Adestramento paraequestre não é equoterapia melhorada

O adestramento paraequestre é igual ao adestramento regular. A única diferença é que os cavaleiros e amazonas têm lesões físicas e passam por avaliações para serem classificados segundo o grau das deficiências. Assim explicou Gabriele Brigitte Walter, classificadora oficial da Federação Equestre Internacional (FEI), ao Adestramento Brasil o funcionamento da modalidade que, ao longo dos anos, conferiu ao Brasil várias medalhas paralímpicas e de outras competições.

Gabriele Brigitte Walter“A divisão é por perfil funcional para ficar mais justo”, explicou Gabriele Walter (foto). Com vasto currículo, ela é uma das pioneiras na introdução da equoterapia no Brasil. A fisioterapeuta, formada pela Universidade de São Paulo, e psicóloga, pela PUC — São Paulo, fundou o Rancho GG, um centro de treinamento, pesquisa e ensino de equoterapia. A especialista ressaltou que a modalidade não é uma equoterapia melhorada, mas um esporte de alto rendimento.

O Brasil vem fazendo bonito em hipismo nas competições internacionais. No ano passado, o cavaleiro brasiliense Sergio Oliva garantiu duas medalhas de bronze nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Em São Paulo, depois de quase sete anos, as provas da modalidade voltam a ser realizadas no Estado. A primeira de 2017 ocorreu em 5 de agosto (leia reportagem) na Sociedade Hípica Paulista (SHP), junto com a 5ª etapa do ranking de adestramento e 11ª etapa do Campeonato Paulista de Adestramento. De acordo com Capitão Syllas Jadach Oliveira Lima, diretor de paraequestre da Federação Paulista de Hipismo (FPH), a meta é ter mais uma competição neste ano e realizar um Campeonato Paulista no ano que vem.

Em março último, Brasília sediou o Campeonato Brasileiro de Adestramento de Paraequestre, que contou com participação da elite e novatos na modalidade.

Nas provas paraequestres, os atletas são divididos em cinco classes — Grau I , Grau II, Grau III, Grau IV e Grau V —, de acordo com os tipos de deficiência. A avaliação para identificar a qual grupo cada pessoa pertence é feita por um profissional habilitado e oficial da Federação Equestre Internacional. No Brasil, cabe à Gabriele Walter, da Fundação Rancho GG, esta tarefa.

No Grau I, o atleta faz sua reprise ao passo; no Grau II, se apresenta no passo e faz algum trote; no Grau III, a apresentação tem passo e trote em partes iguais; no Grau IV, o atleta compete no passo, trote e galope e, no Grau V, faz sua apresentação no passo, trote e galope com trabalho lateral e meias piruetas. Nos Graus I, II e III, as provas são disputadas em pistas de 20m x 40m, enquanto as de Grau IV e V ocorrem em pistas com medida de 20m x 60m. Uma sinalização sonora é usada para orientar o atleta cego: são os “chamadores”, que gritam letras conforme o cavaleiro se aproxima de um obstáculo.

Pela Federação Equestre Internacional (FEI), o paraequestre pode ser disputado em adestramento ou atrelagem, sendo que nos Jogos Paralímpicos apenas o adestramento é disputado. Nos Jogos, os atletas paraequestre são divididos em quatro classes: Grau I (Ia e Ib), Grau II, Grau III e Grau IV. Fazem parte dos graus IA e IB atletas usuários de cadeiras de rodas, com pouco controle do tronco ou comprometimento da função nos quatro membros ou com ausência de controle de tronco e boa funcionalidade nos membros superiores, ou controle de tronco moderado com comprometimento severo nos quatro membros.

No Grau II entram cadeirantes ou aqueles com comprometimento locomotor severo, envolvendo tronco e com boa a razoável funcionalidade dos membros superiores ou atletas que possuem comprometimento unilateral severo. Geralmente, estes atletas são capazes de andar sem ajuda. A classe engloba, ainda, pessoas com comprometimento unilateral moderado, comprometimento moderado nos quatro membros ou comprometimento severo dos braços. Cegos totais de ambos os olhos também fazem parte desta classe.

No Grau III estão as pessoas que são capazes de andar sem auxílio, mas que possuem comprometimento unilateral moderado, comprometimento moderado nos quatro membros ou comprometimento severo dos braços. Cegos totais de ambos os olhos também fazem parte desta classe. E o Grau IV engloba atletas que possuem um ou dois membros comprometidos ou com alguma deficiência visual.

Para um país participar como equipe em competições internacionais é obrigatório que o time seja formado por três ou quatro atletas, sendo que pelo menos um deles deve pertencer aos graus I , II ou III. As reprises para competições paraequestres podem ser acessadas aqui.

Informações sobre regras: site CBH

Foto principal: Agência Brasil – Sérgio Oliva conquista a medalha de bronze no hipismo – Rio 2016 | Foto da Gabriele Walter: reprodução do Facebook

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