Provas do Pan-Americano Santiago 2023 deveriam ser big tour?

A discussão sobre se as provas dos Jogos Pan-Americanos devem ser no nível de big tour — ou seja, reprises de grande prêmio e de grande prêmio especial — voltou à pauta. O tema vem sendo foco de debates e teve como gatilho o fato de o Brasil ter conquistado a vaga por equipe para os Jogos Olímpicos de Tóquio e a perdido por não entregar, dentro do prazo determinado, o certificado de capacidade (NOC Certificate of Capability) contendo pelo menos três conjuntos que tenham obtido os requisitos mínimos de elegibilidade durante o período dos Jogos Equestres Mundiais da FEI de 2018 a 31 de dezembro de 2019.


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Em um debate online, promovido pelo juiz Cesar Torrente, o presidente da Confederação Equestre Pan-Americana (Paec, sigla para Pan American Equestrian Confederation), Cesar Hirsch, explicou que, recentemente, subir o Pan para big tour retornou como tema de conversas informais. Ele lembrou que o tópico já foi foco de discussões no passado. No Pan-Americano de 2011, que foi classificatório para os Jogos de Londres de 2012, a Colômbia obteve a vaga por equipe, mas, sem conjuntos alcançando os índices, perdeu a vaga — mesma situação pela qual o Brasil passou no ano passado.

De acordo com Hirsch, existe o interesse por parte da Panam Sports (que é o Movimento Olímpico nas Américas) de seguir tendo o Pan como classificatório olímpico, mas ele ressaltou que há preocupação da Federação Equestre Internacional (FEI) sobre como será o próximo Pan-Americano para que não volte a ocorrer o que passou em 2019 com Brasil e em 2011/12 com a Colômbia. Hirsch destacou que perder uma vaga por equipe tem um grande impacto para a região.

Ao Adestramento Brasil, a FEI explicou que está trabalhando em colaboração com a Paec para decidir os rumos do Pan. “O tópico foi levantado. Atualmente, não há cronograma e as discussões estão em andamento para uma análise mais aprofundada no futuro”, respondeu a FEI por meio de sua assessoria de imprensa.

Há, segundo Hirsch, um comitê se encarregando de estudar diferentes alternativas com a preocupação de que elas sejam em benefício ao desenvolvimento do esporte. As opções poderiam incluir seguir com o sistema híbrido, tendo a classificação olímpica atrelada a equipes que tenham conjuntos competindo em big tour; introdução de medium tour; e a opção de ser tudo em big tour.

“Obviamente, este é um passo importante. Tenho entendido que quando fizeram small e big tour era uma fase de preparação para dar a oportunidade para os países de irem pouco a pouco fazendo a transição para tudo ser em big tour. Ou seja, sempre houve um interesse, desde o princípio, de ser big tour, mas a situação, especialmente esta que estamos vivendo agora, não é a melhor para se fazer investimentos em cavalos e treinamento”, disse.

A Paec, apontou Hirsch, está preparando um documento para ser apresentado na próxima Assembleia Geral da FEI com propostas para os Jogos Pan-Americanos e recomendações às federações nacionais. A entidade regional criou um grupo de trabalho com representantes dos diversos países — Pia Aragão está pelo Brasil — com objetivo de avaliar, desde diferentes pontos de vista (organizadores, atletas, treinadores etc.) quais são os cenários que melhor se podem aplicar para o próximo Pan-Americano, que será em Santiago, no Chile, em 2023.

Também no bate-papo com Torrente, a amazona representante da República Dominicana Yvonne Losos de Muñiz defendeu que haja uma mudança radical. “Eu acho que há muitos mais ginetes que podem chegar ao nível de GP, mas é preciso buscar um sistema para ajudar os ginetes; e não apenas os jovens cavaleiros, mas também os que já estão no nível de GP, como os levando a competir fora dos países”, enfatizou. Ela assinou um artigo de opinião no Eurodressage mostrando os porquês acredita que os Jogos Pan-Americanos deveriam ser disputados em big tour.

Marido de Yvonne, Eduardo Muñiz apresentou, durante a videoconferência, uma tabela mostrando que apenas Canadá, Estados Unidos, Brasil e México conseguiriam facilmente montar um time de GP para disputar o Pan. Colômbia, Argentina e Chile, segundo ele, têm potencial para tanto.

Muñiz ressaltou que entre as vantagens de o Pan ser em GP é fazer com que conjuntos e países subam de nível, tendo o mesmo formato de classificação que outras regiões e compitam no mesmo patamar que em Olimpíada. Por outro lado, pode haver baixa na participação dos países e algumas nações poderiam perder apoio de seus comitês Olímpicos ao não participar do Pan ou não completar ciclo olímpico.

Durante a videochamada, a atual diretora de adestramento da Confederação Brasileira de Hipismo, Sandra Smith, pediu a palavra. “É muito importante ter as regras o quanto antes para que se possa organizar. Eu me preocupo, porque se tem de pensar como um todo e não apenas no Pan-Americano, ou seja, como se chega lá: Odesul, Bolivariano. Se o Pan sobe, se há mudança, tem de mudar também o Odesul. Não se pode classificar no Odesul com cavalos de small tour e depois ser exigido o grande prêmio”, defendeu.

Segundo apurou Adestramento Brasil, ainda não há nada definido para os Jogos Sul-Americanos (Odesul), que ocorrem em 2022 no Paraguai.

Confira a íntegra do debate online:

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