais, Riskalla competia no adestramento desde os oito anos, incentivado e treinado por sua mãe, a juíza e treinadora Rosangele Riskalla. Bicampeão Sul-Americano, tricampeão Brasileiro e único atleta do país em uma FEI. World Breeding Dressage Championships for Young Horses (2013), Riskalla sonhava em integrar a equipe brasileira nos Jogos do Rio 2016. Conseguiu, mas na Paralimpíada, em uma historia de coragem e superação.

Depois de passar temporadas na França e na Alemanha em busca de aperfeiçoamento técnico, em 2015, Riskalla se estabeleceu em Paris. No mesmo ano, precisou voltar ao Brasil em razão do falecimento de seu pai e, duas semanas depois, contraiu meningite bacteriana. A luta pela vida foi intensa, inicialmente, fazendo tratamento em São Paulo e depois em Paris. Teve de amputar a parte inferior das duas pernas, a mão direita e parte dos dedos da mão esquerda.

Menos de um ano após ter contraído a doença, Riskalla voltou a montar e passou a sonhar com os Jogos Paralímpicos Rio 2016. Participou de seletivas na Europa e conquistou vaga no Time Brasil Paraequestre na Paralimpíada do Rio 2016, quando terminou em 10º lugar no então Grau 3, hoje Grau 4.

 

Fotos: divulgação CBH/Luis Ruas 

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