Brasileiros planejam buscar na Europa índices para Tóquio 2020

Dois cavalos que disputaram os Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, o Aoleo e o Carthago Comando SN, seguem no Peru completando quarentena para, então, viajarem a Europa. Os planos ainda não estão completamente definidos, mas, segundo apurou este noticiário, o objetivo é que disputem alguns concursos de adestramento internacionais (CDIs) com a meta de alcançar os requisitos mínimos de elegibilidade (MER, na sigla em inglês para minimum eligibility requirements) para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Além da medalha de bronze por equipe no Pan, o Brasil precisa apresentar à Federação Equestre Internacional (FEI), até 31 de dezembro, uma lista contendo, no mínimo, três conjuntos com, pelo menos, dois MERs cada para manter a vaga por equipe na Olimpíada.

A FEI explicou ao Adestramento Brasil que apresentar o certificado de capacidade (“NOC Certificate of Capability”) é pré-requisito para a confirmação do lugar conquistado nos Jogos Pan-Americanos. Para os requisitos mínimos de elegibilidade, cada conjunto precisa obter, em duas competições diferentes, porcentual de, no mínimo, 66% tanto na nota final como na nota atribuída por juiz FEI 5* na prova de grande prêmio nos concursos de adestramento internacionais de níveis CDI3*, CDI4*, CDI5*, CDI-W e/ou CDIO. Além disto, o juiz FEI 5* precisa ser de nacionalidade distinta do atleta.  O período para obtenção dos MERs começou nos Jogos Equestres Mundiais (WEG – Tryon) e encerra-se em 31 de dezembro.  

Caso o País não apresente o “NOC Certificate of Capability”, ele perde a cota por equipe e as vagas serão remanejadas para competidores individuais. As regras constam do regulamento publicado em janeiro deste ano (confira o hotsite da FEI sobre Tóquio 2020 e o regulamento de qualificação), mas a necessidade do certificado consta desde as primeiras versões do regulamento. As regras de qualificação para Tóquio 2020 foram aprovadas pela FEI em sua assembleia geral de 2017, realizada em novembro daquele ano em Montevidéu, no Uruguai. O documento (acesse aqui) contém o processo de qualificação para as três modalidades olímpicas. Apesar de o texto ter sofrido algumas modificações ao longo dos meses até a publicação da versão enviada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), em 28 de janeiro de 2019, ele sempre manteve a exigência de cada nação com vaga por equipe enviar à FEI, até 31 de dezembro de 2019

Os índices devem ser obtidos em CDIs de três ou mais estrelas. Por isto, os quatro CDIs 2* realizados no Brasil no primeiro semestre deste ano não podem ser usados para o “NOC Certificate of Capability” — confira as notas obtidas pelos conjuntos participantes aqui.

A fim de esclarecer a estratégia brasileira para obtenção do “NOC Certificate of Capability”, Adestramento Brasil enviou à Confederação Brasileira de Hipismo, no dia 12 de agosto, perguntas por e-mail e pediu retorno até o dia 15/08. Sem resposta, este noticiário reforçou, no dia 15/08, a solicitação e estendeu o prazo até segunda 19/8. Contudo, até o momento, a CBH não respondeu às perguntas enviadas, que foram as seguintes:

  • O que a CBH está fazendo para apresentar até 31 de dezembro o certificado de capacidade com pelo menos três conjuntos que tenham atingido os requisitos mínimos de elegibilidade da FEI (MER)?
  • Haverá CDIs 3* no Brasil até dezembro deste ano para que os conjuntos obtenham os índices e o Brasil confirme a vaga conquistada com o bronze em Lima?
  • Os conjuntos que competirem fora do Brasil buscando os índices para o NOC Certificate of Capability terão algum benefício ou prioridade por terem tido a iniciativa e ajudado o Brasil, como, por exemplo, vaga na equipe que disputa os Jogos Olímpicos?
  • Por que os quatro CDIs realizados no primeiro semestre foram 2* e não 3*?
  • Ademais da estratégia para obtenção do certificado de capacidade, como será o processo seletivo para a formação da equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020? Serão realizados CDIs no Brasil para que os conjuntos alcancem os requisitos mínimos até 1º de junho de 2020?

Em busca dos índices
Diante desta situação, cavaleiros brasileiros como Pedro Tavares de Almeida e João Paulo dos Santos terão suas montarias do Pan embarcadas para Europa — é necessário ficar em quarentena antes de ir ao continente europeu. Pedro Almeida contou que elaborou um calendário de provas para competir em alguns CDIs até o fim deste ano. Já João Paulo dos Santos disse que ainda não tem nenhuma prova definida. Ele e Carthago Comando SN disputaram small tour no Pan e os índices precisam ser alcançados em provas de grande prêmio. Em entrevista no Pan, Santos havia falado em subir Carthago para big tour e que, além de Carthago, há cavalos na Fazenda Sasa que poderiam disputar as seletivas e que tem também cavalo na Europa que poderia disputar CDIs.

Outro medalhista em Lima, Leandro Silva não embarcou DiCaprio para Europa, como havia cogitado em entrevista em vídeo na final do Pan, mas não descarta fazer uma temporada de competições fora do País em busca de qualificação. Ele ressaltou que não tem nada definido. Leandro Silva é, até o momento, o único conjunto brasileiro com índice, mas ele tem apenas um: nota final de 67,326% com DiCaprio na prova de grande prêmio nos Jogos Pan-Americanos de Lima, sendo 68,478% com a juíza FEI 5* Janet Foy, dos Estados Unidos, e 68,804% com a juíza FEI 5* Mary Seefried, da Austrália.

Nos Jogos Equestres (WEG – Tryon), nenhum dos conjuntos brasileiros que disputou o GP obteve o porcentual de 66%.

Também integrante do time medalha de bronze, João Victor Oliva está de volta à Europa onde tem cavalos em treinamento. No primeiro semestre,  ele mudou seu centro de treinamento na Europa, saindo do treinador Norbert van Laak, em Möhnesee, para dividir os estábulos de Irina Zakhrabekova com Maria Caetano.  

Amazona que integrou o Time Brasil em WEG e nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Giovana Prado Pass tem cavalo na Europa. Com o Eleito Plus, ela competiu small tour em dois concursos de adestramento internacionais (CDIs) no primeiro trimestre deste ano.  À época, ela falou que o objetivo com Eleito era buscar vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Sem fornecer detalhes, Pass disse que deve participar de algum CDI.

Rumo a Tóquio 2020
Ademais do certificado de capacidade, todos os atletas disputando por equipe ou individualmente os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 têm de cumprir os requisitos mínimos de elegibilidade no período de 1º de janeiro de 2019 a 1º de junho de 2020, cinco semanas antes do início dos Jogos Olímpicos, para poder integrar as equipes. Os conjuntos apontados no certificado de capacidade não precisam ser os mesmos que vão disputar os Jogos Olímpicos, segundo a FEI esclareceu a este noticiário.

Após a entrega do “NOC Certificate of Capability” em 31 de dezembro, a FEI envia por escrito, até 10 de janeiro de 2020, aos comitês nacionais de cada um países a alocação das cotas por equipes e cada país tem até o dia 3 de fevereiro de 2020 para confirmar ou declinar a participação por equipe nos Jogos.  Se um país não confirma o certificado de capacidade até 31 de dezembro de 2019 ou informa à FEI, até 3 de fevereiro de 2020, que declina o seu lugar de cota de equipe, as vagas são reatribuídas, seguindo uma série de regras da FEI (ver página cinco do regulamento de qualificação). 

Com a cota por equipe confirmada, os comitês nacionais têm até o dia 10 de abril de 2020 para enviar uma lista longa com todos os conjuntos que possivelmente poderiam competir nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. O passo seguinte é reduzir a primeira nomeação de conjuntos e enviar uma lista menor contendo nove conjuntos e mais três de reserva que tenham obtido os índices necessários (MER) até 1º de junho de 2020. Esta é, vamos dizer, uma lista prévia dos conjuntos apontados pelos países para os representarem nos Jogos. Ela deve ser remitida à FEI até a meia-noite do horário da Suíça do dia 1º de junho de 2020. Na sequência, os países têm até dia 6 de julho às 23:59 no horário de Tóquio para enviar as entradas finais, contendo três conjuntos oficiais e mais um reserva.

No adestramento, o prazo final para mudança antes da competição é até duas horas antes de ser divulgada a ordem de entrada para o GP. Substituições apenas serão permitidas em caso de acidente ou doença do atleta ou cavalo e com a apresentação de atestado médico ou veterinário. Todas as substituições devem ser validadas pela organização e só podem ser feitas, no caso das equipes, durante o período que vai do fim da prova de GP até duas horas antes do início da prova de GP especial.

Mudanças para Tóquio
Equipes com três conjuntos e sem descarte; mudança na competição por equipes; e nova formação das ordens de entradas são algumas das modificações que serão implantadas na competição de adestramento dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. As reprises seguem sendo grande prêmio, grande prêmio especial (GPS) e GP estilo livre em música. No entanto, enquanto o GP serve de qualificação para a final individual e por times, será o GPS com música que definirá as medalhas por equipes.

A ordem de entrada também sofreu alteração para ter conjuntos de elite em cada um dos blocos. Agora, a divisão de qual conjunto entra em qual momento será feita com base no ranking da FEI. Para o GP, os atletas serão divididos em seis grupos, sendo três grupos no primeiro dia e três no segundo. A composição dos grupos será baseada na posição do conjunto na FEI World Ranking List — há regras específicas para o caso dos países que caírem com todos os atletas no mesmo dia. Passam para a final os dois melhores conjuntos de cada grupo além dos seis mais bem-colocados no resultado geral, totalizando 18 combinações. Leia matéria completa aqui.


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