Kiko Mari, da CBH: houve polarização no hipismo e o caminho agora é pelo diálogo

Eleito presidente da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), em uma conturbada Assembleia no último 29 de janeiro, Francisco José Mari diz que o momento agora é de unir a comunidade. “Houve uma polarização do hipismo brasileiro e quem perde com tudo isso é o esporte e toda comunidade”, afirmou. Em sua primeira entrevista com Adestramento Brasil, conduzida por escrito e reproduzida na íntegra, Kiko Mari, como é conhecido, avaliou o processo eleitoral, teceu comentários acerca da assembleia, compartilhou propostas para o hipismo e falou sobre planos para o adestramento.


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Adestramento Brasil — Como você avalia o processo eleitoral e a assembleia geral ocorrida em 29/01?
Francisco José Mari — O processo eleitoral aconteceu dentro das normas estatutárias e eleitorais previstas e previamente aprovadas. Dentro da lei, aconteceu tudo de forma correta, como deve ser feito. Entretanto, avalio todo esse processo com muita tristeza. Não é neste clima que desejamos conduzir a entidade. Houve uma polarização do hipismo brasileiro e quem perde com tudo isso é o esporte e toda comunidade envolvida. Precisamos de união neste momento.

Sobre a Assembleia especificamente, tudo foi muito pesado. A postura da chapa Forte Ativa de abandonar o plenário e ofender membros de nossa chapa foi totalmente inadmissível e desrespeitosa, valores totalmente contrários ao que o esporte traz.

Acredito que viver em democracia requer maturidade e respeito. Ganhar ou perder faz parte do processo, assim como discordância e críticas, mas deslegitimar uma vitória dentro da legalidade e partir para o ataque de forma grosseira é uma atitude lamentável. É preciso saber perder.

A chapa Forte e Ativa conduziu uma reunião à parte, no corredor, tendo, inclusive uma escrivã para lavrar a ata. Esta assembleia paralela poderia substituir a que ocorreu na sala com a comissão eleitoral?
De forma nenhuma. Esse fato também nos pegou totalmente de surpresa. Eles foram para a Assembleia totalmente preparados para melar tudo. Quem tem a plena consciência de que vai ganhar dentro da lei abandona a sala e faz uma reunião pirata no corredor? Isso não existe em nenhum lugar do mundo. É inadmissível. Mostrou novamente falta de maturidade e a certeza de que um ‘jeitinho’ daria certo. Não acredito que querer ganhar no grito seja uma coisa decente

A impugnação da Feerj sob o argumento do Art. 27 do Estatuto da CBH vai de encontro ao praticado pela CBH desde 2012, uma vez que a confederação tem em seu quadro de diretores uma argentina. O que permitiu Sandra Smith ser diretora? Ela permanecerá no cargo na sua gestão?
Não posso responder e não tenho responsabilidade por questões que aconteceram na gestão anterior. O que posso dizer é que o meu primeiro ato como presidente foi destituir todas as diretorias e faremos novas nomeações. Quero assumir esse mandato com muita transparência e agir dentro da lei em qualquer circunstância, sem espaço para jeitinhos e manobras para burlar as regras.

No comunicado de 31/01, você fala em conclamar a comunidade a lutar para cicatrizar as feridas naturais que decorrem do processo eleitoral. O que está sendo feito pela nova presidência para unir a comunidade em prol de fomentar o esporte?
Estamos abertos a diálogos e acreditamos que ouvir cada vez mais pessoas dentro do cenário hípico brasileiro é o caminho para chegarmos a melhorias dentro do nosso universo. Acabei de assumir o cargo e estou com as portas totalmente abertas para isso. Estou me organizando para conversar com todos e ser a ponte para que todos os interesses sejam ouvidos. Já conversei com o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Paulo Wanderley, olhando para o futuro. Precisamos ter foco. Com os Jogos Olímpicos próximos, precisamos nos fortalecer e criar um ambiente favorável para que nosso esporte seja desempenhado da melhor maneira possível.

Quais são as suas propostas para o curto e o médio/longo prazo?
No curto prazo, temos os Jogos Olímpicos de Tóquio e teremos um time dedicado exclusivamente na preparação desse evento, quando digo preparação estou falando desde envio de documentação para COB, FEI, até preparação de embarque, quarentenas, rotinas, apoio de preparador físico, fisioterapeuta para os cavalos, coach para os cavaleiros, treinadores. Oferecer todo o apoio para que nossos atletas tenham as melhores condições para competição. Mas não só de Olimpíada vive o esporte, muito pelo contrário, temos todo o cenário nacional e este ano continuamos com restrições devido à pandemia. Vamos cumprir o calendário, valorizar o ranking da CBH e iniciar nosso programa de desenvolvimento da modalidade.

Qual o plano para fomentar a base do adestramento?
Primeiramente, vamos observar e recrutar enviando representante da CBH ou através de envio de vídeos. Vamos agrupar por regiões tanto os jovens talentos como os cavalos novos com potencial e desenvolveremos um programa específico de acordo com o nível. Vamos trabalhar com as federações e as escolas de equitação, levar conhecimento, cursos, clínicas, assessorias, intercâmbios e aumentar o número de participantes. Sendo o adestramento a base das demais modalidades, vamos levar conhecimento através de cursos e preparo de instrutores para que os iniciantes e crianças realmente comecem pela base que é o adestramento.

Temos atualmente poucos juízes nacionais. Será tomada alguma medida para aumentar a base de juízes?
Atualmente temos por volta de 18 juízes nacionais de adestramento e aproximadamente o mesmo número de comissários. Temos que ter muita atenção com este assunto, pois precisamos principalmente de qualidade de juízes. Os concorrentes precisam sair da pista com a certeza de um julgamento correto e justo, os comentários dos juízes devem servir de diretriz para a melhora do conjunto.

Vamos inverter isso. Antes de mais nada, trabalharemos em cursos de atualização e reciclagem com maior frequência, podendo usar plataforma online para isso, convidando, inclusive, juízes de fora para os debates. Fui informado de que em dezembro do ano passado foi promovido, com organização da CBH, um curso online para juízes de adestramento com uma juíza 5* e que esse mesmo curso foi enviado para a FEI como curso piloto para futuros cursos internacionais. O curso do Brasil foi elogiado e já até fizeram outro teste no mesmo formato na Europa. Pretendemos realizar mais eventos desse tipo.

Como fica o calendário de adestramento?
O CDI de março foi cancelado no início de janeiro devido ao aumento de casos de Covid-19. Os CDI de abril na SHP e maio (local a definir) estão confirmados até o momento, assim como as demais datas dos calendários. Pretendemos manter e realizar os eventos que constam no calendário como CDI, CBA, Desafio Brasil e cursos, a ideia é ter mais concursos e mais cursos se as restrições causadas pela pandemia permitirem.

Crédito foto: CBH – João Loyo, vice, e Kiko Mari, presidente da CBH

Leia a cobertura completa sobre as eleições da CBH:

Leia os documentos referentes à eleição

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